Dia Mundial da Doença de Alzheimer

Alzheimer: A falta de interesse pode ser o pior sintoma

Pelo diagnóstico médico, Alzheimer é uma patologia do cérebro de causa desconhecida e que, progressivamente, afeta principalmente as funções intelectuais

Foto: Reprodução

Quando em um almoço de família a vovó, em um breve momento, esquece os nomes dos filhos e netos, ou volta no tempo e reage como se estivesse 40 anos mais jovem, as preocupações começam.

Pelo diagnóstico médico, Alzheimer é uma patologia do cérebro de causa desconhecida e que, progressivamente, afeta principalmente as funções intelectuais: a compreensão, a orientação, a atenção, o pensamento, a memória. É a forma mais comum de demência, surgindo normalmente a partir dos 65 anos. Na população a partir dos 85 anos, o Alzheimer chega a alcançar quase a metade das pessoas.

Esse conceito, no entanto, não revela toda a complexidade que essa doença envolve, nem o sofrimento para quem é acometido por ela e dos familiares que convivem com essa situação. Para muitos, a dor em ver um parente amado se distanciando, aliada muitas vezes à falta de informação, expande ainda mais esse afastamento, provocando uma ausência que vai na contramão do que realmente pode ajudar alguém que sofre.

Ações para reduzir o risco
A doença de Alzheimer não tem cura, porém, existem maneiras de manter a capacidade motora do cérebro em pleno funcionamento, evitando assim o aparecimento precoce bem como o agravamento dessa doença. A prática esportiva é o método mais aconselhado. Como diz o ditado, corpo saudável, mente sã, e isso se aplica a todas as idades, portanto, esportes, caminhadas e qualquer atividade física de movimento são de grande importância para todas as pessoas.

Manter o cérebro ativo durante o dia inteiro é assegurar o constante abastecimento de informações. Mesmo para aposentados, charadas e jogos de lógica ajudam a trabalhar a parte coordenativa do cérebro, além de proporcionar um passatempo. Ler livros também é aconselhável. A alimentação saudável deve ser observada com maior rigor. Em idade alguma, comidas muito gordurosas e com excesso de sódio são saudáveis. Na terceira idade, esses alimentos devem ser evitados a todo custo, assim como enlatados e frituras. É aconselhável se alimentar em horários regulares dando preferência a grelhados e peixes.Ter uma noite de sono agradável colabora para que a produtividade durante o dia seja melhor. Frequentar eventos noturnos até tarde trocando o dia pela noite não é bom para o cérebro. Fumar é prejudicial em vários sentidos. Apesar de as causas do Alzheimer ainda não serem totalmente conhecidas, o que se sabe é que o consumo de cigarros assim como o excesso de álcool no organismo são fatores agravadores da doença, principalmente por destruírem células cerebrais. Por isso, é aconselhável não fumar e beber socialmente.

É preciso se antecipar à doença
Alguns sinais do dia a dia podem acender o alerta e motivar a procura de um acompanhamento médico antes mesmo da manifestação absoluta do Alzheimer. Quando uma pessoa começa a esquecer de alguma parte ou da totalidade de um acontecimento e progressivamente perde a capacidade de seguir indicações verbais ou escritas, assim como perder a capacidade de acompanhar a história de uma novela ou filme. Esquecer informações que eram familiares, como dados históricos ou políticos. Perder continuadamente a capacidade de, autonomamente, se lavar, vestir ou alimentar e a autonomia de tomar decisões. Não saber em que data está. Ter dificuldades em manter uma conversa, não conseguindo manter o raciocínio nem lembrar palavras. Guardar objetos, chaves, e não conseguir fazer o processo mental retroativo para lembrar.

A Dra. Maria Zali San Lucas, geriatra com especialidade na neurogeriatria, conta que o mais difícil na descoberta do Alzheimer é o próprio diagnóstico dele. “Na prática médica o mais difícil não é tratar doença, e sim o diagnóstico dela, muitas vezes se generaliza tudo com Alzheimer sem buscar a fundo outras doenças que podem estar sendo manifestadas pelo idoso”, explica.

Ela destaca também que o tratamento medicamentoso é oferecido pela rede pública e que deve ser buscado por qualquer pessoa que necessite. Sobre o perfil dos pacientes que atende, ela reforça que o grau de evolução da doença é preponderante para a eficácia maior do tratamento. “Depende muito do momento em que a gente se depara com o paciente. Quando ainda se encontra no início da doença, podemos obter mais êxito na melhora dos sintomas, mas quando às vezes recebemos em um grau muito avançado, pouca coisa a gente pode fazer”, lembra.

Dia de conscientização
O Dia Mundial da Doença de Alzheimer, 21 de setembro, foi instituído pela ADI (Alzheimer’s Disease International), entidade internacional que congrega mais de 75 Associações de Alzheimer no mundo. No Brasil, a ABRAz (Associação Brasileira de Alzheimer) realiza neste período uma programação para sensibilizar a população em geral, entidades públicas e privadas de saúde, bem como os profissionais da área para essa doença que acomete mais de 1,2 milhão de brasileiros. No mundo, são 35,6 milhões de pessoas com Alzheimer e, segundo estudos, a cada quatro segundos, um novo caso de demência é detectado no mundo com uma previsão de que haja uma ocorrência a cada segundo até 2050.

A presidente da ABRAz/MA, Ana Lucia Azoubel, destaca que o papel da instituição no estado é de alertar a população por meio de palestras sobre os sintomas da Doença de Alzheimer, para que a busca pelo tratamento seja mais precoce.

“Essa doença ainda precisa ser bastante divulgada, pois o que percebemos é que muitas famílias ficam desestruturadas e desorientadas por não saberem como lidar com essa situação. Atualmente se tem mais conhecimento sobre Alzheimer, mas ainda não se atingiu o todo porque muitas vezes é difícil para a família aceitar um parente que está com a doença. O nosso propósito é melhorar a qualidade de vida do idoso”, ressalta Ana Lucia. Através de grupos de apoio a famílias com membros afetados pela doença, a ABRAz/MA realiza trabalhos de conscientização. Os encontros acontecem sempre na 2ª sexta-feira de cada mês no Centro Social Urbano (CSU) no bairro Cohab Anil. Além deste, existe o Grupo de Memória da ABRAz, que acontece às quartas-feiras, promovendo atividades relacionadas à memória para idosos e pessoas que não sofrem com a doença, focando na prevenção.

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