ENTREVISTA

Maura Jorge: Conheça a candidata de Bolsonaro no Maranhão

Em entrevista ao jornal O Imparcial, a pré-candidata afirma que ela vê semelhanças com Bolsonaro. Ela garante que os dois, assim como a “grande parte dos brasileiros, têm a coragem para fazer a diferença, nadar contra a corrente”

Em uma eleição que tende a ficar polarizada entre o governador Flávio Dino (PCdoB) e a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), a pré-candidatura de Maura Jorge (PSL) surge como uma via alternativa, que agora terá um elemento a mais: o apoio do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), pré-candidato à presidência da República. E é justamente este apoio de um presidenciável bem colocado nas pesquisas que fortalece o discurso de Maura Jorge para surpreender nas eleições de outubro.

Em entrevista ao jornal O Imparcial, a pré-candidata afirma que ela vê semelhanças com Bolsonaro. Ela garante que os dois, assim como a “grande parte dos brasileiros, têm a coragem para fazer a diferença, nadar contra a corrente”.

“Por mais que analistas políticos e a mídia tentem desqualificá-lo, Bolsonaro continua encabeçando as pesquisas de intenção de voto. E ele consegue isso graças à soberania do povo que não aguenta mais tanta corrupção e se cansou de discursos bonitos e vazios. E nesse ponto nós somos bem parecidos, porque aqui no Maranhão também tentam me desqualificar e diminuir, mas a força do povo e a fé em Deus me mantêm de pé, firme no meu propósito”, pontua.

Sobre a eleição para o governo do estado, Maura Jorge acredita que será uma disputa entre Davi e Golias, mas confia que o povo maranhense “fará a escolha certa desta vez”.
“Eu costumo dizer que estou em uma luta contra gigantes e, para sair vencedora, preciso de alianças. Veja bem: o Flávio Dino tem toda a poderosa máquina do estado à disposição, e não tem economizado em propaganda; Roseana Sarney tem a vantagem de já ter sido eleita governadora em outras oportunidades, o que a fez conhecida em todo o estado. E esses são apenas dois dos pré-candidatos que enfrentaremos. É uma luta de Davi contra Golias”.

O IMPARCIAL – A senhora se considera a “candidata do Bolsonaro” para a disputa do governo do estado?

MAURA JORGE – É verdade que recebemos o apoio do presidenciável Jair Bolsonaro na nossa pré-candidatura ao governo do Maranhão, e o recebemos com muito entusiasmo, porque é um reconhecimento do nosso trabalho ao longo desses 27 anos de vida pública, em que fui deputada estadual e prefeita de Lago da Pedra com mais de 80% de aprovação popular. Trata-se de um importante apoio, visto que vem de um cidadão de conduta ilibada e que encabeça as pesquisas de intenção de voto no cenário nacional. Então, sim, posso afirmar que sou a pré-candidata de Jair Bolsonaro aqui no Maranhão, mas também sou a pré-candidata de milhares de maranhenses que não aguentam mais o desgoverno que se implantou em nosso estado pela atual gestão, com esses impostos abusivos que afetam para pior a vida do maranhense, desde o pequeno vendedor ao grande empresário. É preciso lembrar que mandatos vêm e vão, mas o estado é permanente. Então, precisamos de gestores empenhados em realizar políticas de estado, voltadas para o bem da população e que tenham continuidade, não sejam apenas um modo de se perpetuar no poder.

A senhora defendia a política do Podemos no início de sua pré-candidatura, mas acabou trocando de partido. Por que houve essa mudança?

Continuo defendendo a política que sempre defendi, que é a da gestão transparente e pautada pelos interesses do povo. Foi sempre assim que agi, desde o meu primeiro mandato na Assembleia Legislativa, o que me levou à vice-presidência da Casa do Povo, fato que muito me orgulha. A mudança de legenda se deu por uma conjuntura política, mas mantive as minhas convicções e continuo tendo muito carinho pelo Podemos, que é um partido que ajudei a construir aqui no nosso estado e de onde saí pela porta da frente, de acordo e alinhada com deputado Aluísio Mendes, que entendeu que esse era o melhor caminho. O Podemos continua na nossa base de apoio. Aproveito para saudar os amigos Chico Carvalho, presidente estadual do PSL, e Julian Lemos – o braço direito de Bolsonaro – que me receberam muito bem no partido e já fizeram com que eu me sinta em casa.

