SEM SOLUÇÃO

Impasse continua e greve dos rodoviários permanece sem solução

Após 6 horas de negociações entre sindicatos e a Prefeitura nesta segunda (25), nenhuma proposta foi aceita

Paralisação de rodoviários continua na capital (Foto: Divulgação)

São Luís vive um momento sem precedentes no transporte público: desde a última quinta-feira (21), motoristas e cobradores estão de braços cruzados, nesta que já a maior greve do transporte público coletivo na capital maranhense. E, de acordo com informações obtidas por O Imparcial, a paralisação deve continuar pelo 6º dia consecutivo.

Uma reunião com mediação do Ministério Público do Trabalho no Maranhão (MPT-MA) estava agendada para esta segunda-feira (25), mas foi realocada após o Prefeito Eduardo Braide (Podemos) declarar que receberia os rodoviários na sede da Prefeitura de São Luís, às 10h.

Atendendo à solicitação, os rodoviários se fizeram presentes em frente ao Palácio de La Ravardière. Depois de mais de seis horas reunidos na sede da Prefeitura de São Luís, os empresários apresentaram uma proposta considerada vergonhosa pelos trabalhadores: 2% de reajuste salarial.

Rodoviários aguardam resultado da reunião da categoria com o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos). (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Eles reivindicam 13% de reajuste salarial, jornada de trabalho de seis horas, ticket alimentação no valor de R$ 800,00, manutenção do plano de saúde e inclusão de um dependente, além da concessão do auxílio creche para trabalhadores com filhos pequenos.

“Desde a manhã, estamos reunidos e mais uma vez, o sentimento é de frustração. O empresários seguem com a intransigência deles, em não oferecer uma proposta digna aos trabalhadores, que atuam na precariedade, arriscando a própria vida, que quando não são ameaçados por criminosos, se expõem a Covid-19″, disse o Presidente do Sindicato dos Rodoviários do Maranhão, Marcelo Brito.

As negociações continuam na sede da Prefeitura até o momento da publicação desta matéria, e novas atualizações serão publicadas por O Imparcial.

Quebra de braço

De acordo com os rodoviários, “a Procuradoria do Município não realizou nenhuma proposta ou tomou qualquer medida que pudesse resolver o impasse definitivamente”, declarou em nota o STTREMA.

Já o Prefeito Eduardo Braide se comprometeu a apresentar até a próxima quinta-feira (28) um “auxílio emergencial”, chamado de Cartão Cidadão, que garantiria passagem gratuita para pessoas que perderam o emprego durante a pandemia da Covid-19, além da contribuição para o sistema de transporte público, com injeção de recursos.

Durante entrevista, Prefeito Braide descartou aumento da passagem. (Foto: Reprodução/Tv Mirante)

O auxílio seria uma forma de substituir o reajuste da tarifa de ônibus na capital maranhense. Até o momento, o valor do auxílio mensalmente dado a cada cidadão, bem como os critérios para o acesso, ainda não foram informados.

Desobediência judicial

Após a paralisação do serviço de transporte coletivo na quinta-feira (21), o desembargador federal do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MA), Francisco José de Carvalho Neto, determinou o imediato retorno das atividades dos rodoviários, e manteve o percentual mínimo de 90% da frota de ônibus em funcionamento, em todas as linhas, sob pena de multa diária de R$ 50 mil.

Os rodoviários tinham até às 23h 59min horas do dia 21 como limite máximo de ajustamento, ficando caracterizada a partir daí desobediência, segundo o TRT. Apesar da decisão ter sido divulgada mesmo antes do início da paralisação, os rodoviários optaram em prosseguir com o movimento grevista.

Negociações mediadas pelo MPT-MA, rodoviários e o SET não chegaram a acerto. (Foto: Reprodução/Redes sociais)

O MPT-MA realizou duas audiências de mediação entre patrões e empregados: uma na sexta-feira (22), e outras duas no último sábado (23), na sede do órgão no bairro Calhau. As negociações não chegaram a uma solução viável, e a greve foi mantida. Para o desembargador José Evandro de Souza, que media as negociações, a greve está trazendo prejuízo a todos.

“Todos estão sendo prejudicados. A população porque tem seu direito de ir e vir prejudicado, as empresas e os trabalhadores. Toda a economia está tendo prejuízo. O consenso é a melhor solução no momento vez que estamos todos buscando uma solução”, afirmou.

Transtornos

Com a paralisação dos ônibus, os usuários do transporte coletivo foram obrigados a buscar outras alternativas para chegar ao seu destino. Entre as opções encontradas pelos passageiros, as mais utilizadas foram o transporte alternativo (vans), viagens por aplicativos e o moto táxi.

Cidadãos tiveram de recorrer a outras opções de transporte. (Foto: Marcos Caldas)

Para Werberth, 48 anos, a ausência dos ônibus causou transtornos. “Precisei pegar uma van, vindo de Paço do lumiar, pelo fato de ser mais barata, moro no bairro de Fatima. Mas é perigoso, tem risco de assaltos, as paradas vazias, enfim”, relata.

Paradas permanecem quase vazias, diante da falta de ônibus. (Foto: Marcos Caldas)
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