Foram esses governadores que, sintonizados com os princípios da democracia e diante do ambiente instável criado pela oposição, desativaram a bomba do Impeachment de Dilma Rousseff
Por: Raimundo Borges
Secularmente condenado a todo tipo de estereótipos e discriminação, o Nordeste finalmente está mostrando a sua nova cara. Na economia, os indicadores de crescimentos vêm deixando para trás as regiões tradicionais que abrigam a riqueza brasileira: Sudeste e Sul. Na seara política, também o Nordeste tem mostrado capacidade de articulação, oferecido lideranças fortes, principalmente da nova geração de detentores de poder.
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Agora, são os nove governadores nordestinos eleitos em 2014 que estão colocando a região na pauta federal. O Fórum de Governadores do Nordeste discutiu, no último fim de semana, em Natal, os efeitos dos ajustes fiscais nas contas dos estados. Eles chegaram à conclusão de que, só unidos como região, terão condições de expor e exigir tratamento diferenciado, para aliviar a agonia orçamentária e financeira por que passam.
Afinal, é inegável a força do grupo. Foram esses governadores que, sintonizados com os princípios da democracia e diante do ambiente instável criado pela oposição, desativaram a bomba do Impeachment de Dilma Rousseff. De posse de um catálogo de obras federais paradas e canceladas pelos estados do Nordeste, o Fórum dos Governadores pressiona pelo descontigenciamento de recursos capazes de acelerar a conclusão dos projetos, indispensáveis à vida econômica em praticamente todos os setores geradores de emprego, produção e renda.
O governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria, que recebeu o estado com seus serviços públicos altamente deteriorados, percebeu que só juntados todos será possível exercer pressão, levando a tiracolo o apoio das bancadas parlamentares da região. Flávio Dino vestiu a camisa do Fórum e está fazendo a sua parte. A causa é de todos. Os governos perdem com a queda do IPI, do IR, que recai no FPE, ICMS, etc. Na penúria, querem que o governo federal destrave as possibilidades de os estados atraírem recursos internacionais, além de medidas visando resolver a curtíssimo prazo os efeitos da estiagem prolongada.