O que aproxima a senhora do Bolsonaro, que é considerado um político com diversos posicionamentos polêmicos?

Acredito que não só eu tenha isso em comum com ele, como também grande parte dos brasileiros, que é a coragem para fazer a diferença, nadar contra a corrente. O que vejo por onde passo é que a população acordou e passou a ter um posicionamento mais crítico em relação aos seus políticos, principalmente depois dos incontáveis escândalos revelados nos últimos anos, e isso é ótimo para a nossa democracia. A participação ativa da população permite que nomes que antes poderiam parecer inviáveis, como o de Bolsonaro, surjam como uma real alternativa. Por mais que analistas políticos e a mídia tentem desqualificá-lo, Bolsonaro continua encabeçando as pesquisas de intenção de voto. E ele consegue isso graças à soberania do povo que não aguenta mais tanta corrupção e se cansou de discursos bonitos e vazios. E nesse ponto nós somos bem parecidos, porque aqui no Maranhão também tentam me desqualificar e diminuir, mas a força do povo e a fé em Deus me mantêm de pé, firme no meu propósito.

Essa aproximação será benéfica para sua candidatura ao governo? Como o Bolsonaro pode lhe ajudar a vencer as eleições?

Eu costumo dizer que estou em uma luta contra gigantes e, para sair vencedora, preciso de alianças. Veja bem: o Flávio Dino tem toda a poderosa máquina do estado à disposição, e não tem economizado em propaganda; Roseana Sarney tem a vantagem de já ter sido eleita governadora em outras oportunidades, o que a fez conhecida em todo o estado. E esses são apenas dois dos pré-candidatos que enfrentaremos. É uma luta de Davi contra Golias, mas que enfrento com coragem porque sei que o povo é quem tem a força para decidir.

Após o fim da janela partidária, a senhora saiu tão fortalecida como esperava para ter mais condições de brigar com Dino e com Roseana pelo governo?

Tive importantes conversas com lideranças de todo o estado nas últimas semanas, e graças a Deus conseguimos somar muita gente boa em nosso projeto. Tenho a menor estrutura financeira, e, ao contrário do que possam imaginar, começo a acreditar que é justamente aí que reside a força da minha pré-campanha. Porque isso me dá a certeza de que tenho ao meu lado cidadãos cujo único interesse é o de ver o Maranhão evoluir, com oportunidades iguais para todos, sem revanchismos ou perseguições. Ainda tenho a felicidade de ter a participação ativa da juventude do estado, difundindo nossas ideias por todo o Maranhão.

Qual sua análise sobre os demais pré-candidatos ao governo?

O governador Flávio Dino, com seu pedantismo irremediável, já provou que não governa para todos. Pelo contrário, tem mostrado uma postura cada vez mais autoritária, sem espaço para a oposição e o contraditório. Um exemplo claro disso, dentre tantos, é o que ele fez com os trabalhadores da Polícia Civil, retirando do conselho as entidades de classe – ou seja, retirando os trabalhadores para garantir que o que ele decidir seja lei. Logo ele, que foi eleito pelo Partido Comunista do Brasil, prometendo dar voz aos trabalhadores. Dino traiu os seus eleitores e agora corre contra o tempo investindo em propaganda. Sobre os demais, entendo que o Maranhão dará oportunidade e para a alternância de poder, e não cabe a mim fazer julgamentos. Isso eu deixo para o povo maranhense.

Existe alguma possibilidade de a senhora desistir de sua candidatura?

Nenhuma.

Maura Jorge e Jair Bolsonaro durante evento em Brasília
Foto: ReproduçãComo está a busca por alianças partidárias e políticas ao seu projeto? Quais legendas estão ao seu lado?

Ainda é cedo para falar sobre isso, ainda temos meses pela frente, mas posso garantir que tenho conversado com lideranças de diversos partidos, mostrando o nosso projeto para o Maranhão, e assim fortalecendo nossa pré-candidatura a cada dia.

