SETOR ESPACIAL

Proposta prevê criação de empresa para gerir serviços do Centro de Lançamento de Alcântara

O setor espacial mundial movimenta, ao ano, cerca de U$ 330 bilhões. Agora, o Brasil almeja trazer uma fatia deste dinheiro para o país

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O potencial do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) pode estar perto de ser explorado em sua totalidade: além dos avanços no fechamento do acordo de Salvaguarda Tecnológica entre Brasil e Estados Unidos, a criação de uma empresa pública para gerir as questões comerciais do centro poderá ser votada ainda no ano que vem pelo Congresso Nacional. Atualmente, o CLA já está apto para trabalhar com foguetes lançadores de satélites, mas lança apenas veículos de treinamento.

O setor espacial mundial movimenta, ao ano, cerca de U$ 330 bilhões. Agora, o Brasil almeja trazer uma fatia deste dinheiro para o país. Entre os serviços que poderão ser comercializados, estão lançamentos, aeroporto, ocupação, tracking e porto. “Nós vamos estabelecer um portfólio de possibilidades junto com os técnicos. A Alada [empresa pública] administra esse portfólio dentro daquele sítio que nós já temos”, informa o Major-brigadeiro do Ar Luiz Fernando de Aguiar, presidente da Comissão de Coordenação de Implantação de Sistemas Espaciais.

Num primeiro momento, a empresa não pretende expandir o CLA, que atualmente ocupa 9.256 hectares. Em 1980, 312 famílias provenientes de povoados tradicionais foram remanejadas para comunidades agrícolas nas proximidades do local. Em relação à transferência da população da área, o Major-brigadeiro indicou que o desenvolvimento econômico e as melhorias trazidas pelos investimentos na área tecnológica devem ser levados em conta. “Incomoda? Incomoda. Mas quando nós convencemos essas duas mil pessoas que elas estão migrando para uma área 20 quilômetros distante, para poderem ajudar a alavancar um projeto de espaço que vai favorecer 200 milhões de pessoas, eu acho que elas vão entender”, comenta.

Acordo de Salvaguarda Tecnológica

Há mais de duas décadas os Estados Unidos tentam utilizar o Centro de Lançamento de Alcântara. No entanto, a proposta nunca foi aprovada pelo Congresso brasileiro, sob justificativa de que se tratava de acordo que privilegiava os EUA, e ocultava partes importantes do processo, como as inspeções das cargas. Desde então, a Força Aérea passou a trabalhar junto aos norte-americanos com todas as críticas e ponderações feitas pelo legislativo, para chegar a um novo acordo, mais democrático, finalizado em 2017, e que deve ser votado no início do ano que vem.

“Eles entenderam que verdadeiramente aqueles pontos que lá estavam, se não fossem reequilibrados, não haveria como aprovarmos […] A preocupação deles é que a tecnologia aqui embarcada não vaze, e acreditamos que ao longo desses 16 anos, perceberam que nós somos um país sério, confiável, de bom relacionamento tecnológico, diplomático e militar”, diz o tenente-brigadeiro. Sem o acordo aprovado, além das empresas americanas, nenhum país que utilize peças fabricadas nos EUA poderá lançar artefatos de Alcântara.

Em agosto desse ano, o ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna, reuniu-se com o secretário de Defesa dos Estados Unidos, James Mattis, que indicou o compromisso dos EUA em ajustar os detalhes para que o acordo fique conforme os interesses brasileiros, e seja entendido pelo Congresso.

O CLA

O Centro de Lançamento de Alcântara foi criado em 1983 para atender atividades de lançamento e rastreio de engenhos aeroespaciais e de coleta de processamento de dados e cargas úteis, além da execução de testes e experimentos de interesse do Comando da Aeronáutica, relacionadas à Política Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (PNDAE). O CLA conta com efetivo de 900 militares e servidores civis. Ao todo, 490 veículos foram lançados – alguns destes sub-orbitais. Para o ano que vem está previsto um teste preparatório para o lançamento do Veículo Lançador de Microssatélites, o VLM, que deverá ocorrer em 2021.

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