Entrevista

São Luís já tem 70% de esgoto tratado, diz presidente da Caema

Carlos Rogério Araújo destaca os investimentos que têm sido feitos na área e garante que água tratada e esgotamento sanitário são prioridades do governo do estado

À frente da Caema desde o mês de agosto, o presidente da Companhia, Carlos Rogério Araújo, é um gestor com experiência em outras áreas, em outros governos, inclusive municipal. Antes de assumir, o presidente ocupava o cargo de diretor de Operações, Manutenção e Atendimento ao Cliente. Agora comandando uma companhia que tem entre outros problemas um déficit de 40%, ele ressalta os investimentos que o governo estadual vem fazendo em várias frentes.

Na entrevista concedida a O Imparcial, ele falou sobre vários assuntos, despoluição de rios, estações de tratamento, tarifa, e também sobre o que mais causa transtorno à população, que é a falta de água, e garante que esse problema está próximo de ser amenizado.

Carlos Rogério Araújo, atual presidente da Caema.

Carlos Rogério Araújo, atual presidente da Caema.

O Imparcial – Qual é o retrato da Caema hoje?

Carlos Rogério Araújo – A Caema é uma prioridade desse governo. Estamos investindo hoje em 120 municípios do Maranhão, fazendo reabilitação dos sistema, criando novos sistemas, investimento forte na parte de esgotamento sanitário, na parte de interceptação dos esgotos para retirar os dejetos dos nossos corpos hídricos, que estão poluídos, a exemplo do que já fizemos com a Lagoa da Jansen e estamos fazendo as unidades de tratamento para tratar esses esgotos. Então, São Luís já está saindo de um patamar de 4 por cento de esgoto tratado, que era antes, para um patamar de 70 por cento. O governo está investindo na Caema em benefício da população, propiciando a parte da medicina preventiva, que é a água tratada, esgotamento sanitário. Temos também um sistema de esgotamento sendo tratado em Imperatriz, a exemplo de São Luís. A Caema é uma empresa que tem um problema sério, haja vista o custo pra se tratar água e que não é repassado para a população. E aí, considerando que o estado do Maranhão tem uma população realmente carente, pobre, a própria Caema tem essa compreensão de que não se pode onerar a tarifa.

E a situação financeira?

Deficitária. Como sempre foi. A Caema hoje cobre 60 por cento do seu custeio, ou seja, o que ela arrecada responde por 60 por cento do custeio. Isso implica em não conseguir cobrir os custos. Temos custos de energia altíssimos e ficamos impedidos de fazer os investimentos necessários para se avançar na questão da prestação dos serviços para a população.

Em reais isso significa quanto?

A Caema tem uma despesa de R$ 40 milhões e uma receita de 25. Agora temos que avançar nisso. Temos que, à medida que se vai fazendo o reabastecimento do sistema, à medida que se vai melhorando o abastecimento de água da cidade, a gente vai possibilitando ter aumento de arrecadação dada a tarifa inexpressiva que a Caema cobra hoje. Apesar de que alguns acham que a tarifa é alta, o cidadão paga R$ 2 por uma garrafa de água de 300ml, a Caema vende 1 metro cúbico de água, que corresponde a mais de 2 mil garrafinhas, por R$ 1,80. Um carro-pipa, que são 6m³, cobra R$ 200 para entregar uma água que você não sabe a procedência. A Caema vende o equivalente a um carro-pipa por R$ 10. Então, não se pode dizer que uma água dessa é cara, até porque a Caema não tem como papel auferir lucros exorbitantes, o papel dela é um trabalho social, trabalho de ajudar o governo a fazer os investimentos na medicina preventiva, para que o governo possa economizar na medicina curativa. Cerca de 50 por cento dos leitos hospitalares estão sendo ocupados por pessoas com doença de veiculação hídrica.