Muito se fala que a senhora seria uma espécie de “laranja” do grupo Sarney nessa eleição. A senhora se considera uma “laranja”?
Essa afirmação é mentirosa, que foi criada para me desqualificar, já foi rebatida há muito tempo. Nós já provamos que isso não procede, mas ainda assim insistem nela. Eu me pergunto: a quem interessa isso? A mim, com certeza não. Enquanto isso, os jornais e blogs alinhados ao governo fazem questão de disseminá-la, tentando polarizar a disputa ao governo entre Flávio Dino e Roseana Sarney, como se não existisse uma terceira via possível. Mas garanto que falharão porque o povo não se deixa mais manipular. A disseminação dessa mentira também é uma clara tentativa de me desqualificar e diminuir, porque essa é a postura deste governo com o contraditório: a de perseguição.

O que a credencia a acreditar que tem condições de ser a próxima governadora do Maranhão?

Não estou aqui por acaso. Tenho 27 anos de vida pública, com experiência no Executivo e Legislativo. Fui deputada estadual por quatro mandatos, e prefeita de Lago da Pedra por dois, de onde saí com uma aprovação popular superior a 80%. Fui vice-presidente da Assembleia Legislativa, presidente da Comissão de Obras, Serviços Públicos e Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura e Desportos; e também titular de comissões importantes, como as da Previdência, Assistência Social e da Família. Tive participação decisiva no programa “Luz Para Todos”, levando energia aos mais longínquos recantos do nosso estado; lutei pela implantação da Uema em diversas cidades do Maranhão, como Pedreiras, que agora forma todos os anos centenas de profissionais. Fui autora do Projeto de Lei que criou os municípios Araguanã e Lagoa Grande do Maranhão, levando mais desenvolvimento para aquela localidade. Conheço muito bem o nosso estado e sua gente, e é só conhecendo a realidade de um povo que podemos transformá-la para melhor. Seria muito bom se, assim como eu, todos os pré-candidatos vivenciassem o dia a dia do povo do nosso estado, vendo de perto seus anseios. Tenho certeza que se tornariam mais sensíveis às causas do povo.

Nas propagandas do atual governo, o Maranhão está em constante avanço em diversas áreas como educação e saúde. A senhora tem essa mesma sensação sobre estas políticas públicas?

Não é preciso ir muito longe para perceber que o Maranhão da propaganda do governo é um, e o da realidade, do dia a dia, é outro. Por mais que o atual governo tente maquiar, as estatísticas não mentem. De acordo com o Ministério da Educação, em uma pesquisa divulgada em março de 2018, o Maranhão é o pior estado do Brasil no ranking de avaliação de escrita das crianças brasileiras. Somente 59% das nossas crianças possuem boa escrita, e sete em cada 10 crianças alcançaram somente os níveis 1 e 2, que são considerados os piores no que diz respeito a leitura. Também somos um dos piores estados em relação a aprendizagem de alunos do terceiro ano do ensino fundamental. 77% das crianças são capazes de ler as palavras, mas não entendem textos longos. Entre as quatro piores escolas avaliadas no Enem em 2016, três eram do Maranhão. Então dá para perceber claramente que o que vemos nas propagandas de TV do governo não condiz, nem de longe, com a realidade. O mesmo acontece no campo da saúde e do desenvolvimento social. No Índice dos Desafios da Gestão Estadual, o Maranhão aparece como pior estado para se viver no Brasil, com queda nos índices de desenvolvimento social. São dados alarmantes que o atual governo tenta manipular.

Dino e Roseana são os principais nomes da eleição para o governo. Comparando as gestões dos dois, a senhora vê diferenças entre eles na forma de governar?

Acredito que “principais nomes” não seja o modo mais correto de defini-los. São, sim, os mais conhecidos. Mas o povo pede uma alternativa, e é importante que saiba que existem nomes qualificados para ocupar o Palácio dos Leões fora desta polarização Dino e Roseana. É o povo quem vai nos julgar a todos. E eu confio que ele fará a escolha certa desta vez.

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