ELEIÇÕES

Flávio Dino diz que pleito com Roseana é mais simples

Governador manifestou interesse em comparar, durante eleição, seu governo aos 14 anos em que Roseana Sarney (MDB) esteve no Palácio dos Leões. Para Dino, seria “algo bem mais simples”

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Tudo indica que a eleição de 2018 tem tudo para entrar para história do Maranhão. Enquanto o governador Flávio Dino (PCdoB) busca se consolidar no poder sendo reeleito, a oposição aposta em Roseana Sarney para desbancar Dino e, consequentemente, voltar a comandar o estado por mais quatro anos. O tão aguardado embate nas urnas é o sonho, inclusive, de Flávio Dino. Em entrevista à TV Difusora, o governador falou abertamente sobre o pleito de outubro e desejou comparar, durante a eleição deste ano, o seu governo aos 14 anos em que Roseana Sarney (MDB) esteve no Palácio dos Leões. Para Dino, seria “algo bem mais simples” na luta voto a voto com a ex-governadora.

A afirmação do governador demonstra claramente que derrotar o principal nome do Grupo Sarney é o que ele quer. Mesmo que não seja Roseana a sua principal adversário em outubro, Flávio Dino garante estar pronto para qualquer tipo de rival. Após muita especulação, a ex-governadora já declarou ser pré-candidata ao governo mesmo havendo, nos bastidores, certa preocupação por parte da oposição sobre o resultado da eleição.

Independentemente se Roseana estará no pleito ou não, o governador diz estar pronto para a disputa. “A gente não escala adversário, não escolhe adversário. Isso compete a eles [Grupo Sarney]. O certo é que o Grupo Sarney, que é um grupo tradicional do estado, deve apresentar um candidato, um conjunto de candidatos, ou um grupo – quem sabe – para tentar retomar o governo. Estamos preparados para essa disputa. Sendo a ex-governadora Roseana Sarney, vai ficar algo bem mais simples você comparar os 14 anos de governo dela com os três anos nossos e mostrar exatamente os resultados administrativos, políticos, mostrar a conjuntura de cada um, mostrar que eles, no tempo da bonança, no tempo das vacas gordas, não souberam aproveitar. E como nós, que pegamos um tempo com tantas dificuldades, estamos mostrando tantos resultados”, afirmou Dino durante a entrevista.

Em referência clara ao recente episódio ocorrido durante a entrega de um trecho da BR-135, quando o senador João Alberto (MDB) tentou interromper o discurso do governador com xingamentos, Flávio Dino garantiu que, apesar, da iminente polarização com a ex-governadora Roseana Sarney na eleição deste ano, deseja um pleito sem “baixaria”.

“Estamos preparados para o debate democrático. O que não queremos é que a eleição seja marcada por baixaria, por agressividade, como infelizmente temos visto. Desejamos que a disputa seja séria”, disse o governador.

Chapa majoritária

Dino também comentou sobre a composição de sua chapa majoritária em 2018. A menos de um ano do pleito de outubro, o govenador está longe de por um fim nas indefinições que o cercam. Até agora, apenas o deputado federal Weverton Rocha (PDT) possui o apoio explícito do Palácio dos Leões para concorrer ao Senado. O discurso de Dino e de sua base é que Rocha foi o único pré-candidato que já construiu uma candidatura. Enquanto isso, outros políticos seguem na “batalha” pelo “sim” do governador.

Na questão sobre o segundo nome para o Senado, Flávio Dino mantém mistério. “A gente tem que ter sabedoria para compreender que os frutos na árvore têm o tempo de colheita, o tempo de amadurecimento. Em relação à segunda vaga ao Senado ainda não chegamos a esse entendimento amplo. Tem muita gente boa, muitas pessoas credenciadas por sua história. E nós vamos fazendo a mediação, eu mesmo fazendo as consultas. Até o momento da filiação partidária, quem sabe, a gente já tenha essa definição”, revelou Dino, sem demonstrar nenhum tipo de pressa pela definição de sua chapa majoritária.

A declaração do governador é compreensível. Ele não quer cometer o mesmo erro de quando apoiou a eleição do senador Roberto Rocha (PSDB) e viu a aliança ruir logo depois. Inclusive, Roberto Rocha é agora pré-candidato ao governo para ocupar o cargo de Dino. Para evitar uma nova “traição” – como os próprios comunistas adjetivam a situação descrita –, o governador vai analisar todas as possibilidades com bastante calma.

Já sobre a situação de Carlos Brandão, atual vice-governador, Flávio Dino reafirmou seu desejo pela manutenção de seu vice. “O nosso desejo é esse. Eu já externei isso publicamente. O vice-governador Carlos Brandão tem sido um homem sério, leal, correto e tem me substituído nas interinidades breves e participado de centenas de eventos nacionais e internacionais representando o governo sempre com muita dedicação. Então, o meu desejo é que ele continue nessa importante missão”, analisou.

Um detalhe importante neste cenário político é a presença do DEM na questão. O Democratas fechou aliança com o PCdoB para, em trocar, compor a chapa majoritária de 2018. Em entrevista a O Imparcial, o presidente estadual do DEM, deputado Juscelino Filho, deixou claro que esse foi o acordo firmado. “O partido vai estar na chapa majoritária. Agora, com quem e aonde, tudo tem sua hora. Só vamos decidir no momento certo”, disse.

Governador destaca avanços

O governador aproveitou para destacar as ações de seu governo nos últimos três anos. De acordo com Dino, são visíveis os avanços em qualquer área, principalmente no que diz respeito à educação. Para o governador, 2018 será um ano de muitos desafios, mas de muita esperança para a população maranhense devido a continuidade das ações governamentais.

“Evidente que em três anos de governo, depois das mazelas e do caos que nós encontramos, é preciso ter continuidade para que possamos evoluir ainda mais. Temos no âmbito do programa Mais IDH uma série de ações nesses municípios historicamente abandonados do Maranhão. Mas, se tivesse que escolher uma de fato, eu escolheria toda a política educacional. Acho que é o mais forte do nosso governo, porque vai desde as criancinhas. Quando a gente substitui uma escola de taipa, é sempre comovente ver os meninos com seus professores abrindo uma perspectiva nova. Se tivesse que escolher um, escolheria esse conjunto da educação”, afirmou.

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