LAVA JATO

Após delação, Temer faz reunião de emergência com ministros de governo

A intenção é avaliar o conteúdo das delações, vazadas à Lava-Jato. O encontro já acontece, no Palácio do Jaburu, e Temer deve discutir medidas para a retomada da economia ainda este ano

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Por conta das delações de ex-executivos da Odebrecht, citando nomes da cúpula do governo Temer, o atual presidente da República convocou uma reunião de emergência com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha e outros ministros de governo. A intenção é avaliar o conteúdo das delações, vazadas à Lava-Jato. O encontro já acontece, no Palácio do Jaburu, e Temer deve discutir medidas para a retomada da economia ainda este ano, que têm exatos 20 dias para chegar ao fim.

Segundo o líder do PSD, Rogério Rosso (DF), que esteve com Temer na tarde deste domingo, 12 de dezembro,  o presidente receberá a equipe econômica durante a noite para tratar de um pacote de medidas para recuperar o emprego, a ser lançado nesta semana. Agora, Temer recebe o secretário-executivo do Programa de Parceria de Investimentos, Moreira Franco. Padilha se juntará à equipe no início do noite.

A reunião ocorre na mesma semana da divulgação de um dos termos do acordo de delação premiada do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebretch,  Carlos Melo Filho, que cita Temer, Moreira e Padilha nos depoimentos de executivos da empreiteira à Lava-Jato.De acordo com Rosso, Temer está “sereno”. “A prioridade é a retomada da economia.  No Senado, a PEC dos gastos. E na Câmara, a reforma da previdência. O foco é o ajuste fiscal e o presidente disse que confia nas instituições e na independência dos poderes, principalmente do Judiciário”, disse o deputado.

O líder do PSD disse, ainda, que a reunião de urgência deste domingo tratará de um pacote de medidas, que deve ser lançado nesta semana. “São uma série de ações para geração de emprego e renda no curto prazo”, afirmou.

Entenda o caso

Cláudio Melo Filho afirmou em delação que Temer pediu R$ 10 milhões ao empreiteiro Marcelo Odebrecht em 2014. Oficialmente, o Planalto negou ontem à noite a informação e afirmou que não há mais comentários a serem feitos. A delação premiada que atingiu em cheio a cúpula do PMDB e do governo, inclusive o presidente Michel Temer — citado 43 vezes no depoimento —  impôs um movimento de cautela a integrantes do Palácio do Planalto.

Interlocutores do Executivo dizem que é preciso aguardar o desenrolar dos depoimentos, que ainda precisam ser comprovados, mas não negam a preocupação com possíveis impactos das delações. Segundo depoimento do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, Carlos Melo Filho, a empreiteira destinou dinheiro de caixa 2 para campanhas eleitorais e ainda fez repasses para a aprovação de medidas de interesse da construtora no Congresso Nacional.
Está prevista para a próxima terça-feira, a última votação da PEC do Teto dos Gastos e da LDO. O governo não quer que a tramitação dessas medidas, e da reforma da Previdência, sejam prejudicadas com o teor das delações dos ex-executivos da Odebrecht.

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