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Câncer no estômago: a doença que vitimou Nara Almeida

A ingestão elevada de alimentos defumados, enlatados, com corantes ou conservados em sal pode gerar uma inflamação crônica na camada que reveste o estômago

Nara emocionou muitas pessoas com a sua história de luta. (Foto: Leo Martins/Veja SP)

A morte da modelo e blogueira maranhense Nara Almeida, de 24 anos, vítima de câncer de estômago, comoveu milhares de pessoas nas redes sociais que acompanhavam a luta da jovem contra o câncer. A doença é um caso raro entre jovens, e acomete mais homens, acima dos 50 anos, segundo a  Associação Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed). A reportagem de O Imparcial conversou com o cirurgião oncológico, Osdemar Cassoli, do hospital UDI, para explicar um pouco mais sobre essa doença tão agressiva.

Osdemar Cassoli, cirurgião oncológico. Foto: Arquivo pessoal

O que é o câncer de estômago

A parede do estômago é constituída por três camadas de tecido: a camada mucosa (camada que fica em contato com os alimentos), a camada muscular (camada média), e a camada serosa (externa, a que reveste o estômago). O câncer no estômago ou câncer gástrico é o crescimento de células anormais no órgão e pode ocorrer em qualquer local de sua extensão.

O tipo de câncer mais mais comum é o adenocarcinoma, cerca de 95% dos casos. Esse tipo de se forma na camada mais interna do estômago (mucosa).

Causas e fatores de risco

Segundo Osdemar Cassoli, do hospital UDI, existem dois fatores que podem desencadear o câncer, um deles provavelmente está mais relacionado a alterações genéticas adquiridas ou herdadas, tendendo a manifestar-se em indivíduos mais jovens, exemplo do caso de Nara Almeida.

O outro está relacionado aos fatores ambientais,a má alimentação é um desses fatores. A ingestão elevada de alimentos defumados, enlatados, com corantes ou conservados em sal podem gerar uma inflamação crônica na camada que reveste o estômago.

A invenção da geladeira foi um grande passo para diminuir a incidência de casos desse tipo de câncer. O uso do aparelho doméstico fez com que a população reduzisse o consumo de alimentos defumados, com o uso de muito sal para a conservação de carnes ou com condimentos ricos em nitrosaminas, e passou a ingerir mais alimentos frescos

Além da má alimentação, agentes agressores crônicos, tais como gastrite atrófica causada por infecção crônica relacionada a bactéria Helicobacter pylori (bactéria capaz sobreviver à acidez do suco gástrico, de infectar a mucosa do estômago e causar inflamações), tabagismo, bebida alcoólica, anemia perniciosa (incapacidade de absorver adequadamente a vitamina B12).

Sintomas

De acordo com Osdemar Cassoli, na maioria dos casos iniciais do câncer, os sintomas não são percebidos e associados com qualquer mal estar, a falta de sintomas específicos pode atrasar um diagnóstico crucial em casos iniciais. “A doença apresenta sintomas apenas em estágios mais avançados”, destacou o médico.

  • Dor abdominal intensa recorrente
  • Perda de peso sem motivo aparente
  • Anemia
  • Fezes escurecidas
  • Vômitos com sangue
  • massas abdominais

Risco de morte

O risco de morte por câncer de estômago está intimamente relacionado ao estágio em que a doença é diagnosticada e tratada. Considera-se que a doença está em fase inicial, quando ela acomete a camada superficial do estômago onde o risco de disseminação de células cancerosas para outros locais é menor. Já na fase chamada localmente avançada, o tumor aprofunda-se na parede do estômago, podendo inclusive invadir orgãos próximos (como linfonodos, intestino, pâncreas, fígado, baço), sem no entanto haver acometimento clinicamente evidente de orgãos distantes. Diz-se que a doença é considerada disseminada (ou metastática), quando há evidência de tumor em órgãos distantes do estômago (superfície do peritônio, linfonodos distantes, fígado, pulmões, ovários).

Tratamento

A busca por diagnóstico inicial além de ser  muito importante para a sobrevivência, traz mais eficácia no tratamento. De acordo com Osdemar,  o advento de técnicas cirúrgicas mais avançadas, o  incremento de terapias adjuvantes com quimioterápicos mais eficazes e radioterapia, aumentou a sobrevida dos pacientes com câncer de estômago.

Prevenção

De acordo com o Instituto do Câncer, cerca de 80% a 90% dos cânceres estão associados a fatores ambientais, ou seja, uma manutenção de bons hábitos é essencial. O médico, Osdemar Cassoli, listou algumas práticas importantes. “ Combater o tabagismo e alcoolismo, adquirir hábitos de vida saudáveis com alimentação balanceada, tratar obesidade, evitar ingesta de alimentos defumados e enlatados em excesso, detectar precocemente e erradicar o H. pylori”, enfatizou.

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