Finanças

Economista aponta melhores opções de investimento

Aplicações podem garantir rentabilidade com segurança. Tudo depende do prazo de aplicação do investimento, explica o especialista

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Para quem tem dinheiro em vista, vendeu um bem, está à procura de imóvel ou planeja investir na educação superior dos filhos, uma boa opção é fazer o dinheiro render até que se cumpra o objetivo. Mas você sabe onde aplicar seu dinheiro para resgatá-lo quando precisar?

Quando se trata de investimento, a maioria das pessoas considera a poupança como forma segura de aplicação com resgate imediato. No entanto, existem outras aplicações a considerar. Procuramos um especialista para indicar a melhor forma de investir dinheiro dentro das opções do mercado financeiro. O economista Felipe de Holanda, que atualmente preside o Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos (Imesc) e foi presidente Conselho Regional de Economia do Maranhão (Corecon-MA), deu sua contribuição para esta matéria.

De acordo com o economista, toda vez que falamos em investimentos e em aplicações financeiras, temos que pensar no perfil da pessoa. Numa aplicação financeira normalmente se considera três fatores: rentabilidade, prazo e risco.

O risco está ligado ao objetivo. Se a pessoa tem um objetivo de longo prazo, está pensando em poupar para a aposentadoria ou para custear o curso superior dos filhos ainda pequenos não é aconselhável envolvimento com investimentos de risco que tenham muita volatilidade. “Em geral, o mais recomendável é recorrer a aplicações mais conservadoras como Previdência que pode oferecer vantagens como o PGBL e VGBL e a própria Poupança, em geral, são aplicações de risco mais baixo”, orienta Felipe de Holanda.

Por outro lado, para pessoas que têm objetivos de prazos mais curtos que querem ter uma rentabilidade maior, e que também depende do apetite para o risco, o economista aponta: “O investidor pode combinar renda variável – mercado de ações – que hoje está instável por causa do cenário político nebuloso, entretanto, a Bolsa de Valores tende a continuar avançando rumo aos 80 mil pontos”.

Mesmo considerado um investimento de risco, há determinados segmentos da economia que podem responder de uma forma melhor no mercado de ações. “Pode se considerar investir no setor do aço e da construção civil, que provavelmente deve ter alguma recuperação nos preços das ações. Contudo, esse é um jogo de bastante risco, e, em geral, as instituições que têm acesso à pesquisa e informação levam vantagem em relação ao investidor pessoal”, alerta.

Investimentos a longo prazo e baixo risco

Se o investidor tem um objetivo em longo prazo e baixo apetite de risco, melhor que se opte por uma poupança ou uma renda fixa. “Existe uma modalidade de aplicação interessante que é o Tesouro Direto que você pode comprar títulos prefixados (rendimento determinado no momento da aplicação) ou pós-fixados (rendimento conhecido somente no final da aplicação). A vantagem é que ele te cobra a inflação, paga alguns juros reais e não tem taxa de administração”, aponta Holanda.

A taxa de administração pode corroer os ganhos em fundos de renda fixa. É ela que compõe a chamada rentabilidade das aplicações. Por isso, é bom atentar para a taxa administrativa cobrada.

Outra opção, os CDIs (Certificados de Depósito Interbancário) são títulos como empréstimos de curtíssimo prazo feitos entre as instituições financeiras. De acordo com o economista, ela tende a acompanhar a chamada Over Selic (taxa que o governo para essa modalidade) que vai continuar caindo, nesse sentido fazer uma aplicação de CDI não está mais tão atraente. O melhor seria a poupança que recuperou rentabilidade abaixo de 10% de taxa básica de juros.“A poupança passou ser boa opção quando a taxa básica de juros caiu abaixo de 10%. Hoje em 8,5%, a poupança em seu rendimento de 0,55/mês dá para contribuir tranquilamente. A tendência agora é uma recomposição no saldo da poupança”, considera.

Segundo levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), realizado no início do ano, 61% dos brasileiros preferem a poupança como tipo de aplicação, ainda que tenha rentabilidade menor do que outras opções. O tempo médio que o brasileiro deixa o dinheiro na poupança é de três anos, tendo como valor médio acumulado no período de R$ 2.152.

A caderneta de poupança sempre foi “preferência nacional” em aplicações financeiras, não só pela facilidade de investir como pelo fato de não haver desconto de imposto de renda. No entanto, os brasileiros podem considerar outros tipos de investimento. “Vale a pena buscar aplicações de longo prazo em renda fixa que são mais vantajosos que a poupança. Mas precisa ter título de um banco, que assegura até R$ 150 mil para o caso de falência da instituição financeira”, aconselha.

Então, para investimentos em longo prazo, o economista indica Tesouro Direto que não tem taxa de administração e é fácil de recuperar e também plataforma XP – que tem acesso à ampla gama de opções. Se for considerar taxa de administração, o ideal são taxas entre 0,5% e 1%.

“Nem sempre o que é bom para o seu gerente, é bom para você. É melhor aderir à plataforma de investimento tipo XP porque junta vários tipos de opções e você escolhe não só aquela aplicação mais interessante para seu perfil de investidor, como aquelas que têm taxas de administração que são competitivas”, alerta Felipe de Holanda. Mesmo com a orientação do gerente, tudo deve ser analisado, deve se perguntar sobre vários aspectos como taxa de administração, carência, taxa de saque do recurso e prazo para liberação do recurso. “O meu gerente escolhe o que é melhor para mim, pode ser. Mas, em geral, ele escolhe o que é melhor para ele. Ele ganha pontos. A rentabilidade baixa para o cliente é rentabilidade alta para o banco”, conclui.

O que se deve considerar em uma aplicação: rentabilidade, taxa de administração, prazo, carência e risco.

Investimentos de baixo risco: poupança, aplicações no Tesouro Direto (títulos IPCA) e fundo de previdência.

Resgate: A poupança não tem liquidez diária, se resgatada a qualquer momento se perde o rendimento do mês. LST (títulos da dívida pública), títulos públicos, Tesouro Direto com aplicações de R$ 30,00, se paga IOF se o valor investimento ficar em menos de 30 dias.
Renda Fixa: Modalidade de investimento voltada para pessoas com perfil conservador, que querem bons retornos sem deixar de lado a segurança. Investir em Renda Fixa significa saber quanto receberá de lucro no final do prazo da sua aplicação, apesar dos investimentos serem classificados em pré e pós fixados.

Existem diversos produtos nesta categoria com diferentes características e vantagens, como as irmãs LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de crédito do Agronegócio), CDB (Certificado de Depósito Bancário), LF (Letra Financeira), LC (Letra de Crédito), Tesouro Direto, Debêntures, COE e até mesmo a famosa caderneta de poupança – mesmo com o baixo rendimento é classificada como um investimento em Renda Fixa.

Comparativo de rendimentos: Simuladores de investimento disponíveis na Internet como Easynvest, por exemplo, comparam rendimento do Tesouro Direto com rendimento na Poupança. Uma aplicação de R$ 50 mil, em um ano, no Tesouro Direto (IPCA) rende R$ 4.364, enquanto na poupança o valor no mesmo período, rende R$ 2.830.

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