Saúde · Período de transição

Especialista alerta para o aumento de crises respiratórias durante estiagem no Maranhão

Essa época do ano é marcada por chuvas escassas, temperaturas elevadas e baixa umidade no ar

No ano de 2024  ocorreram 426 óbitos por  síndrome respiratória aguda  grave (Imagem Ilustrativa)
No ano de 2024 ocorreram 426 óbitos por síndrome respiratória aguda grave (Imagem Ilustrativa)

O período seco no Maranhão ocorre entre os meses de junho e dezembro, sendo mais intenso de julho a novembro. Essa época do ano é marcada por chuvas escassas, temperaturas elevadas e baixa umidade no ar. Essas condições despertam preocupação e acendem um alerta para a população quanto ao aumento de doenças respiratórias crônicas.

Embora os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) tenham apresentado queda em 2024 (com 305 óbitos entre janeiro e junho, e 121 entre julho e dezembro), os riscos respiratórios permanecem elevados para indivíduos com doenças respiratórias crônicas. A SRAG é um quadro clínico caracterizado por sintomas como febre, tosse e dificuldade para respirar, e pode ser agravada em períodos de maior secura do ar.

A falta de chuvas, o calor intenso, o ar seco e a maior concentração de poeira e pólen contribuem para o agravamento de problemas respiratórios, especialmente em pessoas com condições pré-existentes, como asma, rinite e bronquite.

Pneumologista fala sobre riscos e cuidados

Para entender melhor a questão, O Imparcial conversou com a pneumologista e professora de Medicina da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Dra. Carla Lisboa, sobre os riscos e os cuidados que devem ser tomados nessa época do ano.

“Durante o período mais seco, o nosso corpo tem a tendência a tentar equilibrar essa dificuldade que o ar apresenta. Então, produzimos mais secreção para tentar umidificar o ar que nós respiramos”, afirmou a médica. Dessa forma, pessoas que já possuem a produção de secreção mais elevada, como os pacientes com problemas pulmonares, como bronquites crônicas ou alergias, serão mais vulneráveis nesse período.

Segundo a professora, que também é Mestra em saúde coletiva, é comum o aumento no número de atendimentos médicos, principalmente por conta das crises em pacientes com doenças respiratórias crônicas. Entre os quadros mais frequentes estão asma, bronquite alérgica, rinite e inflamações nas vias aéreas superiores que podem evoluir para sinusites. “Muitas vezes, esses pacientes chegam com chiado no peito, tosse contínua e dificuldade para respirar, sintomas típicos dessas complicações”, exprimiu, Lisboa.

A especialista explica que fatores como o aumento do pólen no ar, as correntes de vento mais intensas e as queimadas, principalmente em áreas rurais, contribuem para o agravamento desses quadros. “Esse tipo de hábito que a gente vê muito aqui no nosso estado acaba sendo prejudicial para as pessoas que já têm problemas respiratórios”.

Cuidados a serem seguidos
 

Para a pneumologista, a automedicação nunca é recomendada e em muitos casos pode piorar o quadro do indivíduo: “O paciente que apresenta tosse alérgica e tenta se tratar no balcão da farmácia, comprando xaropes caros e ineficazes, pode estar mascarando sinais de um problema mais grave”. E continua: “Tosse, espirro e febre não são doenças, mas sim manifestações do nosso sistema de defesa. É preciso descobrir do que se trata”.

Abaixo os principais cuidados que devem ser observados durante o período seco:


– Pacientes com asma e rinite alérgica devem manter o tratamento regular com as bombinhas de ar;
– Se você tem rinite ou asma e só faz o tratamento quando os sintomas se agravam, passe a usar a medicação regularmente neste momento, antes de os sintomas se agravarem;
– Obtenha a medicação usada em momentos de crise e use-a o mais cedo possível, caso os sintomas respiratórios se iniciem;
– Evite exposição desnecessária. Se precisar sair de casa, use máscara;
– Evite locais com grande concentração de fumaça;
– Quem tiver contato direto com áreas próximas às queimadas, deve procurar atendimento caso apresente sintomas respiratórios como falta de ar, chiado no peito, tonturas e dor de cabeça;
– Beba água, a hidratação é muito importante para as vias aéreas. A atenção deve ser ainda maior com crianças e idosos pelo maior risco de desidratação;
– Se possível, lave o nariz e os olhos com soro fisiológico;
– Você pode usar umidificadores, mas eles precisam ser limpos diariamente para não acumular mofo;
– Use toalhas molhadas e bacias com água, caso não tenha umidificador;
– Suspenda a prática de atividade física ao ar livre nos próximos dias, se estiver em área de queimadas.

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