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Ronilson Freire ilustra novo mascote do Moto Club

O ilustrador comemora o convite da Marvel Comics para ilustrar o personagem Capitão América. Ele também será responsável pelo projeto gráfico do novo mascote do Moto Club

O ilustrador, desenhista e publicitário Ronilson Freire, que já trabalhou para as maiores editoras de quadrinhos do Brasil e do mundo, como a Marvel Comics, Dynamite, Titan Comics, entre outras, será responsável pelo projeto gráfico do novo mascote do time do Moto Club de São Luís, que será lançado para o público até o próximo dia 15 de novembro, como parte das comemorações dos 80 anos do time.

O ilustrador revelou a O Imparcial que o convite surgiu por meio da nova diretoria do time, que está desenvolvendo diversos projetos, entre eles, o lançamento do novo mascote do Moto Club. “O Natanael Júnior, que é o vice-presidente do Moto Club, já conhecia o meu trabalho como ilustrador de quadrinhos e me convidou para que eu desenvolvesse o projeto gráfico do novo mascote que vai animar a torcida durante as partidas do time. A ideia inicial é que este mascote possa desenvolver uma empatia com a torcida e possa despertar nas novas gerações o interesse pelo time. Estamos finalizando o projeto”, disse Ronilson Freire, sem revelar detalhes.

Ronilson Freire, começou como ilustrador de peças publicitárias no ano 2000, está comemorando agora em 2017 seus 10 anos de carreira no universo dos quadrinhos. O ilustrador contou que tudo começou quando um amigo dele viu um anúncio na internet de um estúdio de agenciamento de Belo Horizonte, em Minas Gerais, que estava selecionando novos artistas gráficos para o merchandising da Marvel Comics. Os selecionados iriam fazer ilustrações para empresas de licenciamento responsáveis pela comercialização de produtos como canecas, almofadas, bonecos, e outros com personagens da marca Marvel. “Cada artista inscrito deveria apresentar quatro propostas de desenho para que eles pudessem analisar o potencial artístico dos interessados. Como estava muito em cima, eu enviei somente um desenho. Não fui aprovado, mas eles achavam que eu tinha potencial para ilustrar quadrinhos. Esse estúdio era responsável por agenciar quadrinhistas para o mercado norte-americano e europeu. Fiz o desenho e eles enviaram para a Comic Com, em San Diego, na Califórnia, nos Estados Unidos. E foi com este teste que eu consegui o meu primeiro contrato com uma editora da Califórnia”, contou o ilustrador.

Alguns meses depois, o ilustrador viajou para Belo Horizonte que, na época, estava sediando o Festival de Quadrinhos, onde Ronison Freire teve a oportunidade de conhecer David Campit, roteirista da Marvel Comics que largou tudo para abrir sua própria agência, a Glass House Grafics. “Por meio dele, assinei um contrato para realizar trabalhos para pequenos editores. Em 2013, recebi uma proposta de uma editora de médio porte por meio da agência e fechei um contrato com exclusividade com a Dynamite por dois anos, o que me rendeu vários trabalhos como a série do personagem Besouro Verde, em nove edições, e um bom rendimento salarial. Trabalhei com o roteirista MarK Waid, que é uma grande referência no mundo dos quadrinhos”, disse Ronilson Freire. O desenhista explicou que a Glass House Grafics agencia profissionais pelo mundo como, por exemplo, arte-finalistas, coloristas e até letristas, além de outros profissionais. Depois desse trabalho, Ronilson Freire foi remanejado para ilustrar pela Dynamite outros personagens de outras séries como Vampirella e Justice INC- The Avenger, Swords of Sorrow: Miss Fury & Lady Rawhide.

Divisor de águas

Um divisor de água na carreira de Ronilson Freire foi o convite que ele recebeu após encerrar o seu contrato com a Dynamite nos EUA para ilustrar as séries produzidas pela Titan Comics. Ronilson Freire lembrou que estreou na editora desenhando o personagem Doctor Who – que é uma adaptação da BBC de Londres para quadrinhos. O ilustrador explicou que Doctor Who é uma série de ficção científica britânica, produzida e transmitida pela BBC desde 1963, uma das séries de TV mais longas da história. Ela está na sua 11ª temporada e foi criada por Sydney Newman.

Ronilson Freire, também a convite da Titan Comics, foi contratado para ilustrar uma outra minissérie da Hammer Filmes Productions, uma companhia cinematográfica britânica especializada em filmes de terror como a Múmia, de 1959, que também foi adaptada para quadrinhos. O ilustrador trabalhou em cinco edições, entre 2016 e primeiro semestre de 2017. “Eles fazem muitas adaptações de séries que fazem muito sucesso entre o público para a linguagem de quadrinhos. Um exemplo foi Game Of Thrones e outras bem populares. Meu último trabalho na Titan Comics foi a adaptação do game Wolfenstein, é o novo título da lendária série de FPS de ficção científica e espionagem com temática da 2ª Guerra Mundial. Na verdade, é a projeção de um futuro de um passado que não aconteceu”, contou o ilustrador.

Ronilson Freire acrescentou que a história ocorre logo após Return to Castle Wolfenstein. Ele explicou que, em 1943, as forças aliadas conseguiram deter a expansão do Terceiro Reich de Hitler. Mas o Führer não irá se contentar com nada menos do que o controle sobre todo o mundo. Para isso, o chefe da SS, Heinrich Himmler, tem um plano para dominar e controlar uma força conhecida como Black Sun. Com esse poder oculto à sua disposição, os nazistas ganhariam uma vantagem clara na guerra. A única esperança dos aliados reside nas habilidades e na coragem do agente especial BJ Blazkowicz. O ilustrador explicou que séries de guerra têm um grande público.

Três perguntas

Como surgiu o convite pela Marvel Comics para você ser o arte-finalista do personagem do Capitão América?
Foi por meio do desenhista Joe Bennett, que é paraense. O meu agente é dele também. Ambos conheciam meu trabalho e me indicaram para este trabalho. Dependendo do volume de produção, eles chegam a contratar até cinco arte-finalistas para acelerar o trabalho.

Qual a sua avaliação do mercado de trabalho para os ilustradores aqui no Brasil e lá fora?
Está bom, mas tenho que ser sincero que, se eu trabalhasse no Brasil só com quadrinhos, não daria para viver. Os bons quadrinhistas estão trabalhando para o mercado internacional nos Estado Unidos, Europa, Canadá e Índia, onde há uma grande produção. Além disso, há muita editora independente que também paga bem. A maioria dos ilustradores recebe pelo número de páginas que ele faz. E, dependendo da agência e do trabalho, ele pode receber em iene, libras esterlinas, dólar, real e euro. A cotação também varia se ele tiver ilustrando um personagem famoso ou uma capa. Tudo isso pode aumentar o seu rendimento. Outra vantagem é que as artes originais são propriedades do ilustrador, que pode vender em leilões no e-bay, nas Comics Com, ou para colecionadores que muitas vezes podem encomendar com o próprio ilustrador uma arte exclusiva. O valor por uma arte original varia de 20 a 500 dolares. Tem gente que encomenda até cinco. É um mercado rentável para quem trabalha corretamente.

Quais são seus próximos projetos?
Em dezembro, vou participar de uma mesa de debate na Comic Com em São Paulo. E estou me organizando para viajar pela primeira vez para Comic Com de Nova York em 2018.

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