ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO

Princesa Isabel: a falsa redentora dos escravos

Muito se fala da abolição da escravatura no Brasil em 13 de maio de 1888, assinada pela princesa Isabel. Mas será se ela merece o mérito todo?

Pintura de François Auguste Biard que retrata abolição da escravatura nas colônias francesas. (Foto: Reprodução)

Muito se fala da abolição da escravatura no Brasil em 13 de maio de 1888, assinada pela princesa Isabel a colocando com uma salvadora dos escravos negros do Brasil, mesmo não garantindo ressarcimento algum para aqueles que por 388 anos foram escravos nas terras brasileiras. Mas será se ela merece o mérito todo?

Princesa condecoração

Princesa Isabel, nascida em 1846, tornou-se herdeira por direito do trono Imperial ainda bebê, após seu irmão mais velho, e primogênito de seu pai D. Pedro II e sua mãe Tereza Cristina, morrer antes dos 2 anos.

Como herdeira de um trono real ela foi criada como mandava as ordenanças reais, muitos limites também, desde os 10 anos tinha uma agenda de aprendizado rígido, quando completou 16 anos iniciou sua carreira política e realizava ações oficiais quando seu pai estava ausente, houve comandos marcantes pela princesa, como a Lei do Ventre Livre, que mantinha livre todos os filhos de escravas nascidos a partir de 28 de setembro de 1871 e quando assinou a lei Áurea em 1888, à registrando pra sempre na história do Brasil.

Processo de abolição

A assinatura da lei áurea foi uma ação rápida de apenas seis dias para votação e assinatura, mas não foi nem de longe um processo rápido, os negros africanos enviados aqui para o Brasil para trabalharem com escravos, lutavam diariamente para conquistarem direitos cívicos, foi uma luta social, política e econômica intensa com inúmeras revoltas, que já estavam deixando os latifundiários atentos.

O Historiador Euges Lima afirma que o fim da escravidão foi produto de resistência de escravizados e republicanos e outros favoráveis que lutaram bravamente. Nomes classes médias como Joaquim Nabuco, Ruy Barbosa e Castro Alves, que em seus versos e missões politicas defendiam o direito de liberdade.

André Rebouças, José do Patrocínio, Luís Gama, Tobias Barreto e entre outros abolicionistas negros, linha de frente a uma sociedade política que não cedia em libertar escravizados, a luta sempre teve representantes fortes, a partir de 1870 já havia clubes abolicionistas que defendiam, lutavam e confrontavam a monarquia que ainda resistiam, em meio a fazendeiros e a elite socioeconômica do Brasil Imperial que não queriam perder a mão de obra escrava.

Mesmo com tantos apoiadores o país foi um dos últimos a abolir a escravidão. Forças internacionais contribuíram para este fato, a partir do século XVIII, com a pretensão de tornar o Brasil Independente, começou a ter brechas para liberdade gradativa dos escravos.

Em 1845 a Lei Bill Aberdenn, permitia que a marinha Britânia  aprisionasse navios traficando escravos em águas internacionais. Em 1850, a lei Eusébio de Queiroz, que abolia definitivamente o tráfico de escravos. Em 1864, houve a guerra do Paraguai, e como não tinha voluntários, os escravos foram obrigados a lutar, somente quando voltavam eram libertados.

Em 1871, a Lei do Ventre Livre que tornava livre os nascidos a partir da data de assinatura. E em1885, lei dos sexagenários, que tornava livre os escravos com mais de 60 anos, indenização aos antigos proprietários.

Até o momento era somente libertações que não implicava em grandes prejuízos para os fazendeiros.

Por fim, em 1888, a Lei Áurea, que tornava livre todos os escravos. Não foi uma atitude somente de Isabel, as pressões internas e externas favoráveis contra a elite que não queriam abdicar dessa mão de obra escrava, mas que, de certa forma, o Brasil estava sendo encaminhado para este momento.

Segundo o Historiador Euges Lima, após a assinatura da abolição de escravidão pela Princesa Isabel do Brasil, houve uma gratidão dos ex-escravos, que viram benevolência nesse gesto e a chamavam de “A redentora”, formando por consequência alguns grupos pró Princesa Isabel.

Benefícios para a coroa portuguesa

Foi realmente uma atitude importante para os escravizados naquele momento, como o pai da Princesa D. Pedro II estava ausente, pareceu uma ação proposta por ela, mas não foi bem assim.

A apresentação da lei áurea e assinatura da Princesa foram ações planejadas desde a primeira participação dela no comando do Império, quando seu pai estava ausente em 1871 e ela assinou a Lei do Ventre Livre. 

A Lei áurea foi mais um dos movimentos que visavam o apoio da  bancada abolicionista no senado e legislativo para o terceiro reinado e assim podiam apoiar a Princesa.

Como seu pai encontrava-se doente, haveria ela de assumir o trono, que acabou não acontecendo pois após a abolição o Brasil tornou-se independente e a Família Real foi expulsa do País. 

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