SAÚDE

Síndrome inspirou obra literária original de Extraordinário

Se já assistiu ao filme Extraordinário, com certeza o nome não é tão estranho assim. A autora da obra literária original, R.J. Palacio, se inspirou em uma síndrome real para criar o personagem.

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Você já ouviu falar na Síndrome de Treacher Collins? Se já assistiu ao filme Extraordinário, com certeza o nome não é tão estranho assim. A história vem mexendo com o coração de todo mundo ao retratar o pequeno Auggie Pullman, um garoto que nasceu com uma deformação facial e que enfrenta muitos dilemas do crescimento e de aceitação por ser diferente das outras crianças. E para tornar tudo ainda mais tocante, a autora da obra literária original, R.J. Palacio, se inspirou em uma síndrome real para criar o personagem.

O longa emociona por sua delicadeza ao tratar de temas duros, principalmente entre as crianças: o bullying e a aceitação das diferenças. Se fosse para separar temas e debater por aqui, talvez teríamos vários, mas separamos dois que nos chamaram atenção. Primeiro, a síndrome, que até então era pouco comentada e, segundo, a relação de pais e filhos, quando se precisa cuidar de uma das crianças e termina esquecendo que o outro na família também é importante.

É forte, envolvente e observamos quanto o dia a dia de uma pessoa pode ser complicado, mas, ao mesmo tempo, afirmamos que todo mundo tem problema, seja ele quem for.

A história de Auggie Pulmann (Jacob Tremblay), um menino que tem uma deformidade facial causada pela Síndrome de Treacher Collins e enfrenta seu primeiro dia de aula, no entanto, não se resume a isso: ao longo da trama, o público se vê diante de pequenas lições sobre amizade.

Auggie precisa lidar com muitas dificuldades ao se abrir para o mundo, mas, ao lado de novos e diferentes amigos e de sua família, descobre que a vida pode ser menos difícil quando se tem em que se apoiar e vínculos de amor.

Todo mundo tem problemas

A trajetória de Auggie é o eixo central da história. Mas um dos trunfos do filme – ainda mais explorado no livro – é dar atenção às pessoas ao seu redor, para mostrar que todo mundo tem problemas, grandes ou pequenos. E que esses problemas causam ainda mais sofrimento na infância e adolescência.

Há, por exemplo, o drama de Olivia (Izabela Vidovic, muito bem no papel), irmã solitária do protagonista, que sempre perdeu para ele a atenção dos pais. Segundo a psicóloga Evelyn Lindholm, no livro e filme Extraordinário, fica clara a negligência com o filho “não problemático”, até mesmo quando não se trata de questões de saúde. “É muito comum, pois focamos no problema a resolver, deixando de lado aquilo que está aparentemente resolvido, temos como resultado a isso ou um excesso de “bom comportamento” da outra parte, ou uma revolta funcional que pode gerar variáveis desastrosas. Nem sempre conseguimos agir como a irmã do Augie, sendo complacente e ainda amorosa com ele, podemos ter alguém agressivo e rancoroso, mesmo sem demostrar (ou até mesmo demonstrando), só aguardando o outro se prejudicar de alguma forma, ou até mesmo morrer (como em caso de alguma condição de saúde grave) ”, comenta a especialista.

Outro ponto que a psicóloga destaca são as brechas emocionais deixadas pelos pais, o que é muito frequente no dia a dia. “Vi o filme e li o livro. No livro, fica mais evidente esse sentimento de solidão e abandono por parte da filha; no filme, eles compensaram isso dando rapidamente a ela um namorado, o que traz uma falsa sensação compensatória de amor, porque apesar dessa troca ser feita comumente, a falta da relação próxima, efetiva e afetiva dos pais ainda permanece, deixando algumas brechas emocionais para o sofrimento”, assinala.

Mas não é para menos: é quase impossível passar ileso pela história e não se envolver. Há problemas e muitos, mas o filme transmite uma poderosa (e necessária) mensagem de otimismo e gentileza. E também aquela lição de moral perfeita para terminar 2017 de coração tranquilo.

Cuidar e amar para não se afastar 

A psicóloga destaca que nessa tarefa de divisão de cuidados e auxílio a uma criança com necessidades diferenciadas é sempre importante conversar com a outra criança, deixá-la a par da condição e dos cuidados que estão sendo desprendidos, permitir e até incentivar que ajude nestes cuidados. “Sem o obrigar a isso, deixando claro o amor que sentem por aquela que não requer cuidados especiais, além disso, sempre que possível usar das mesmas regras e limites de conduta, pois a permissividade com uma e a postura mais rígida com a outra pode ser confundida com falta de afeto e isso pode gerar sentimentos de inadequação, isolamento e desafeto. Outra questão importante é notar que, mesmo que uma das crianças requeira mais cuidados e tempo de dedicação, no momento em que se direcionar a estar com a outra que isso seja feito tendo em visto a qualidade deste período, ou seja, não é a quantidade de tempo que dedicará a essa atenção, mas o seu foco quando o fizer, desligue-se um pouco e olhe com carinho, cuidado, zelo e paciência àquela que pode ter sido negligenciada, fique ao lado, faça algo que esta criança goste, abrace, beije, ouça, converse, busque uma atividade que possam fazer juntas, sem interferências, seja leve e acolhedora. Isso irá recuperar parte dessa distância e reafirmará que ela também é amada e tem importância significativa nesta relação”, finaliza Evelyn Lindholm.

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