Câmara dos Deputados

André Fufuca assume a presidência da Câmara nesta terça

O deputado maranhense é considerado inexperiente para presidir votações importantes que tramitam na Casa; Fufuca deve lidar também com outra denúncia contra Temer vinda da PGR

Reprodução

O deputado federal maranhense André Fufuca (PP) deve assumir a presidência da Câmara dos Deputados interinamente a partir desta terça-feira (29). Com a viagem de Michel Temer à China, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o atual presidente da casa, assume a chefia do executivo. O sucessor de Maia, Fábio Ramalho (PMDB-MG), também irá acompanhar a comitiva oficial na viagem para o encontro de líderes do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e Africa do Sul), deixando a cadeira para o segundo vice, “Fufuquinha”, como é chamado o deputado de apenas 28 anos.

Esta não é a primeira vez que ele assume a cadeira, já que em julho deste ano ocupou o cargo por uma semana durante o recesso parlamentar. Fufuca só comandou sessões inexpressivas, e desta vez, ele entra em um período em que votações decisórias devem tramitar na Câmara. As principais são de projetos da reforma política: o fim das coligações, de relatoria da deputada Shéridan (PSDB-RR); e os textos do “distritão” e do financiamento público para campanhas e alteração do sistema eleitoral, de relatoria do deputado Vicente Cândido (PT-SP).

Em seu primeiro mandato como deputado Federal, André Fufuca não tem consistência para presidir sessões de tamanha importância. Líderes e integrantes da Mesa Diretora avaliam como imprudente colocar sob o comando do jovem maranhense, o que pode dificultar o avanço das propostas.

Em geral, as votações são vistas como difíceis de serem aprovadas. A implantação do “distritão”, que precisa de um quantitativo de 308 votos para passar, é alvo de críticas de diversos partidos da oposição, os quais tentam impedir a votação. Já o financiamento público das campanhas, que estipula um fundo de R$ 3,6 bilhões para as eleições do ano que vem repercutindo de forma negativa na opinião pública. A tendência é que na ausência de Rodrigo Maia apenas o texto sobe o fim das coligações partidárias e cláusula de desempenho dos partidos políticos seja votado.

No entanto, caso isso aconteça, o governo ficara com prazos apertados para que as propostas de reforma política sejam validadas já para as próximas eleições, em 2018. Para isso, o texto do “distritão” precisa ser aprovado em duas votações na Câmara e mais dois turnos no Senado até o dia 7 de outubro, data que marca o período de um ano antes do pleito.

Outro ponto com o qual Fufuca pode lidar durante os nove dias sob o comando da Câmara é a possibilidade de uma nova denúncia contra Michel Temer. Um eventual pedido do Procurador Geral da República, Rodrigo, Janot, ainda deve passar pelo STF, mas a chance de chegar à Câmara afeta os ânimos dos deputados.

Sobre André Fufuca

De família tradicional na política, André Luiz de Carvalho Ribeiro herdou o apelido do pai, Francisco “fufuca” Dantas (PMDB-MA), prefeito de Alto Alegre do Pindaré. Por isso, André Fufuca, é mais conhecido no Maranhão como Fufuquinha.

Nascido em Santa Inês, o Fufuquinha é formado em medicina. Foi eleito o deputado estadual mais jovem do país, com apenas 21 anos, pelo PSDB, em 2010. Durante o mandato, presidiu a Comissão de Assuntos Municipais e Desenvolvimento Regional e Comissão de Saúde. Em 2014, foi eleito deputado federal pelo Partido Ecológico Nacional (PEN), com mais de 56 mil votos.

André Fufuca Migrou para o Partido Progressista (PP) no ano passado. Seguiu a legenda nas votação do Impeachment de Dilma Rousseff e na votação contra o prosseguimento de denúncia contra Temer, em julho deste ano. Foi um dos 43 congressistas que não participaram da votação que cassou o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, em setembro do ano passado. Apesar de estar presente na sessão, foi impedido de registrar o voto por oficialmente estar de licença por motivos de “interesse particular”.

O deputado ganhou destaque durante a discussão do processo de Cunha no Conselho de Ética, quando o também deputado, Júlio Delgado (PSB-MG), foi contra a entrada de Fufuca no colegiado por ser ligado a Cunha.

Delgado afirmou que Fufuca chamava Cunha de “papi” nos corredores do Congresso. A reação de Fufuca é sucesso no YouTube. Ele aparece chamando Delgado de “moleque” e diz que nunca usou a expressão “papi”. Apesar das negativas, nunca escondeu seus serviços à favor do peemedebista. Em plenário, ele chegou a comparar a acusação contra Cunha à contra Tiradentes, herói da Inconfidência.

MOSTRAR MAIS