ENTREVISTA

Para Juscelino Filho, não há risco de aliança com Dino não vingar

Em entrevista a O Imparcial, o presidente estadual do Democratas no Maranhão fala sobre o risco de a aliança com Flávio Dino não vingar. Juscelino Filho revela que apenas um não cumprimento do acordo por parte do governador mudará o cenário construído até aqui

Foto: Reprodução

Ao ser confirmado para mais um mandato à frente do Diretório Estadual do Democratas no Maranhão, o deputado federal Juscelino Filho (DEM) mostrou que conta com total apoio da nova Direção Nacional, comandada pelo prefeito de Salvador, ACM Neto. Com a consolidação de Juscelino Filho à frente da legenda no estado, a aliança entre o DEM e o PCdoB está mais forte do que nunca. Apesar de terem ideologias distintas, tudo está apalavrado até o momento e tem tudo para ser assim até as eleições, a não ser, é claro, que a palavra dada pelo governador Flávio Dino (PCdoB) de que o DEM estará em sua chapa majoritária não se cumpra na prática.

A força do acordo entre DEM e PCdoB depende, basicamente, do que será dado pela base dinista. Em balloon a O Imparcial, o presidente estadual do Democratas no Maranhão fala sobre o risco de a aliança com Flávio Dino não vingar. Apesar de não demonstrar preocupação com o poder de barganha de sua legenda para conseguir um lugar na tão sonhada chapa majoritária, Juscelino Filho revela que apenas um não cumprimento do acordo por parte do governador mudará o cenário construído até aqui.

“O risco que pode acontecer é somente se o governador não cumprir os acordos, não cumprir o que tem acertado com o partido no estado. Essa aliança é atípica e talvez seja a única no Brasil, mas aqui, no Maranhão, nós optamos por essa aliança, não por ideologia, mas porque entendemos que é o melhor para o estado nesse momento”, explicou.

Questionado sobre a situação do deputado federal José Reinaldo (sem partido), que já anunciou seu rompimento com o governador Flávio Dino e, apesar disso, tentava articular sua entrada no DEM para viabilizar sua candidatura ao Senado, Juscelino Filho é categórico ao fechar as portas da legenda para o ex-governador.

Segundo o presidente estadual do DEM, se José Reinaldo tivesse esperado o momento certo e se filiado ao Democratas, seria o escolhido para concorrer ao Senado. Mas, ao invés disso, o ex-governador conseguiu apenas criar um mal-estar dentro do partido.
“Agora não tem mais chance não. Pelo posicionamento político que ele decidiu tomar, no momento que rompeu com o governador Flávio Dino, sem procurar o partido para conversar, sem nos procurar e, depois daquilo, ele ainda fez movimento de construir uma candidatura com o (Eduardo) Braide (PMN) e ainda quis levar o partido para lá. Então, pelo que ele fez, não temos hoje como aceitá-lo aqui no partido”, concluiu.

