UMA BUSCA

Conheça a história de Vanusa: a técnica que sonha reencontrar a família

Há anos ela tenta entender o que houve com sua família biológica. O sonho dela é reunir a família em que foi gerada com a família que a formou

Foto: Arquivo Pessoal/ Vanusa

Há milhares de pessoas no mundo neste momento querendo encontrar ou reencontrar alguém. Basta uma rápida busca na internet para ver anúncios e postagens de pessoas que buscam contatos de pai, mãe, irmãos, um familiar que seja, para tentar ter a própria história de volta, restabelecer os laços fraternos perdidos na infância e compreender o que houve para que a família tivesse tido aquela situação. Alguns conseguem ter um final feliz, outros continuam a busca.

“Procuro por meu tio que foi embora com destino ao Maranhão há 33 anos. Só sei que o nome dele é José Ribeiro, filho de Angélica e Antônio. Ele residia em Itumbiara-GO”, Sueli Pereira(GO).

Como o anúncio de Sueli, encontramos o apelo de Vanusa, técnica em enfermagem, 39 anos. Há anos ela tenta entender o que houve com sua família. Há anos ela tenta reencontrar seus familiares. Reunir a família em que foi gerada com a família que formou. Já pensou que você tem pai, mãe, irmãos, mas não sabe por onde eles andam?

“Olá, me chamo Vanusa, moro em São Luís-MA. Há muitos anos morei em Santa Inês-MA com meus pais, Antônio José e Alzelina. Tenho 4 irmãos: Reginaldo Farias dos Santos, Célio, Toninho e Núbia. Meus pais se separaram, e minha mãe, por falta de condições financeiras, deu todos os filhos…”

Essa postagem (colocamos apenas um trecho) foi recebida por um aplicativo de mensagens. Vanusa, embora muito satisfeita com a família que formou – hoje ela é casada e tem 4 filhos -, quer juntar o pedaço que está faltando. Durante todo o tempo que estivemos conversando, ela parava para chorar. A lembrança de uma infância sofrida e a vontade de que tudo tivesse sido diferente a faz ficar muito triste. Uma tristeza que, segundo ela, só será apagada quando conseguir rever os parentes. “Ao mesmo tempo em que penso que tudo poderia ter sido diferente…” (pausa). “Desculpe, fico muito emocionada. Penso que se não tivesse sido assim, eu não teria formado essa família que tenho hoje. Mas falta um pedaço de mim, falta a minha história”, diz Vanusa.

A técnica em enfermagem tem uma vaga lembrança da infância. Ela é de Santa Inês. Na época em que tinha 6 anos, o pai saiu de casa deixando ela, a mãe e os quatro irmãos em uma condição financeira bem precária. Ela diz que acha que a mãe trabalhava em uma lanchonete. Passava o dia inteiro fora e retornava à noite com pastéis para eles jantarem. “Nós ficávamos muito tempo sozinhos. Às vezes, íamos pra rua pedir dinheiro. Era uma situação bem difícil”, lembra Vanusa.

Mas, não aguentando muito aquela situação, a mãe resolveu que daria os filhos. E Vanusa foi entregue ao casal Gorete e Edilson, que já tinham um filho menor, o Neto. Morando ali com aquela família e sem ter noção de onde estava, ela descobriu dias depois que a casa em que estava era a mesma da casa da mãe. “Aí toda vez que eu passava eu olhava pra ver se ela (a mãe) estava lá. Mas a casa vivia fechada. Ela já tinha ido embora. Também não sei que rumo tomaram os meus irmãos. Eu era muito pequena, mas acho que tinha dois irmãos menores que eu e dois mais velhos”, acredita.

Edilson era açougueiro e, pouco tempo depois, ele se mudou da rua onde morava e, segundo Vanusa, foi para perto de um rio, que talvez fosse o Rio Pindaré. “Eu era uma criança de mais ou menos uns 7 anos e não lembro de muita coisa. Não lembro nome de rua ou bairro. Certo é que não demorei muito tempo com eles. O seu Edilson me entregou para um Comissário de Menores, que era quem ficava com crianças que não tinham lar. Depois disso, não tive mais notícia dele”, diz.

O comissário era seu Cícero, que, junto com a esposa, morava no Centro de Santa Inês e abrigava algumas crianças até que fossem “adotadas” por alguém. “Daí apareceu um senhor chamado César, que era funcionário do IBGE, e ele se afeiçoou a mim. Perguntou se eu queria ir para São Luís, e eu respondi na mesma hora que sim”, conta Vanusa.

Uma vez em São Luís, Vanusa foi morar com César, a esposa e a família dele. Depois morou um tempo com a mãe de César, mas voltou a morar na casa dele de novo, até que aos 15 anos saiu para ir trabalhar na casa de uma família. E foi assim, trabalhando de dia como empregada doméstica e estudando à noite, que conseguiu terminar o ensino médio. Hoje, casada, com 4 filhos e técnica de enfermagem, quer reencontrar a família.

Foto: Arquivo Pessoal/ Vanusa

“Eu sofro muito. Eu sofri muito. Às vezes não gosto de lembrar de tudo que passei. Não gosto de falar. Foi muito sofrido. Só peço a quem souber dessas pessoas que falei, que entre em contato comigo. Há 6 anos uma amiga foi pra Santa Inês e conseguiu falar com o seu Edilson, disse que o Reginaldo havia trabalhado pra ele, mas não tinha mais notícia. E é isso, eu quero ter notícia deles porque só assim vou me sentir completa. Quero mostrar a minha família, conhecer as dos meus irmãos, enfim, retomar o contato com eles”, garante Vanusa.

Vanusa diz que não se mobilizou antes para procurar a família porque não sabia como fazer. E agora, depois de adulta, não tem condições financeiras de ir para Santa Inês, por isso, recorre à mídia e às redes sociais para conseguir seu objetivo.

“O meu nome é Vanusa dos Santos de Lima, nome de casada. Não tenho registro de nascimento, mas meu nome de batismo era Vanusa Faria dos Santos. Só que quando o seu Edilson foi me registrar, ele colocou Vanusa Ferreira dos Santos, com a data de nascimento de 19 de maio de 1978, mas não tenho certeza se essa é data correta”, ressalta. Quem conhecer a história de Vanusa e da família dela pode entrar em contato pelos fones: 98 98605-0345 (whatsapp) ou 98 98108-7804.

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