Representantes de grupos de bumba meu boi da Grande São Luís divulgaram uma carta aberta na qual apresentam uma série de reivindicações voltadas à valorização, proteção e fortalecimento da manifestação cultural maranhense, reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade desde 2019.
O documento foi construído coletivamente por entidades representativas dos diferentes sotaques do bumba meu boi e reúne demandas relacionadas à valorização econômica dos grupos, à ampliação de políticas públicas de cultura, à preservação dos saberes tradicionais e à garantia de participação dos brincantes na formulação de ações voltadas ao setor.
Na carta, os representantes destacam que, apesar do reconhecimento nacional e internacional da manifestação, muitos grupos enfrentam dificuldades que colocam em risco a continuidade das tradições, a transmissão dos conhecimentos entre gerações e a própria sustentabilidade das agremiações culturais.
O texto é assinado pela Central de Bumba Meu Boi da Baixada e Costa de Mão, Federação das Entidades Folclóricas e Culturais do Estado do Maranhão, União de Bumba Bois de Orquestra do Maranhão e Clube Cultural de Bumba Meu Boi de Zabumba. As propostas foram consolidadas durante encontro realizado em março deste ano, no Teatro Cazumbá, no Centro Histórico de São Luís.
Entre as principais reivindicações está a revisão dos critérios de classificação adotados pelo Estado e pelo Município para contratação dos grupos, além da defesa de maior equilíbrio na distribuição das apresentações entre os diferentes sotaques. As entidades também pedem igualdade de condições nos espaços de divulgação, tratamento diferenciado para grupos considerados em situação de vulnerabilidade, como os de Costa de Mão e Zabumba, e o fim da interferência política nos processos de contratação.
Outra demanda apresentada é a criação de mecanismos que reduzam a burocracia para acesso aos editais e contratos públicos. Os grupos defendem ainda o pagamento antecipado de parte dos cachês para viabilizar despesas com figurinos, instrumentos, transporte e alimentação durante o período junino.
No eixo voltado à infraestrutura e autonomia, a carta solicita apoio para manutenção e reforma dos barracões, assistência técnica para regularização documental das entidades culturais e 0ferta de capacitações voltadas à elaboração de projetos e captação de recursos.
A preservação dos saberes tradicionais também ocupa espaço central no documento. Os representantes propõem a retomada e ampliação de projetos de educação patrimonial nas escolas, ações de apoio às comunidades que mantêm a tradição do bumba meu boi, além da criação de um comitê permanente de salvaguarda com participação direta dos grupos culturais.
Entre as propostas estão ainda a realização de inventários específicos para os sotaques considerados mais vulneráveis, iniciativas de reconhecimento aos mestres e mestras da cultura popular, políticas de saúde voltadas aos brincantes e apoio institucional para festivais tradicionais realizados nas comunidades.
Ao final da carta, os representantes afirmam que o bumba meu boi não pode ser tratado apenas como produto turístico e defendem políticas públicas construídas com a participação efetiva dos detentores da manifestação cultural. O grupo também solicita a realização de uma audiência pública para discutir as demandas apresentadas e construir soluções conjuntas para o fortalecimento do patrimônio cultural maranhense.
Para os signatários, a valorização do bumba meu boi passa não apenas pelo reconhecimento simbólico da manifestação, mas pela adoção de medidas concretas que garantam a continuidade dos grupos, a preservação dos sotaques tradicionais e a transmissão dos saberes que constituem uma das mais importantes expressões culturais do Maranhão e do Brasil.
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