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Profissionais se capacitam para o atendimento em saúde mental

Desde o início do ano, o Departamento de Atenção à Saúde Mental tem feito webconferências na terceira semana de cada mês

Disponibilizar o acesso a diferentes temáticas importantes para melhorar a qualidade de vida daqueles que convivem com limitações mentais, tem sido uma das ações da Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio do Departamento de Atenção à Saúde Mental, que dando continuidade ao projeto ‘Saúde Mental em um click’, realizou na tarde dessa quarta-feira (17), uma webconferência com o tema: ‘Saúde Mental e Religiosidade’, em parceria com o Telessaúde do Hospital Universitário Presidente Dutra da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
Desde o início do ano, o Departamento de Atenção à Saúde Mental tem feito webconferências na terceira semana de cada mês, promovendo um momento de capacitação a todos os profissionais que trabalham diretamente com saúde mental de todo o Estado, a exemplo dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Dentre os assuntos que já foram discutidos por meio de webconferência este ano, estão: ‘Saúde Mental e Atenção Básica’, ‘Saúde Mental e Direitos Humanos’, ‘Saúde Mental e Drogas’, ‘A Luta Antimanicomial’ e, agora, ‘Saúde Mental e Religiosidade’.
“As discussões sempre são interessantes, com temas vivenciados na prática em nosso dia a dia, e que auxiliam no bom desenvolvimento do nosso trabalho”, ressalta a Coordenadora do CAPS III, voltado para pacientes com transtorno mental grave e persistente, Ana Gabriele, que participa das webconferências desde a primeira abordagem.
Esse recurso foi pensado para permitir que o maior número de pessoas participe das discussões. Por isso, os temas são divulgados com antecedência por meio do Conselho dos Secretários Municipais de Saúde (COSEMS) para que no dia marcado, os interessados possam acessar o link do telessaúde e participar de qualquer lugar do Brasil.
“Nesse mês definimos o tema ‘Saúde Mental e Religiosidade’, porque é importante saber falar de religiosidade com nossos pacientes. Muitos deles procuram primeiro tratamento através de alguma religião, e depois tratamento clínico, por isso é válido termos o entendimento das religiões”, esclarece, Márcio Menezes, Coordenador de Saúde Mental do Estado.
Além do coordenador, participaram como palestrantes o pastor bacharel em teologia e com licenciado em filosofia, Dárcio Maciel, da Igreja Cristã da Ilha, o babalorixá Mariano Frazão, do Terreiro Ilé Axé OmóOssain, e o frei e psicólogo, Francisco Sales, Pároco da Paróquia Santo Antonio de Pádua. “Pela webconferência falamos sobre as ansiedades básicas do ser humano e as respostas que o evangelho dá a essas ansiedades. Nessa oportunidade podemos expor a impressão que temos de fé e como ela pode influenciar no tratamento dos transtornos mentais”, pontuou o pastor Dárcio Maciel.
Para o babalorixá Mariano Frazão, o momento foi importante para desmistificar a cultura de religiões de origem africana. “Podemos explicar as práticas terapêuticas do terreiro e a forma como as pessoas são cuidadas. As tradições afro também falam de equilíbrio, e lá temos o trabalho de acolher e aconselhar quem precisa. Para nós, existem doenças mentais que não são para serem tratadas apenas no hospital, e entendemos que os dois tratamentos podem andar juntos. A falta de conhecimento é que faz muitos terem uma visão errada de algumas religiões”, justificou, Frazão.
O Frei Francisco Sales, ressaltou que o momento foi oportuno para que os profissionais refletissem sobre a doutrina da Igreja Católica, como compreender a realidade do sofrimento humano e a melhor forma de encontrar respostas a partir do diálogo entre fé e ciência. “As pessoas têm fé! Por esse motivo, é fundamental que haja esse diálogo para ajudar a compreender a dimensão religiosa de cada um e como isso pode influenciar em suas vidas”, esclareceu.
Segundo Janete Valois, técnica do Departamento de Atenção à Saúde Mental, a discussão sobre saúde mental e religiosidade é oportuna, pois desde o início da psiquiatria houve essa relação próxima entre transtornos mentais e as religiões. “Em alguns casos, há pacientes que acreditam mais nos líderes religiosos do que na conduta terapêutica da equipe. Os profissionais saem desse encontro conhecendo como algumas religiões lidam com essa temática. O alcance da webconferência é para permitir que, quem sabe futuramente, possamos estabelecer uma única linha de cuidado”, assegurou Janete Valois.
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