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Mercado Central: sua história, sua gente

A população de toda cidade se dirigia para suas compras de alimentos in natura, assim como calçados de fabricação artesanal, utensílios domésticos, redes e artesanato.

O Mercado Central tem mais de 160 anos de história na Capital Maranhense. (Foto: Reprodução)

O Mercado Central foi por muito tempo, o principal centro de abastecimento de São Luís. Ali, a população de toda cidade se dirigia para suas compras de alimentos in natura, assim como calçados de fabricação artesanal, utensílios domésticos, redes, produtos do artesanato, confecções, tecidos, artigos de beleza, enfim, uma variedade de produtos de barro como potes, moringas, filtros, alguidares e outros, além da carnes de bovinos e suínos, carne de seca (de sol), pescados diversos e frutas e verduras.

A comercialização destes produtos nunca foi interrompida e na sua área externa se concentram mercearias, joalherias e óticas, lanchonetes, armazéns que vendem cereais por atacado e dezenas de barracas que vendem calçados e redes de algodão. Alguns poucos bares ainda resistem,e outros ainda estão nas lembranças de antigas gerações, destacando-se o “Sputinik”, pertencente ao comerciante Raimundo Reis, conhecido como “Mundiquinho Chapéu Beirudo”.

O Mercado Central sempre foi especializado em produtos artesanais e da culinária maranhense.

Localizado no Centro Histórico, próximo da Fonte das Pedras, ocupando um quadrilátero retangular entre a Rua de São João e o fim da Avenida Magalhães de Almeida, o Mercado Central é gerido pela Prefeitura Municipal.

Histórico: fundado em 1864

Foto: Palê Zuppani

O Mercado Central foi fundado em 1864. Entretanto, o prédio original foi demolido e reconstruído pelo interventor Paulo Ramos, em 1939, através de um programa sanitarista, sendo entregue à população em 12 de maio de 1941. Foi chamado durante muito tempo de Mercado Novo, em razão dessa reconstrução. O lugar também já foi chamado de Largo do Açougue Velho, pela existência de um curtume que tinha vínculo com o curral municipal, na década de 40. No local, já funcionou o antigo gasômetro, que abastecia os postes de iluminação pública de toda região central da cidade.

Existem cerca de 450 estabelecimentos no Mercado Central de São Luís, mantendo direta e indiretamente cerca de mil trabalhadores, gerando renda para quase dois mil e quinhentas pessoas.

O Mercado é bastante procurado pela grande variedade de produtos comercializados. É possível encontrar: frutas e bebidas regionais, doces caseiros, ervas, plantas medicinais, grãos, além de carnes, aves, peixes, mariscos, legumes, hortaliças, artesanato em palha, couro, barro e madeira, gaiolas, vassouras, funis, entre outras coisas.

Há um projeto de reforma do Mercado Central pela Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Agricultura, Pesca e Abastecimento (Semapa), em parceria com o Governo Federal, por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional- IPHAN, através do PAC Cidades Históricas. 

Dentre as propostas, estaria a setorização dos serviços e produtos oferecidos pelos feirantes, dando maior espaço, conforto e mobilidade para vendedores e clientes. A obra estava prevista para ser iniciada em 2017, no entanto, somente agora há a previsão de ser iniciada. Todos os feirantes do Mercado Central terão que sair dos seus pontos. Para isto, está em construção um mercado provisório para obrigá-los, na região da Fonte do Bispo.

Alguns personagens


O Mercado Central tem seus personagens, muitos já falecidos como os comerciantes Fernando Mendes, Zezinho, Francisco Petrus. Aquiles Cutrim Pinto e seu irmão Amadeu Cutrim Pinto, Zé Feio, Claudionor, Rayol, Pantera, que tinham estabelecimentos comerciais na parte externa do mercado.

Entre os feirantes destaca-se Raimundão. Era muito sério e trabalhava com a venda de produtos para o café da manhã, com uma variedade de bolos, cuscuz, beijus, café coado, leite de gado, sucos e mingau de milho. Chegava cedo ao trabalho, montava sua banca com seus produtos sobre uma toalha imaculadamente branca e trajando sempre roupas limpas e um avental branco com folhos cor de rosa nas bordas. Não escondia sua condição de homossexual e não era de brincadeiras nem de deboches. Quando aparecia um gaiato desavisado e debochado, Raimundão tirava o avental com impressionante habilidade e rapidez e partia pra “porrada” com extremada violência. Com o corretivo recebido, o debochado saia de fininho e desmoralizado sob as vaias dos demais feirantes.

O mercado e seus personagens

No Mercado Central ainda se encontram alguns antigos comerciantes e trabalhadores como Teodoro Soares Cutrim, o quinto de uma família de treze filhos. Conhecido como “ Careca das Redes”, Teodoro, tem 67 anos de idade e há 57 anos trabalha no Mercado Central com a venda de redes, utensílios domésticos e uma grande variedade de produtos do nosso artesanato. Careca é um entusiasta pelo seu trabalho e acredita que com a reforma anunciada do Mercado Central, este se tornará um grande centro comercial.

“Careca das Redes” trabalha há 57 anos no mercado

Outro entusiasta é Domingos Carlos Machado, conhecido como “Dominguinhos”, 61 anos,. proprietário do Salão São Bento, a mais antiga barbearia da cidade. Ele nasceu na cidade São Vicente Ferrer e com quarenta dias de nascido veio para São Luís e não mais voltou à sua terra, que disse não conhecer.

Dominguinhos trabalha há 40 anos no Salão São Bento

Dominguinhos começou há quarenta anos a trabalhar no Salão São Bento bem novo, ainda adolescente, como office-boy, mas sempre sonhando em se tornar uma profissional barbeiro, razão pela qual estava sempre atento ao trabalho desenvolvido pelos barbeiros e às orientações do então proprietário do salão, João Pinheiro, um senhor austero e muito elegante, que sempre se vestia muito bem, trajando ternos de linho e gravatas coloridas. Quando chegava ao salão para o trabalho cotidiano, tirava o chapéu de feltro ou panamá, o paletó, arregaçava as mangas da camisa, mas mantinha a gravata. Dominguinhos se manteve office-boy até o dia em que um barbeiro resolveu sair, e então ocupou a vaga e formou uma boa clientela, entre os quais o empresário Rex Maluf que lhe tinha grande estima.

João Pinheiro lhe passou o salão e ele assumiu o compromisso de que, no dia que se decidisse vender o salão, o venderia para Dominguinhos. Rex Maluf faleceu sem cumprir o prometido, mas seus filhos sabiam deste compromisso por ele assumido e venderam para Dominguinhos o Salão São Bento, que ele mantém em plena atividade com outros três barbeiros que ali trabalham. Dominguinhos acredita que, com a reforma a ser realizada, o Mercado Central vai se tornar referência na cidade e orgulho para a população e para quem ali trabalha.

Depois de trabalhar como feirante na parte interna do Mercado Central, o comerciante Sebastião, de 82 anos, transferiu-se para a parte externa e instalou a loja, onde negocia com passarinhos, artigos de artesanato, louças de barro, potes, filtros, moringas e outros, assim como gaiolas e outros. Conforme disse, já se encontra em atividade há cinquenta anos e o seu projeto é continuar na sua atividade até enquanto Deus permitir. Sebastião já passou por perrengues como um incêndio em 1982 que consumiu toda sua loja. “Não baixei a cabeça e com coragem enfrentei a situação começando tudo do zero até me levantar, recuperando tudo que havia perdido, até chegar ao estágio atual”, asseverou Sebastião.

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