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Empresas colocam reestruturação no centro da estratégia no início de 2026

Reforma Tributária, juros elevados e judicialização ampliam a integração entre gestão, tecnologia e governança jurídica

(Foto: Reprodução)
(Foto: Reprodução)

O início de 2026 consolida a reestruturação empresarial como eixo central da estratégia das empresas brasileiras. A combinação entre mudanças tributárias, custo elevado do capital e aumento da judicialização pressiona organizações a revisar processos, estruturas e modelos de gestão para preservar resultados ao longo do ano e evitar problemas no futuro.

Tradicionalmente associado ao planejamento anual, o diagnóstico interno assume caráter mais técnico. A revisão de estruturas passa a considerar eficiência operacional, exposição jurídica e capacidade de adaptação ao novo ambiente regulatório. A gestão deixa de atuar de forma isolada e passa a incorporar o compliance como variável permanente da tomada de decisão.

A transição da Reforma Tributária concentra parte relevante das atenções em 2026. As empresas iniciam o período de testes do novo sistema, com a obrigatoriedade de destaque do IBS e da CBS (os dois novos tributos criados pela Reforma Tributária) nas notas fiscais, ainda sem impacto financeiro direto. A adaptação exige atualização de sistemas, revisão de cadastros e organização de dados, sob risco de inconsistências e processos trabalhistas futuros.

No campo da gestão, o uso de tecnologia avança como instrumento de controle e eficiência. A adoção de inteligência artificial, automação de processos e ferramentas de people analytics (usar dados para tomar decisões sobre pessoas dentro da empresa) aparece como alternativa para ampliar produtividade sem expansão proporcional de custos. Modelos de trabalho híbridos permanecem em vigor e impõem ajustes na estrutura de liderança e controle.

A governança corporativa ganha espaço em meio ao cenário de restrição financeira. Critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) passam a influenciar decisões de crédito, avaliação de risco e relação com investidores. Em um ambiente de juros elevados e menor margem para erros, o planejamento financeiro rigoroso e a reestruturação preventiva tornam-se mecanismos para reduzir a probabilidade de recuperação judicial, que segue em patamar elevado no país.

Para a advogada Jéssica Farias, especializada em reestruturação empresarial, a integração entre gestão e direito deixou de ser opcional. “A empresa que trata a reestruturação apenas como resposta a crises tende a operar com atraso. O cenário atual exige antecipação, sobretudo na adequação tributária e no controle de riscos jurídicos”, afirma.

Ela avalia que a falta de políticas consistentes de compliance amplia a judicialização, especialmente em temas ligados à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e às relações de trabalho. Na análise da especialista, a ausência de alinhamento entre governança jurídica e gestão financeira cria vulnerabilidades que comprometem a continuidade do negócio.

Ainda na visão da advogada, o ambiente de 2026 indica que a reestruturação empresarial tende a se tornar prática recorrente. “Em um contexto de transição tributária, pressão regulatória e custo elevado do capital, a capacidade de integrar estratégia, tecnologia e conformidade legal passa a definir o desempenho das empresas no curto e médio prazo”, pontua.

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