Reciclagem

A transformação na vida do catador

A Comissão dos Catadores de Materiais Reciclaveis, atua há 20 anos organizando os catadores pelo Brasil afora.

A COOPRESL, que funciona na área Itaqui Bacanga, está em atividade desde 2003 e é, hoje, fonte de renda para cerca de 30 famílias que se beneficiam financeiramente da venda desses materiais. (Foto: Divulgação)

“Amo ser catadora e todos aqui amam o que fazem. Ninguém tem vergonha e também nunca sofri preconceito com isso”, Maria José Castro, 71 anos, tesoureira da Cooperativa de Reciclagem de São Luís, COOPRESL, e que trabalha há 20 anos como catadora de materiais recicláveis”.

Dona Maria José é representante do Maranhão na Comissão Estadual do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), que já atua há 20 anos organizando os catadores e catadoras de materiais recicláveis pelo Brasil afora.

Em São Luís, dona Maria José hoje vê os avanços que a categoria conseguiu ao longo de mais duas décadas e fala com orgulho da transformação que a profissão trouxe não somente para si, mas para centenas de família que tem na catação de resíduos sua fonte de sobrevivência.

“Foi um salto muito grande, antes éramos invisíveis. Até o termo, catador de lixo mudou. Nós nunca fomos catadores de lixo, coletamos materiais que são recicláveis, latinha, ferro, e nossa profissão hoje é valorizada graças a leis, programas, ações de cunho social. Quando nós começamos lá em 2000 ninguém sabia o que era cooperativa, o que era reciclagem, as pessoas não reconheciam nosso trabalho. Achavam que tudo era lixo, que isso não dava dinheiro. Hoje já sabemos que lixo é matéria prima”, disse.

A COOPRESL, que funciona na área Itaqui Bacanga, está em atividade desde 2003 e é, hoje, fonte de renda para cerca de 30 famílias que se beneficiam financeiramente da venda desses materiais. Por mês são recolhidas cerca de 200 toneladas de material.

Na região metropolitana de São Luís, segundo dona Maria José, existem quatro cooperativas organizadas juridicamente, que trabalham com coleta de resíduos sólidos. O trabalho delas inclui a retirada de pessoas do lixão e colocando para trabalhar nos galpões, dando dignidade a elas. Na Ilha são pelo menos 100 catadores cadastrados.

Neste mês de dezembro a categoria recebeu a última parcela do auxílio emergencial que foi concedido pelo governador do estado, para socorrer esses trabalhadores no período da pandemia, no valor de R$ 400,00, o que, segundo dona Maria José, foi uma ajuda e tanto.  

“Vamos ter que negociar com o secretário novamente para saber se vamos continuar recebendo o auxílio, mas por enquanto não temos nada em vista. Hoje a situação da nossa categoria está favorável, melhor do que há 1 ano. A Cooperativa não parou, tem trabalho e material para todo mundo”, disse Maria José.

A vida e a dignidade de volta

“Aqui somos 30 famílias que tiram seu sustento daqui e dependem exclusivamente do trabalho da cooperativa. Tem muitos projetos de pessoas, organizações e empresas nos ajudam com cestas básicas, que olham para a gente com um olhar diferenciado. Eu amo o que faço, amo ser catadora e todos aqui amam o que faz. Ninguém tem vergonha e também nunca sofri preconceito com isso”, disse dona Maria José sobre as pessoas que trabalham na Cooperativa.

Pessoas que antes não tinham nada, não tinham oportunidade de nada, não tinham perspectiva de nada.

“Tem gente aqui que antes de trabalhar como catadora já tinha até tentado se mata, porque não tinha mais esperança de nada. Aqui tem pessoas que passaram anos desempregados, mulheres com filhos pequenos, homens que viviam de bico. Para ser catador a gente faz uma série de exigências legais, documentação, atestados… para você ter ideia, tem gente que fica emocionada porque nunca pensou que um dia pudesse ter um cartão de banco. Isso é se sentir cidadão. É se sentir incluído”, contou Maria José.

A vida de Cleidilene Costa Coelho, de 39 anos, e divide em antes e depois da Cooperativa. Há 8 meses ela está na Cooperativa. Ouviu falar do trabalho e foi lá. Recebeu um voto de confiança e ficou.

“Minha vida hoje está boa, graças a Deus. Foi uma grande vitória na minha vida. Apesar de muitas tribulações que eu passei eu me considero uma vencedora”, disse.

Ela nunca teve emprego na vida. Sempre dependeu da ajuda dos outros, e se virava antes ajudando a mãe. É com esse emprego que ela sustenta os filhos agora.

“Depois que eu entrei aqui eu conheci pessoas que mudaram a minha vida e mudei o meu jeito totalmente para melhor. A gente começa a ver o mundo diferente. Me sinto útil, valorizada, tenho as minhas coisas, o meu dinheiro. Só tenho a agradecer a oportunidade e o acolhimento que tive quando cheguei aqui”, agradece.

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