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Dica de leitura

Escritora maranhense trata de discriminação e pandemia em romance LGBTQI+

O livro físico foi lançado pela editora Palavras Expressões e Letras(PEL) e o e-book está disponível no site da Amazon.

Gisa Nunes. (Foto: Lucelia Oliveira/Divulgação)

Homotransfobia, medo, pandemia e muita solidariedade estão presentes no romance Apartamento 52, da escritora maranhense Gisa Nunes. A história se desenvolve em um condomínio e revela a luta de seus moradores com seus dramas pessoais e o risco de contaminação pelo novo coronavírus (Covid-19), sem esquecer da amizade e de surpresas que irão movimentar as noites do local. O livro físico foi lançado pela editora Palavras Expressões e Letras(PEL) e o e-book está disponível no site da Amazon.

O romance de Gisa Nunes vem no centro de um debate que há anos se desenrola seja entre grupos de resistência, seja como coadjuvantes nas telenovelas, ou numa literatura marginalizada desde sempre. Quem lembra por exemplo, de Cassandra Rios, a escritora mais censurada na ditadura militar e que se tornou a primeira escritora brasileira a vender 1 milhão de exemplares em 1970, com personagens homoafetivos, superando escritores populares de sua época? Apartamento 52 atingiu no mês de maio, a marca de 180 mil páginas lidas na plataforma digital e está quase esgotado na editora.

“Falar sobre homotransfobia ainda é um tarefa difícil por causa do preconceito. A história trata das dores, dos desafios e desejos humanos mas principalmente das relações de amizade e confronto estabelecidas em virtude da pandemia, o cenário que estimula e desafia os personagens a se superarem”, diz a autora em entrevista ao O Imparcial.

Gisa Nunes é uma das autoras reconhecidas na nova literatura LGBTQI+ com forte engajamento e critica social. Seu livro vai muito além de um romance, além de retratar de forma real o amor levanta questões sociais e políticas extremamente necessárias para o momento.

“Para mim, o mais importante é que as histórias tenham intensidade, mantenham o tom da narrativa sem perder de um personagem ao outro. Por ser um condomínio, há vários núcleos de histórias. É um emaranhando de acontecimentos que tem que fazer sentido para o leitor”, diz ela.

O que chama a atenção no romance de Gisa Nunes é o que ela mesmo chamou de “vários núcleos de narrativas”. As duas personagens principais, Helena e Maya, lésbicas, um homem transsexual, outro casal lésbico, mais velho, sem esquecer de questões políticas atuais, preconceito racial e outros núcleos de personagens héteros e cisgêneros.

“Foi um desafio, trazer tantos personagens e deixá-los se envolverem de alguma maneira. Precisei fazer laboratório, pois reconheço que trato de problemáticas que não são meu lugar de fala, como a transfobia. Traduzi em prosa o que me foi relatado”, explica a autora.

“Não é um romance para ser lido apenas pelo público LGBTQIA+. Precisamos desmistificar isso. Se assim fosse, podemos dizer que histórias com personagens heterossexuais só podem ser lidos por público heterossexual? Claro que não! Literatura é pra todos e pra ser lida”, explica Gisa, que se ressente da discriminação que ainda existe quando se trata do tema. “O mundo abriu os olhos para várias questões que há dez anos eram muito difíceis de se falar, mas estamos longe de enfrentar tudo isso de maneira mais contundente. O Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo. A cada 26 horas morre uma pessoa LGBTQI+ no país. Até quando?”

Jornalista, advogada e professora, este não é o primeiro romance da autora que já publicou crônicas e contos em jornais e sites especializados, além de livros de Direito. Possui outros livros ainda inéditos e deve lançar em julho um romance de época, Rosas Amarelas.

“Eu tive Covid em abril e isso acabou retardando o término da história. Mas pretendo deixá-la disponível em ebook inicialmente na Amazon até meados de julho”, finaliza.

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