Técnica capilar

Higienizar os cabelos… sem shampoo?

Conheça o ‘low poo’ e ‘no poo’, técnicas que eliminam ou substituem o uso do produto de higiene para garantir vida e nutrição aos fios

A estudante Giovana Kury é adepta à técnica 'no poo'. Foto: Lucas Fonseca

Já imaginou a vida sem o uso do shampoo? Adeptos de uma tendência que vem crescendo no mundo todo – especialmente entre quem tem cabelos crespos e cacheados – apostam que sim, é possível, e apontam malefícios no uso do produto de higiene. Conheça as técnicas ‘No Poo’ e ‘Low Poo’, e confira as dicas de como aderir às práticas.

O VILÃO: SULFATO

A espuma do shampoo é sinônimo de limpeza para muitas pessoas. Para elas, quanto mais se esfrega o couro cabeludo, mais limpo ele está. No entanto, muitas vezes o processo retira do couro óleos essenciais e naturais, deixando o cabelo ressecado – problema mais comum entre os cacheados e crespos. Isso acontece por conta de algumas substâncias presentes no produto, como o sulfato, que agride a estrutura dos fios.

A saída para algumas pessoas que notaram os danos no uso do shampoo, foi eliminá-lo de vez da rotina e substituí-lo por cremes sem os chamados ‘petrolatos’ (outras substâncias nocivas aos fios, derivadas do petróleo presentes em condicionadores e demais produtos) para higienizar o couro cabeludo, ou usar, em seu lugar, shampoos mais suaves, sem sulfato.

É estranho de início: esfregar o couro cabeludo sem espuma pode fazer o processo parecer errado. No entanto, os adeptos afirmam que a higienização é eficaz.

PETROLATOS

Outro vilão apontado nos produtos de higiene e beleza pelos adeptos da tendência é o petrolato. Subprodutos do petróleo como a parafina, vaselina e óleo mineral podem ‘maquiar’ os fios, deixando apenas uma ‘aparência saudável’, sem de fato tratar.

É uma via de mão dupla: o condicionador – e seus derivados do petróleo – mascara o fio com brilho artificial, e o shampoo agressivo, com sulfato, retira a ‘maquiagem’ na lavagem seguinte.

A SOLUÇÃO

Nos métodos ‘no poo’ e ‘low poo’, existem várias formas de lavagem: com condicionadores e cremes (sem petrolatos), ‘higienizadores’ e shampoos sem sulfato, e até chás e argilas. Para que o processo funcione, é preciso eliminar tanto os sulfatos quanto os petrolatos.

O primeiro passo é lavar os cabelos com um shampoo anti-resíduos para retirar por completo os petrolatos dos fios. A partir daí, basta utilizar os produtos ‘liberados’ e realizar a lavagem com cremes, chamada de ‘co-wash’. Para que a limpeza seja efetiva, é preciso fazer movimentos circulares e leves com as pontas dos dedos no couro cabeludo, sem pressionar tanto. Paciência é a chave.

Atualmente, já existem diversas linhas de cosméticos próprias para as técnicas, geralmente indicadas nas próprias embalagens. O preço dos produtos varia: pode-se encontrar de cremes populares, com cerca de um litro por R$ 10,00 a R$ 15,00, até produtos de marcas mais caras, que chegam a R$ 100,00.

Os adeptos, entretanto, recomendam: é preciso ler sempre os rótulos para identificar substâncias ‘proibidas’, nocivas ao cabelo. Confira a tabela.

A técnica, acompanhada do cronograma capilar – tratamentos de nutrição, reparação e hidratação, feitos a partir das necessidades específicas de cada cabelo e do grau de porosidade dos fios –, pode mudar completamente o aspecto dos cabelos.

A estudante Fabiana Lima, que conheceu a técnica há dois anos mas só iniciou há seis meses por ter ‘achado muito estranho’ lavar os cabelos sem shampoo, achou a mudança notória. ‘Eu sinto meu cabelo mais leve, hidratado e macio. Sinto que ele não precisa mais de tanto produto pra ficar do jeito que eu gosto, definido’, comenta.

Ela, que se agradou por ver o crescimento do cabelo com a técnica, passou a procurar produtos mais baratos e opções naturais para cuidar dos cabelos.  ‘Às vezes eu lavo com co-wash [lavagem com condicionador], e quando sinto que ele está mais sujo, lavo com um shampoo para low poo. Higienizo duas ou três vezes na semana e hidrato com máscaras liberadas para a técnica. Também uso óleos vegetais e faço muitas receitinhas caseiras, que a gente encontra no Youtube’, explica.

Adepta da prática, Giovana Kury conta que após passar por muitos procedimentos químicos, viu no ‘no poo’ uma saída para recuperar os fios. ‘A única coisa que eu estranhei foi que o condicionador que eu usei pra substituir o shampoo não fazia espuma’. Ela afirma que logo depois da primeira vez que utilizou a técnica, seus cabelos ficaram mais ondulados do que eram. ‘Quando eu fiz o no poo, ele ficou bem mais uniforme e natural’, completa.

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