Há quase 40 anos, no primeiro dia do ano, as ruas do bairro Madre Deus são tomadas pela batucada inconfundível do bloco alternativo Máquina de Descascar’Alho. E neste dia 1º de janeiro de 2025 não vai ser diferente. O grupo completa 39 anos de carnaval de rua, com o tradicional cortejo carnavalesco que sai da Estação da Máquina, a partir das 16h, e segue pelas ruas do bairro até retornar ao ponto de origem, no Largo do Caroçudo.
Silvério Jr, o Boscotô, músico, produtor cultural e um dos fundadores do grupo, esteve na Rádio O Imparcial para falar sobre o carnaval deste ano.

“Como todo ano, ininterruptamente, fazemos esse evento. Logo no amanhecer a Madre Deus já se mobiliza com os bares se preparando, os vendedores informais, é uma oportunidade de ganho, de gerar a economia. As pessoas começam a chegar na Madre Deus lá pelas 14h, e por volta das 16h subimos no samba fuzileiros. Não estamos mais sozinhos, tem outros blocos que vão com a gente”, disse Boscotô.
Este ano o carnaval da Máquina tem como tema “Resiliência para resistir”. Um pedido de socorro para investimentos no carnaval de rua de São Luís.
A Máquina surgiu no contexto do carnaval dos anos 1980, quando as festas em clubes eram a sensação, e o carnaval de passarela era mais efervescente. Clubes como Lítero, Jaguarema, Casino Maranhense, eram muito frequentados, porém, nem todos tinham acesso. Foi aí que a turma, que queria brincar o carnaval, mas não tinha dinheiro para entrar nos clubes, resolveu encontrar algo para se divertir. Surgiu o Unidos de Última Hora, que saía pela manhã. Cinco anos depois, em 1986, se transformou em Máquina, dando uma ideia de locomotiva, movimento. Juntar o “descascar” com “alho”, foi para dar ideia de algo ardente. E pegou.
“A partir daí, o nome pegou, o grupo também, a gente começou a percorrer as ruas do Centro, teve adesão de muita gente. A Máquina surgiu com esse nome a partir de 1986, surgida com essa carência da gente preencher o carnaval que era muito de passarela e clubes”, explicou Boscotô.
O grupo se consolidou ao longo dos anos, participando de inúmeros cortejos, festivais e shows na cidade, no circuito Centro e periferia da Ilha, como forma de estabelecer sua expressiva veia musical a fim de alcançar o reconhecimento do público em geral.

Hoje a Máquina tem apresentações no carnaval de rua e também com banda de palco. São mais de 30 compositores que emplacam marchas de carnaval, samba, blocos tradicionais, tambores de crioulas, afoxés, que são a base do repertório do grupo, um repertório eclético que inclui a produção dos compositores maranhenses, com deferência às obras imortais dos artistas da terra, chegando às mais diversas agremiações locais, como a Turma do Quinto, Favela do Samba, Não Enxiriza Malandro, Bloco Akomabu, Jegue Folia, Confraria do Copo, Vagabundos do Jegue, Bicho Terra, Fuzileiros da Fuzarca.
A entrevista completa você acompanha no canal do YouTube do Imparcial, no endereço: @tvoimparcial.
Serviço
O quê: Saída da Máquina de Descascar’Alho
Quando: 1º de janeiro, às 14h
Onde: Estação da Máquina, Largo do Caroçudo (Madre Deus)
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Por Patrícia Cunha