
Eles são donos da maior bilheteria do cinema francês dos últimos anos. Mas os diretores Eric Toledano e Olivier Nakache garantem que não se sentiram pressionados a repetir, com ‘Samba’, o sucesso alcançado com ‘Os intocáveis’ – mais de 20 milhões de ingressos vendidos. Em cartaz no Festival Varilux, ‘Samba’ tem Omar Sy, ganhador do César de melhor ator pelo papel do enfermeiro em ‘Os intocáveis’ (2013), como protagonista.
“A vida é curta e a regra é ‘sem pressões’”, disse Nakache, apoiado pelo parceiro. Apaixonados pela música brasileira, eles dizem seguir à risca o versos “(…) take it easy my brother Charlie” cantados por Jorge Benjor. “Não tem por que estressar. Todo mundo sonha com o sucesso. Todo mundo continua depois disso. O mais importante é ter responsabilidade com o tema. Ser verdadeiro com nós mesmos. O que você quer fazer, contar e filmar hoje”, completa.
Os dois vieram ao Brasil para divulgar o filme. Na tarde da última quinta, em Copacabana, exibiram descontração e só pareciam preocupados em aprender expressões brasileiras e brincar com as sílabas anasaladas do nosso idioma. Samba tem distribuição garantida no Brasil pela California Filmes.
A dupla não perde o humor nem o direcionamento que pretende para a carreira. Os temas sociais são o forte de ‘Samba’. Se os diretores classificam ‘Os intocáveis’ como uma comédia com drama, agora fazem o inverso. O nome do filme é o mesmo do protagonista, personagem de Sy. Batizado como uma homenagem à dança, ele é um senegalês vivendo ilegalmente em Paris e que tenta sobreviver como pode. Em meio aos bicos, convive com a executiva Alice (Charlote Gainsbourg) e o colega (Tahar Rahim) que se passa por brasileiro.
Os diretores afirmam que em nenhum momento pensaram em fazer uma continuação para ‘Os intocáveis’, cujo sucesso fez a atenção de Hollywood se voltar para eles. Eles dizem que consideram filmes em sequência como receitas de bolo, não cinema. Mesmo assim, receberam – e leram – vários roteiros americanos. Foram e voltaram de Los Angeles para reuniões.
“Mas temos algo especial na França: liberdade”, diz Toledano. “(Hollywood) Não é para a gente. Talvez mais para a frente. Queremos fazer um filme em inglês, mas do nosso jeito”, completa. “Prefiro estar no sistema de arte a estar no do marketing, do negócio. Enquanto eu viver neste mundo, estarei tranquilo comigo mesmo”, acrescenta Nakache.
Os dois se conheceram em um acampamento de férias, em 1995. Desde então, são amigos e coautores. Já fizeram cinco filmes juntos. No permanente tom de brincadeira, garantem que não há qualquer disputa no set. Dizem ser linha dura. “Escolhemos até o lanche”, conta Nakache.
Enquanto ‘Samba’ começa a circular no exterior, o próximo roteiro da dupla está sendo desenvolvido, novamente com o olhar voltado para as questões atuais, sobretudo as de seu país. Desta vez farão uma comédia, nos moldes do humor negro que o diretor argentino Damián Szifrón usou em ‘Relatos selvagens’ (2014).
“Com temas sociais, porque sempre estarão presentes. Temos que falar sobre o nosso país, a nossa sociedade. É um mix. Mas talvez seja mais divertido. O mundo em que estamos vivendo tem problemas muito tristes. Precisamos de pessoas alegres para suportar”, diz Nakache.
TIPO EXPORTAÇÃO
Se os diretores Eric Toledano e Olivier Nakache permanecem firmes em defesa do cinema francês, o ator Omar Sy já partiu de mala e cuia para a América do Norte. “Eles nos roubaram”, brinca Toledano. O astro está em Jurassic World: o mundo dos dinossauros, que acaba de estrear. Ano passado, fez Risco imediato e X-Men: Dias de um futuro esquecido.