O Imparcial e UFMA

Um laboratório para desenvolvimento do jornalismo

Ao longo de sua trajetória, O Imparcial sempre caminhou de mãos dadas com a academia

Era 1971. A Universidade Federal do Maranhão estava estruturando o recém-criado curso de Comunicação Social. A primeira turma ávida por conhecimento formal e professores na expectativa dos resultados para o que seria o início da história do jornalismo no Maranhão. Afinal de contas, ali se formariam as mentes opinativas, contestadoras e divulgadoras dos acontecimentos. Agora, não só de fato, mas também de direito.
É nesse cenário que o jornal O Imparcial faz história. O veículo de comunicação participou diretamente do desenvolvimento do curso de Jornalismo e foi crucial para estruturar essa nova formação que dava os primeiros passos. Assim, o jornal contribuiu para a formação de centenas de profissionais que hoje atuam na mídia local. E ainda contribui.
“Evidentemente, assim como os cursos de jornalismo nas demais localidades do país, aqui também começou de forma tímida. Não havia laboratórios, nem estrutura necessária e adequada para seu desenvolvimento”. O relato é do professor Arnold Filho, atual diretor da Rádio Universidade FM, relembrando a graduação que iniciava as atividades.
À época, cursava Direito, porém, mais tarde ingressaria no Jornalismo. “O jornal O Imparcial, que era e ainda é um dos melhores de São Luís e de grande porte, contribuiu, assim como outros veículos, com suas oficinas e instalações para a parte prática do curso. Muita coisa prática do curso foi realizada nestas estruturas”, relembra.
O professor enfatiza a importância do jornal O Imparcial e pontua ser este o mais antigo em circulação do estado. Situa ainda ser parte de um dos maiores conglomerados de comunicação não só do Brasil, mas da América Latina, formado por impressos, revistas, rádios e emissoras de televisão – o Grupo Diários Associados.
“Daí veio a rede Tupi, o marco da televisão brasileira. Os Diários já foram em número e poder, maior que a Rede Globo no Brasil. E, atualmente, em número, representam ainda o maior grupo de veículos de comunicação do país. Inserido neste contexto, sem dúvidas, O Imparcial é um veículo de grande importância”, exemplifica.
Arnold Filho sabe bem a história relatada, pois, além de acompanhar o nascimento do jornalismo formalizado no Estado, trabalhou no grupo Diários Associados. Foi locutor e diretor da Rádio Gurupi entre 1977 a 1981 – hoje, atual Rádio São Luís. Também teve seus artigos publicados nos jornais do grupo, entre estes, no O Imparcial.
Para Arnold, a contribuição deste matutino se soma ao fato de ter sido palco de formação dos futuros jornalistas e berço da informação com credibilidade. “Tive e tenho gratas memórias desse momento, uma experiência gratificante. É uma casa da qual ainda me sinto parte e que me traz boas lembranças”, conclui.
Foto: Arquivo Pessoal.


Arquivo Pessoal

Protásio, chefe do departamento de comunicação da UFMA

“É uma ‘jovem’ empresa de comunicação e que tem uma contribuição muito forte e sempre presente para o curso desta universidade”, diz o professor e chefe do Departamento de Comunicação Social da UFMA, Protásio Cézar dos Santos, referindo-se ao fato do impresso ser um campo de estágio para os estudantes do curso. Ele lembrou a boa relação do jornal com a universidade, que gerou situações de acolhida como o ‘empréstimo’ da gráfica à instituição.

“Tivemos um problema com nossas máquinas e o Pedro Freire, já integrante do jornal e nosso aluno, ofereceu a estrutura para impressão do jornal do curso”, recorda. Cita ainda os muitos professores da universidade que passaram pelo matutino. “Podemos dizer que O Imparcial e a UFMA são gêmeos siameses, alicerces da boa formação, da boa informação, da ética e de um trabalho em prol do jornalismo”, diz. Protásio conclui afirmando que o matutino dispõe ao seu leitor um conteúdo honesto. “Há imparcialidade, permitindo ao leitor tirar suas próprias conclusões”.
O Imparcial é uma referência na imprensa maranhense, sobretudo por ter registrado os fatos mais marcantes do século XX e deste início de século XXI, aponta o doutor em Comunicação pela PUC/SP e professor da UFMA, José Ferreira Junior. Ele aponta como diferencial do matutino a sobriedade e o equilíbrio que preserva.
Ferreira Junior coordenou uma pesquisa que gerou artigo intitulado ‘Jornalismo digital: um estudo de caso sobre O Imparcial’. O trabalho fez uma profunda análise sobre a migração do impresso para o ambiente digital, transição essa que, em sua avaliação não está finalizado, mas pelo qual o matutino passa com eficácia.
“Constatamos que o veículo tem acompanhado as fases pelas quais, de modo geral, toda a mídia impressa tem passado, a fim de se adaptar às novas demandas da convergência de mídia e das multiplataformas que esta disponibiliza”, avalia.
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