CULTURA

X Semana do Teatro tem abertura com a peça Pão com Ovo

O espetáculo será apresentado logo após a solenidade de abertura a partir das 19h00

Pão com Ovo
A comédia Pão com Ovo abre a programação da noite da X Semana de Teatro no Maranhão hoje, às 20h30. As peripécias de Clarisse (César Boaes), Dijé (Adeilson Santos) e Zé Maria (Charles Júnior) vão encher o palco do Teatro Arthur Azevedo com o tema desta temporada A Vingança de Zé Maria.
O espetáculo será apresentado logo após a solenidade de abertura que terá como homenageadas pela Comissão de Teatro os atores e atrizes, Urias de Oliveira, Uimar Junior, Júlio César da Hora, Gilson César, Paixão, Sandra Cordeiro, Mundinha Araújo, Lúcia Gato, Jô Santos, Josué da Luz, Lauande Aires, profissionais de teatro que dedicam suas vidas e seus trabalhos às artes cênicas, em especial ao teatro.
Embora a abertura seja somente às 19h, três oficinas já começam nesta segunda-feira, a partir das 8h. Música Cênica e Construção de Instrumentos, ministrada pelo professor Luciano Bruno Ferreira “Millor”, do Rio de Janeiro, na Sala de Oficina do Odylo Costa, Filho, das 8h30 às 12h; no mesmo horário, na Sala de Dança do TAA, acontecerá Poéticas do Desterro: a criação cênica e dramatúrgica a partir do exílio, com os professores de Natal (RN) Fernando Yamamoto e Paula Queiroz; e Gestão e Produção em Teatro de Grupo, com Renata Kaiser (Natal), no Auditório do Prédio de História UEMA –Praia Grande, das 13h30 às 17h.
Na Praça Deodoro, a partir das 16h, vários artistas participam, do cortejo de abertura da semana com os trabalhos Intervenções Poéticas Palavras Perambulantes (Nhá Caboca/MA) e Performance Pirataria – DRAO Teatro da (in) Constância/MA.
Em comemoração aos dez anos ininterruptos do evento que já faz parte do calendário cultural do estado, a X Semana de Teatro no Maranhão, promovida pelo governo do estado e realizada pela secretaria de estado da Cultura, terá em sua programação a realização de 8 oficinas ministradas por profissionais de teatro maranhenses e convidados de outros estados.
Para os espetáculos, performances e intervenções foram selecionados 20 trabalhos de São Luis, 4 do interior do estado e 3 de outros estados para participar da programação. O acesso aos espetáculos é gratuito, com retirada dos ingressos nos teatros e espaços onde serão apresentados, a partir das 14h, no dia do espetáculo em cartaz.
Pão Com Ovo
Ainda em itinerância com a turnê Pão com Ovo em várias cidades maranhenses, os atores da Companhia Santa Ignorância, Adeilson Santos, Cesar Boaes e Charles Junior chegam a São Luís para abrir a semana de espetáculos na cidade. A comédia de costumes maranhense, sucesso de público e de crítica, que já ganhou repercussão até fora do Brasil, vem com o texto A Vingança de Zé Maria. Nele, Zé Maria fala grosso com Dijé, resolve enfrentá-la, até que Dijé descobre as armações dele, e aí o desfecho e a reviravolta, só conferindo. É riso garantido.
Além das cenas de Dijpe, Zé Maria e Clarisse, o público também presencia outras, como a da praia, entre outras. A turnê Pão com Ovo termina dia 14 em São Luís.
Duas perguntas//César Boaes
Qual a sua opinião sobre a Semana do Teatro enquanto formadora de plateia?
Ela é importante para a sedimentação do teatro no Maranhão, mas precisa ser repensada, esse modelo precisa ser reestruturado. Não se forma plateia levando as pessoas ao teatro uma vez por ano. A formação de plateia é um proceso contínuo. A semana deveria ser a culminância de um grande projeto. Durante todo o ano deveriam ser pensados propostas, projetos, um programa de fato. A Semana tinha que ser apenas um projeto dentro desse programa. Porque senão ela vira só um evento anual, e política de evento a gente já está cansado. A curadoria dessa Semana precisa ter uma estrura maior, ver que espetáculos trazer, por quê trazer esses espetáculos… Então a gente não pode entrar nesse neoclonialismo cultural. É preciso ser pensado o dialogo do Maranhão com o Nordeste, com os nosso vizinhos, e a partir daí expandir isso. Essa programação precisa ser difversificada, ela não pode ser uma programação excludente, elitizada, de espetáculos sizudos de teatro. Precisa mostrar as diversas formas do fazer artístico teatral.
E como tem sido a repercussão da turnê Pão com Ovo?
Esse projeto foi um grande divisor de água pra gente no sentido de começar a perceber a repercussão que o nosso trabalho chegou. A gente conseguir penetrar outras cidades do Maranhão com praças com cinco, seis mil pessoas, é gratificante porque a gente percebe que o trabalho que a gente desenvolveu em São Luís se estendeu. Isso para o artista é tudo. Além da realização de um sonho, além de você poder realizar o trabalho com uma boa estrutura, com profissionalismo, conhecer melhor a nossa terra, perceber as diferenças de regionalidade… O público, precisa, almeja e está ansioso. Ele quer a cultura, quer ver o teatro. As outras cidades do Maranhão ficaram muito desprovidas dos equipamentos culturais, como teatro, cinema, galerias de artes. Então ver uma praça com cinco mil pessoas é uma prova de que o povo quer ocupar os espaças públicos, quer ver a cultura. Não é que as pessoas não gostem do teatro, elas não foram acostumadas a isso. E com a Lei de Incentivo à Cultura a gente está tendo a oportunidade de dialogar com as outras cidades do Maranhão. Isso é gratificante.
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