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Bailarino maranhense é vítima de comentários homofóbicos após vídeo publicado sem permissão

Felipe Froes, que também é coreógrafo e professor de dança, foi ridicularizado após imagens compartilhadas nos perfis de humorista e notícias de São Luís.

Bailarino e coreógrafo, Felipe Froes, desabafa sobre comentários considerados homofóbicos em vídeo. (Foto: Reprodução/Instagram)

Na manhã dessa segunda-feira (20), o bailarino e coreógrafo, Felipe Froes, foi surpreendido negativamente por um vídeo, publicado no Instagram de um influenciador digital e humorista, onde o professor de dança aparece sendo ridicularizado ao ser flagrado fazendo uma coreografia em uma praia da capital maranhense.

No momento em que gravaram Felipe Froes, o bailarino estava gravando um outro vídeo (assista aqui) para sua própria rede social. Nas imagens, pessoas aparecem rindo e comentando de forma maliciosa sobre os movimentos feitos na coreografia interpretada pelo professor de dança.

Além do vídeo ter sido publicado na rede social do influenciador digital e humorista, outras páginas no Instagram publicaram o vídeo. Felipe Froes usou o Story de sua conta na rede social para desabafar sobre os comentários considerados homofóbicos deixados por internautas no vídeo publicado, inclusive, por uma página destinada à notícias de São Luís.

Comentários considerados homofóbicos deixados por internautas em vídeo publicado no Instagram. (Foto: Reprodução/Instagram)

“Eu fico muito triste por conta dessa situação, desse fato, não só por mim, também por outras pessoas que acabam se desacreditando do seu trabalho por conta desse tipo de coisa, ainda mais quando vem de outra pessoa que também é da classe [artística], não é verdade?!”, expressou o Felipe.

“De achar que só porquê é humor, é uma coisa que não vai atingir ninguém, mas, na verdade, não é isso. Têm pessoas que acabam se desacreditando, acabam fazendo até besteira por conta de pequenos fatos, que não são pequenos, como esse”, continuou o bailarino.

“Então, fica aqui o aviso, vamos ver o que realmente isso pode influenciar negativamente na vida das pessoas”, finalizou o coreógrafo.  

O influenciador digital e humorista pediu desculpas à Felipe Froes através do Direct e apagou o vídeo, bem como a página de notícias, que também entrou em contato por mensagem com o bailarino, questionando se ele queria que a publicação fosse excluída. Nenhuma nota de esclarecimento foi divulgada através dos perfis.

Após o ocorrido, outros internautas e amigos de Felipe Froes publicaram mensagens de apoio ao bailarino. A vereadora de São Luís, Silvana Noely, compartilhou uma nota de apoio ao coreógrafo em seu perfil no Instagram.

“Todo meu apoio e solidariedade ao dançarino e amigo Felipe Froes. É inadmissível que algumas pessoas ainda usem sua influência nas redes sociais de forma tão irresponsável e preconceituosa. Lutaremos sempre pelo respeito e contra a homofobia”, escreveu a vereadora.

Igor Farias, presidente da Comissão da Diversidade Sexual e de Gênero da OAB-MA (Ordem dos Advogados do Brasil no Maranhão), afirmou, por meio de nota, que existe uma naturalização e manutenção da heteronormatividade no contexto social que discrimina a população LGBTQIA+ por meio de humor homofóbico, piadas homofóbicas como discursos para manter a heteronormatividade e que estão diretamente ligadas à opressão.

Leia a nota na íntegra:

“Existe uma naturalização e manutenção da heteronormatividade no contexto social que discrimina a população LGBTQIA+ por meio de humor homofóbico, piadas homofóbicas como discursos para manter a heteronormatividade e que estão diretamente ligadas à opressão.

A lgbtfobia, seja ela velada ou expressa, é uma manifestação arbitrária que consiste em qualificar o outro como “contrário”, “inferior” ou “anormal” , sendo este indivíduo (des)qualificado e desta forma colocado em uma condição de “menos humano”. Atos de lgbtfobia se apresentem nas estruturais sócias dominantes( bares, restaurantes, escolas, no trabalho), que causam discriminações e rejeições contra a população lgbtqia+.

Neste sentido, precisamos fomentar e se buscar a construção de espaços sociais mais condignos e diversos, uma vez que a população lgbtqia+ ocupa todos os lugares. É dever de toda sociedade o respeito pelas nossas sexualidades e identidades de gênero.

Lgbtfobia não tem graça. Ao proferir ou repetir piadas lgbtfóbicas, mesmo sem intenção, você contribui para que essa visão seja reforçada. Além de permitir que pessoas realmente preconceituosas reafirmem suas posições de forma confortável, em um clima de conivência.”

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