Haverá, então, aumento da tarifa?
Não. Não se trabalha com essa possibilidade, mas volto a dizer que a tarifa da Caema é a mais baixa do Brasil. Nós precisamos fazer uma compensação. Estamos fazendo o trabalho primeiro que é de buscar a regularização, melhorar o abastecimento da cidade; segundo: melhorando o abastecimento da cidade , eu posso fazer com que as pessoas que têm o seu faturamento possam cumprir com suas obrigações, a adimplência. Outra coisa que estamos atacando é a redução das perdas. Perdas tanto físicas, do que está vazando na rede, ou na casa do cidadão que a torneira não está vedando a contento. As pessoas precisam fazer uma reflexão sobre a utilização adequada desse bem que tem um valor agregado enorme. O custo de energia, que é muito alto no país, é o principal insumo para tratamento de água e corresponde a 60 por cento do custo.

A falta de água é um problema crônico? Como se resolve a questão da intermitência?

A questão da intermitência é muito séria, mas nós podemos dar um horizonte muito próximo, que se não resolver na plenitude, pode atenuar essa gravidade. Nós temos um problema que a cidade já conhece, que é uma limitação por conta da fragilidade estrutural da adutora de Campo de Peris. Nós estamos fazendo a conclusão da nova adutora, 20km de extensão, que vai possibilitar que a gente retome o bombeamento pleno no sistema Italuís. Isso representará, a partir do final de outubro, mais 30 por cento de vazão de água vinda do Italuís. Isso vai possibilitar fazer a regularização em muitas áreas de São Luís e, em outras, encurtar o tempo de desabastecimento. Então, isso vai ser um avanço extraordinário e esperamos com isso regularizar muito o abastecimento na cidade. E nos outros interiores, será regularizado na medida em que está havendo a reabilitação dos sistemas e até a construção de novos, a exemplo de Colinas, Barra do Corda, Barão de Grajaú, Vargem Grande.

A Caema tem uma imagem negativa tanto pela questão da falta de água, quanto das obras que são feitas em que ruas são abertas e cujo camada asfáltica não é logo recuperada…

Infelizmente, para você dotar a cidade de infraestrutura, tanto para distribuição da água, quanto para coleta, retirada e tratamento dos esgotos, você precisa fazer implantação, e isso implica em abrir as ruas para colocar a tubulação. A gente reconhece esse transtorno, mas estamos fazendo esforço nesse sentido, estamos trabalhando para chegar no nível em que nós possamos abrir a rua, colocar a tubulação, fechar e deixar a rua da forma que estava antes de ser aberta. Infelizmente, tem que se fazer essa ação destrutiva. Mas já existe esse método não destrutivo. Nós fizemos a travessia da Avenida Daniel de La Touche com a tecnologia túnel line, sem causar nenhum transtorno. Isso é possível fazer mais vezes? Sim. Nesse caso, se a gente fosse abrir pelo método tradicional, ia causar um transtorno enorme e não poderia ser feito em menos de uma semana.

Nossos rios estão poluídos. O que a Caema está fazendo quanto a isso?
A Caema tem mais de 50 anos e pela primeira vez está se fazendo um trabalho grandioso de reparação da parte de poluição dos despejos de esgoto inadequados feitos nos corpos hídricos e nos fundos de várzea.

O resultado é que, toda semana, a Secretaria de Meio Ambiente tem demonstrado que nossas praias estão ficando a cada dia mais próprias para banho. Isso porque estamos fazendo a interceptação dos esgotos que eram lançados nos corpos hídricos. Esse é um trabalho grande que implica no aborrecimento da população pela quebra das vias quando esse esgoto é levado para as estações de tratamento.
Temos uma estação de tratamento que está sendo concluída na margem do Rio Anil, e com essa completaremos quatro grandes estações de tratamento: Baganga, Jaracaty, Vinhais, Anil. Com isso, trataremos 70 por cento do esgoto coletado. Estamos chegando ao percentual de 60 por cento de rede coletora na cidade, desses, 70 por cento será tratado.

A Lagoa da Jansen é um exemplo desse trabalho. Fizemos a interceptação dos esgotos que estavam sendo lançados lá e tiramos cerca de 90 pontos, ou seja, 100 litros por segundo de esgoto que estava indo para a Lagoa hoje estão indo para Estação de Tratamento do Jaracaty. Aí se argumenta: mas eu passo na Lagoa e tem um fedor. Mas aquilo não é esgoto, são sedimentos que se acumularam e são culturas próprias para proliferação de algas. A alga, ao morrer, exala um cheiro enorme. O que se tem feito para mitigar essa ação é fazer a remoção dessa alga.

MOSTRAR MAIS