RELIGIÃO

Brasileira, Irmã Dulce será proclamada santa pelo Vaticano

Papa Francisco assinou decreto que garante a canonização da beata nascida em Salvador (BA)

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Nesta terça-feira, a igreja católica anunciou que a freira baiana Irmã Dulce será proclamada santa. O comunicado foi emitido após o Papa Francisco ter atribuído um milagre à brasileira. O papa Francisco recebeu em audiência o prefeito da Congregação das Causas do Santos, cardeal Anjo Becciu, na qual autorizou a promulgação do decreto.

O milagre, atribuído à intercessão da Beata Dulce Lopes Pontes (nome de batismo: Maria Rita Lopes de Sousa Brito), conhecida como Irmã Dulce“O Anjo bom da Bahia”, recordada por sua obras de caridade e de assistência aos pobres e necessitados. Religiosa da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, a Beata Irmã Dulce nasceu em Salvador em 26 de maio de 1914.

O processo para o reconhecimento da santidade de Irmã Dulce foi iniciado em janeiro de 2000, quando os restos mortais da freira, que estavam na Igreja da Conceição da Praia, foram transferidos para a Capela do Convento Santo Antônio, na sede das Obras Sociais Irmã Dulce, também em Salvador. 

Quem foi Irmã Dulce

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Maria Rita Lopes de Sousa Brito conhecida como Irmã Dulce, aos 13 anos de idade, a adolescente começou a atender doentes no portão de casa, conhecida mais tarde como ‘A Portaria de São Francisco’, tal a aglomeração de desassistidos.

Em 1933, Irmã Dulce ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, no Convento da Nossa Senhora do Carmo, em São Cristóvão (Sergipe). No mesmo ano, recebeu o hábito e adotou, em homenagem à sua mãe, o nome de Irmã Dulce.

Em 1935, Irmã Dulce iniciou um trabalho assistencial nas comunidades carentes, sobretudo nos Alagados, conjunto de palafitas que se consolidara na parte interna do bairro de Itapagipe. Nessa mesma época, começou a atender também aos operários, criando um posto médico e fundando, em 1936, a União Operária São Francisco – primeira organização operária católica do estado.

Em 1939 ocorreu o fato que definiu o futuro de sua ação social: a invasão de cinco casas, na Ilha dos Ratos, para abrigar doentes que não tinham onde ficar. Dez anos depois, Irmã Dulce ocupou, com autorização da sua superiora, o galinheiro do Convento Santo Antonio (inaugurado dois anos antes), levando para lá 70 doentes. 

A iniciativa deu origem à tradição oral propagada há pelo povo baiano de que a freira construiu o maior hospital da Bahia a partir de um galinheiro. Em 1959, foi estabelecida oficialmente a Associação Obras Sociais Irmã Dulce e, no ano seguinte, inaugurado o Albergue Santo Antônio.

Doentes, albergados, deficientes e órfãos: o trabalho assistencial de Irmã Dulce que respirava com apenas 20% da capacidade pulmonar, atingiu proporções ainda maiores nas três décadas seguintes, sendo definido pela própria freira como “a última porta” a quem recorrem os menos assistidos. 

Irmã Dulce morreu no dia 13 de março de 1992, aos 77 anos, no Convento Santo Antônio, ao lado de seus doentes. O túmulo da freira está na Capela das Relíquias, local para onde seus restos mortais foram transferidos após exumação, em 9 de junho de 2010. A visitação está aberta durante todos os dias, das 7h às 18h. A capela fica no Santuário de Irmã Dulce, na Avenida Dendezeiros do Bonfim (no bairro do Bonfim), em Salvador.

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