Num primeiro momento da trama de Joy, tudo vai bem, num embalo de graça à la Wes Anderson (especialmente parecido com o longa Os excêntricos Tenenbaums). Há momentos constrangedores, já que o personagem Tony (Édgar Ramírez), metido a cantor, credita a um venezuelano a autoria de Águas de março.
Naquele que é chamado o “país das oportunidades”, os Estados Unidos assentaram a história real que deu base ao filme. Inserida no mundo dos negócios, buscando patentear esfregão revolucionário para as donas de casa, Joy emociona, com a dignidade de um Will Smith do marcante Em busca da felicidade.
É no lado B do filme, porém, que o diretor se perde, quando desponta a vertente justiceira da protagonista. Tudo é muito abrupto e o cineasta parece se render demais ao apelo da publicidade que ele passa a encenar na narrativa. Determinada em excesso, é a hora em que a garota propaganda feita por Lawrence perde bastante da credibilidade, reflexo talvez da pouca idade da atriz para o papel.