Bullying

Bullying está relacionado à aparência, orientação sexual e religião

O que o caso da Escola Goyases nos ensina sobre bullying? Especialista fala sobre o ato e como o problema deve ser encarado por pais, professores e sociedade.

Footo: Reprodução 4Daddy

Um adolescente de 14 anos, a arma da mãe, uma escola particular em Goiânia, dois colegas mortos, quatro feridos. Esses são os componentes da tragédia que assustou o Brasil na última semana. Na internet e na mídia tradicional, não faltam tentativas de encontrar um culpado. Há versões responsabilizando a escola, a família do atirador e também o menino que levou o primeiro tiro.

De acordo com a professora Telma Vinha, do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação Moral (Gepem), da Universidade de Campinas (Unicamp), a simplificação da tragédia como se fosse a sinopse de um filme não acrescenta nada à discussão sobre bullying nas escolas. “Há uma série de equívocos e abusos nas teorias sobre o caso. Não dá para fazer qualquer julgamento sobre o que de fato aconteceu, porque as informações ainda são parciais e reduzidas”, diz.

Essa tragédia chama novamente a nossa atenção para um assunto que já foi discutido na TUDO, é delicado e que deve ser comentado outra vez e tratado: o bullying. O tema precisa de muita atenção, principalmente no que se refere ao âmbito escolar, já que tal atitude não fica apenas na escola, e acaba afetando outras instâncias da vida das pessoas que sofrem com essa “violência”.

Para Ana Regina Caminha Braga, psicopedagoga e especialista em educação especial e em gestão escolar, é importante consolidar seus conceitos e lutar para o combate de sua progressão no meio escolar. “O papel que a escola precisa desempenhar em relação ao bullying com as crianças é o de amenizar qualquer distância que menospreza ou impossibilita o outro de mostrar o seu potencial”, explica a especialista.

Segundo a Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (APRAPIA), o bullying está relacionado a todas as formas de atitudes agressivas, realizadas de forma voluntária e repetitiva sem motivação evidente, cometidas por um ou mais estudantes contra outro, causando dor e angústia e realizada dentro de uma relação desigual de poder.

Pesquisa

No Brasil, 20% dos estudantes alegam já ter praticado algum tipo de bullying. Tais dados foram levantados pelo IBGE, que entrevistou mais de 100 mil alunos de escolas públicas e particulares de todo o Brasil. Na mesma pesquisa, 51,2% dos estudantes não souberam especificar um motivo para ter cometido tal agressão. A maioria dos casos está relacionada à aparência do corpo, seguida da aparência do rosto, raça/cor, orientação sexual, religião e região de origem. Geralmente, tais atos acontecem sem o conhecimento dos pais e professores, com consequências graves como o medo e insegurança, que atrapalham não só os estudos, como a vida pessoal daquela criança ou adolescente.

De acordo com Ana Regina, a escola precisa trabalhar e se desenvolver para que a tomada de consciência aconteça de modo geral, desde a equipe pedagógica, o administrativo até os discentes. “Devemos estar atentos para detectar o processo e trabalhar em prol dos alunos vitimizados pelo Bullying. Essa mobilização talvez seja uma alternativa para diminuir tal sofrimento. Cabe também ao núcleo escolar proporcionar aos alunos a participação em feiras culturais, exposições, diálogo com outros colegas e assim por diante, deixando-os mais à vontade no meio”, detalha.

Segundo a especialista, essas crianças e adolescentes chegam aos consultórios com bastante dificuldade e sofrimento, e, infelizmente, a maior parte delas não terá atendimento adequado, e, em alguns casos, nem o reconhecimento da situação. Por isso, a melhor forma de combater o bullying é investir em prevenção e estimular a discussão aberta com todos os atores da cena escolar, incluindo pais e alunos. Orientar os pais para que possam ajudar, pois os mesmos devem estar sempre alertas para o problema, seja o filho vítima ou agressor, ambos precisam de ajuda e apoio psicológico.

“Quem é vítima de tal ato, acaba desestimulada a frequentar as aulas por medo de ser humilhada. O bullying é um problema sério que precisa ser extinto, com o apoio do colégio, pais e próprios alunos. É o tipo mais frequente e visível da violência juvenil. Administrar o problema nas escolas é fundamental por ser um local de socialização das crianças e o segundo ambiente de convívio depois do familiar”, completa a especialista.

 

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