Rally dos Ventos

Maranhenses se destacam em competição internacional de Kitesurf

Socorro Reis terminou em 2° na categoria feminina do Red Bull Rally dos Ventos; Entre os homens, Bruno Lobo terminou em 5º e Bruno Lima em 6°. A competição internacional de kitesurf foi realizada no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses

Equipe Maranhense – Rally dos Ventos. Foto: Arquivo Pessoal

As belas paisagens formadas por dunas e águas cristalinas do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses receberam, no último sábado, 16, a segunda edição do Red Bull Rally dos Ventos, competição de kitesurf que é apontada como a maior do mundo.

O evento esportivo reuniu os 40 melhores atletas de Kite Endurance (10 mulheres e 30 homens). Os competidores realizaram o percurso de 65 quilômetros até a linha de chegada – cerca de 50 quilômetros a mais do que na primeira edição do evento, ocorrida em 2014.

Em formato de rali, ganhava a prova quem chegasse primeiro. A equipe maranhense, formada por quatro atletas (três homens e uma mulher), enfrentou importantes desafios, porque, além de velejar na água, precisou também encarar longos trechos de areia, que exigiram bastante resistência e estratégia dos competidores.

Entre os atletas consagrados, estavam grandes nomes da modalidade, como os campeões mundiais Bruna Kajiya, de São Paulo, e os cearenses Carlos Mário “Bebê” e Alex Neto, vencedor do Red Bull Rally dos Ventos 2014. Destaque também para o maranhense Bruno Lobo, 3º colocado na última edição Rally dos Ventos e campeão brasileiro de Kite Hidrofoil, que hoje ocupa oitavo lugar no ranking mundial.

Além deles, outros atletas do Brasil e do mundo formaram a lista de seletos competidores, que cheios de adrenalina e determinação superaram os obstáculos para realizar a prova no paradisíaco Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.

A competição 

Por volta das 10h, os atletas iniciaram a competição e percorreram um trecho por praia, saindo da região de Atins, e completaram a prova dentro do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses até chegarem a região de Santo Amaro. A prova transcorreu 40 quilômetros pelo mar e 20 quilômetros pelas dunas, sagrou-se mais uma vez campeão o cearense Alex Neto que cruzou a linha de chegada em primeiro lugar. Carlos Mário “Bebê”, seu conterrâneo, chegou em segundo.

Representando o Maranhão, na categoria masculina, Bruno Lobo terminou em 5º lugar, Bruno Lima, em 6º, e Gil Alencar completou a prova entre os 20 primeiros colocados. Fazendo bonito, a maranhense Socorro Reis cruzou a linha de chegada em 2° na categoria feminina, na qual apenas três das dez competidoras conseguiram completar a prova. A americana Susi Mai levou o campeonato. Alvelina Fontes, de Belém do Pará, 52 anos, terminou em terceiro. A bicampeã mundial Bruna Kajiya largou, mas decidiu não completar o trajeto.

Para o presidente da Associação de Velejadores do Maranhão (Avema), Rogério Luna, que acompanhou a equipe maranhense bem de perto, o evento internacional é muito importante para o estado e para os competidores, principalmente por ser realizado em terras maranhenses. “É um dos maiores eventos de kitesurf do mundo, a maior visibilidade que o kitesurf pode ter, principalmente o Maranhão. Os maranhenses brigaram por vagas desde o início do projeto. O evento deu visibilidade para o mundo inteiro, para os atletas e para o nosso estado”.

Dois dos maranhenses conquistaram vaga para o Red Bull Rally dos Vento na seletiva realizada em São Luís e organizada pela Avema, com Bruno Lima em primeiro lugar e Gil Alencar em segundo. “Foi uma prova difícil, de muita resistência, e os melhores atletas maranhenses foram competir. Bruno Lobo, este ano, infelizmente, teve problemas com o kite dele e não conseguiu ficar entre os três primeiros, mas foi muito bem”, destaca Rogério Luna.

Os atletas locais voltam a se encontrar no Campeonato Maranhense de Kitesurf, que realiza a 1ª etapa nos dias 21 e 22 de outubro.

Superando desafios 

O campeão brasileiro de Kite Hidrofoil, o maranhense Bruno Lobo, de 24 anos, iniciou a prova muito bem percorrendo os 40 quilômetros pelo mar, até chegar em frente ao Parque dos Lençóis e atravessar a dunas em direção a Santo Amaro.

“Nesse primeiro trecho eu estava disputando o primeiro lugar com o atleta Carlos Mário de Fortaleza, e nos distanciamos um pouco do pessoal. Infelizmente, após a primeira duna onde fica uma falha de vento, meu kite caiu e aí eu perdi uns 5 minutos para colocá-lo de volta para cima. Eu me distanciei dos primeiros colocados, alguns atletas passaram por mim, acho que estava em 8º. Mas, consegui recuperar e terminei em 5º lugar”, contou Bruno Lobo.

O atleta maranhense também destaca a importância da competição promovida pela Red Bull que utiliza e atrai mídia a nível mundial com a participação de competidores internacionais. Bruno Lobo conta que é uma prova que ninguém treina especificamente para ela. Sendo uma competição diferente para todo mundo, com alguns atletas de manobra, e outros de corrida, modalidade preferida por ele. “É uma prova quer requer estratégia e resistência. E isso, foi bem desafiador este ano, apesar de desgastante. Foi bem cansativo, mas foi muito legal. Os amigos e outros atletas torcendo na chegada. Além disso, a competição toda tem um visual incrível”, ressaltou.

Na disputa de competições nacionais, Bruno Lobo segue firme em busca do bicampeonato no Kite Hidrofoil. O atleta compete, no próximo mês, a terceira etapa do Campeonato Brasileiro, que ocorre no Rio Grande do Norte. O maranhense lidera o campeonato, tendo ganhado a segunda etapa da competição em João Pessoa, no começo do mês.

Outro atleta maranhense que deu o máximo de si para completar os 65 quilômetros da segunda edição do Red Bull Rally dos Ventos, foi Gil Alencar, de 40 anos. O kitesurfista foi selecionado para competição após terminar a seletiva maranhense em segundo lugar. Gil Alencar revela que foi uma prova de uma superação e resistência para o Kite Endurance. “Quando começou as lagoas, onde tinha água se velejava, e onde tinha areia, alguns corriam como eu. Já outros velejavam na areia. Os caras que chegaram na frente e ganharam, não tiraram os pés da prancha”.

A prova foi finalizada pelos primeiros colocados com quase duas horas. Gil Alencar concluiu a competição com pouco menos de três horas, ficando provavelmente entre os 20 primeiros, pois o ranking geral ainda vai ser divulgado pela Red Bull. “Apesar do desgaste, na minha cabeça se destacava o fato de ser uma competição internacional onde estavam os melhores do mundo, então eu exigi o máximo e completei a competição”, conclui.