O Imparcial O que esperar do DEM nesse seu novo mandato?Juscelino Filho Nosso objetivo é o de dar continuidade ao trabalho de fortalecimento do partido que nós já vínhamos fazendo. Todos sabem o que representava o Democratas no Maranhão antes da nossa entrada e a gente vem se dedicando a trabalhar o partido nos municípios, trazer novas lideranças, prefeitos, vereadores, ter uma bancada expressiva na Assembleia, que aumentou nos últimos dias com as filiações dos deputados Neto Evangelista e Rogério Cafeteira. Nosso objetivo é o de dar continuidade a esse fortalecimento para que o Democratas seja protagonista agora em 2018 e volte a ser novamente um dos maiores partidos do Maranhão.
O Imparcial O que é realmente preciso ao DEM se tornar protagonista em 2018?Juscelino Filho Para conseguir esse objetivo, é sair com êxito das eleições e participando ativamente dela, tanto elegendo uma boa bancada estadual para ter representatividade na Assembleia Legislativa, e também tentar ampliar a nossa bancada federal. Hoje, nós temos um parlamentar que sou eu e estamos querendo fazer pelo menos dois deputados federais. Fora isso, é participar da eleição majoritária. Estamos conversando com o governador Flávio Dino. Hoje somos aliados do governo, o Democratas participa do governo, tem uma aliança política para 2018 com o projeto de reeleição dele e, nessas conversas, a gente sempre pauta a participação do Democratas na chapa majoritária que irá disputar a eleição.
O Imparcial Após a mudança do Diretório Nacional do DEM, essa aliança com o PCdoB no Maranhão corre algum risco de não acontecer?Juscelino Filho O risco que pode acontecer é somente se o governador não cumprir os acordos, não cumprir o que tem acertado com o partido no estado. A Direção Nacional, tanto a anterior como essa nova direção com o presidente ACM Neto, que é um amigo, um político jovem da minha geração, tem nos dado total autonomia nessa condução, assim como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Esse foi o acordo desde a minha entrada e vem sempre mantendo esse posicionamento de deixar que a gente conduza esse processo aqui no estado. Claro que é bem atípica essa aliança com o PCdoB. Se for olhar por uma óptica ideológica, essa aliança é atípica e talvez seja a única no Brasil, mas aqui no Maranhão nós optamos por essa aliança não por ideologia, mas porque entendemos que é o melhor para o estado nesse momento. O governador vem fazendo um governo de aprovação da maioria da população. Em prol do Maranhão, nós estamos deixando a ideologia de lado.
O Imparcial Que acordos foram feitos com o governador?Juscelino Filho A Direção Nacional sempre colocou que o governador tratasse com partido no estado. E a gente vem conversando desde o ano passado com o governador e ele demonstrando interesse no diálogo de construir com o Democratas essa aliança no Maranhão. Convidou o Democratas para participar do governo e passamos a incorporar e ajudar o governo. Paralelamente a isso, a gente construiu uma aliança política na qual envolve deputados estaduais que vão para reeleição, federais e também a participação do partido na chapa, que estamos discutindo como é que vamos consolidar isso. Isso tudo são frutos de conversas políticas de acordos que giraram em torno dessa aliança com o PCdoB.
O Imparcial O DEM quer indicar o vice ou um senador?Juscelino Filho Tudo pode acontecer até as convenções. Nós temos menos de quatro meses para as convenções e acredito que agora, quando a janela partidária se fecha, a lista vira uma página e aí todo mundo acomodado nos seus partidos, começam a equacionar da melhor forma possível como é que a chapa vai ser fechada. Não está definido se vai ser Senado, vice, quem vai ser, quem não vai ser. A gente não está querendo antecipar até porque vamos aguardar como os outros times vão se colocar no jogo. Estou bem tranquilo, sem nenhuma preferência. A gente é da construção e vamos construir isso dialogando com o governador e com todos os partidos que fazem parte dessa aliança.
O Imparcial Após os últimos acontecimentos, as portas do DEM estão fechadas para o deputado José Reinaldo?Juscelino Filho Agora não tem mais chance não. Pelo posicionamento político que ele decidiu tomar no momento que rompeu com o governador Flávio Dino, sem procurar o partido para conversar, sem nos procurar e, depois daquilo ele ainda fez movimento de construir uma candidatura com o [Eduardo] Braide e ainda quis levar o partido para lá. Então, pelo que ele fez não temos hoje como aceitá-lo aqui no partido. Ele tem todo o direito de disputar a eleição, mas não pelo Democratas. Hoje temos um lado e pretendemos continuar nessa aliança porque entendemos ser o melhor para o nosso estado e onde o partido tem mais condições de sair vencedor.
O Imparcial A postura do José Reinaldo causou mal-estar no DEM?Juscelino Filho Natural que criou um mal-estar aqui e lá [no Diretório Nacional]. Primeiro, quando ele pensou em vir para o DEM, eu fui consultado pela Direção Nacional para saber se ele poderia vir para o partido ou se teria algum problema para mim. Eu, de imediato, disse para recebê-lo por sua história e que, ele vindo, ele seria a nossa opção para o Senado. E dali em diante eu comecei a trabalhar junto ao governador sobre essa questão. Acredito que se ele viesse e nada disso tivesse acontecido, não tenho dúvidas de que ele seria o senador. Mas não sei o motivo, não sei se foi por falta de paciência. Não só eu, mas a classe política do Maranhão foi surpreendida com aquele ato dele de rompimento. E dali por diante ele começou a causar mal-estar aqui no estado e lá porque ele fez movimentos querendo romper e queria levar o partido junto. E um partido em que ele não era filiado. E aí, nesse momento, ele começou a gerar constrangimento aqui e em Brasília.
O Imparcial De alguma forma essa situação interferiu na aliança do DEM com Dino?Juscelino Filho Não. Sempre temos conversado com o governador e está tudo tranquilo. A aliança está da mesma forma.
O Imparcial As novas filiações dão uma “casca” mais resistente ao DEM?Juscelino Filho Com certeza. São grandes quadros da política do Maranhão que nós recebemos, alguns vindo do PSDB. Sabemos o que aconteceu com o PSDB no estado e, naturalmente, muitos não quiseram permanecer lá. São prefeitos de cidades importantes como de São José de Ribamar, Santa Inês, além dos deputados estaduais Neto Evangelista e Rogério Cafeteira e do secretário Felipe Camarão, que é um político jovem e com um futuro brilhante pela frente e que tenho certeza de que vai representar muito bem o nosso partido onde estiver atuando.
O Imparcial Qual o projeto do DEM para Felipe Camarão? Seria indicá-lo como vice de Dino ou como deputado?Juscelino Filho O Felipe é um quadro para qualquer posição que você acabou de colocar, mas não tratamos dele participar das eleições desse ano. Até o momento, o que está desenhado é que continue na Secretaria de Educação, mas claro que ele é um quadro que o partido confia para futuro. E se vier a mudar com alguma conversa para participar da eleição desse ano, seja qual for ela, ele tem prazo para sair do cargo. Até o momento, não tem nada nesse sentido, mas até o dia 7 [de abril], vamos aguardar.
O Imparcial O DEM trabalha com mais filiações nos próximos dias?Juscelino Filho Sim, temos trabalhado com outras filiações. Talvez a gente receba mais um deputado estadual, alguns pré-candidatos a deputados estaduais. Queremos montar um time forte para ir à Assembleia. Temos ainda filiações de alguns candidatos fortes para deputado federal e alguns prefeitos dissidentes do PSDB.
O Imparcial Como o senhor avalia essa pré-candidatura do Rodrigo Maia para a presidência da República?Juscelino Filho Acho que ele fez certo. É um cara que tem tamanho em Brasília para fazer movimento. O Democratas hoje, de certa forma, tem uma credibilidade com a população. E o Rodrigo tem chances. Com a possível não candidatura do ex-presidente Lula, fica um vácuo gigante e ele é um cara do diálogo, um cara da conversa, que busca construir com os partidos uma aliança com o discurso de unificar para poder resolver os problemas do país. Nada de radicalismo. Agora é hora de unir forças e arrumar o Brasil para o futuro. Estou muito animado com o nome dele. Ele já começou a andar pelo Brasil e, no mês de abril, ele deve vir aqui ao Maranhão, onde vamos fazer um grande ato político para ele.

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