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Vídeo: Navio Stellar Banner é afundado na costa do Maranhão

Monitoramento será mantido pelos próximos dias a fim de evitar maiores impactos ambientais

As imagens são impressionantes: em menos de 2 minutos, toda a estrutura de um verdadeiro “gigante do mar” é engolida no meio do oceano Atlântico, na costa maranhense.

 “Yeah! Uhhh! Fuck Nice! Jesus!”: palavras de uma das pessoas presentes no momento em que navio é afundado. Tradução: “Nossa! Que chocante! Jesus!”

A Marinha do Brasil já tinha confirmado a informação primeiramente divulgada em O Imparcial de que o Navio Mercante Stellar Banner não havia como ser reparado e, por isso, teria que ser afundado. O afundamento ocorreu exatamente às 10h desta sexta-feira (12), de acordo com a nota emitida pela Marinha, por meio do Comando do 4º Distrito Naval (Com4oDN).

Apesar do momento crucial ter ocorrido de forma rápida, os procedimentos para que o afundamento fosse realizado se iniciaram às 5h e transcorreram, ainda segundo a nota da MB, como planejados e detalhados no Plano de Alijamento, aprovado pela Autoridade Marítima com anuência da Autoridade Ambiental. A nota assegura que a fase de preparação para o afundamento ocorreu “em consonância com os pareceres da Sociedade Protection and Indemnity (P&I) e da organização ITOPF (International Tanker Owners Polutions Federation) que reúnem boas práticas mundialmente reconhecidas nas questões ambientais”, apresenta o texto.

Mancha no mar

Assim que é afundado, o navio jorra líquido de cor marrom, que seria a mistura da água do mar com resíduos do minério de ferro transportados pelo navio graneleiro. Na quarta-feira (3), a Marinha do Brasil já havia informado o encerramento da fase de retirada da carga, com remoção de cerca de 145 mil toneladas de minério de ferro.

De acordo com as autoridades marítimas, agora, após o afundamento, haverá monitoramento da área. “O AHTS (Anchor Handling Tug Supply) Bear, o OSRV (Oil Spill Response Vessel) Água Marinha na contingência, o OSV (Offshore Support Vessel) Normand Installer e o Navio de Apoio Oceânico ‘Iguatemi’, da MB, permanecerão na área pelos próximos três dias, a fim de verificar possíveis objetos que por ventura se soltem do Navio e manchas de óleo na cena de ação”, diz o comunicado, que também informa participação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), com a contratação da aeronave POSEIDON, que realizou voos nesta manhã e continuará no local pelos próximos dias. A Capitania dos Portos do Maranhão também irá manter a fiscalização com as autoridades ambientais estaduais e federais.

Relembre o caso

Stellar Banner encalhou no dia 24 de fevereiro de 2020 após sofrer avaria na proa ao deixar o Terminal Marítimo de Ponta da Madeira

O Stellar Banner encalhou no dia 24 de fevereiro de 2020, após sofrer avaria na proa, ao deixar o Terminal Marítimo de Ponta da Madeira (porto privado da Vale), em São Luís. O problema ocorreu no canal de acesso ao porto, a 100 quilômetros do litoral. O destino da embarcação era a China. O navio é um mineraleiro do tipo Valemax, chamado de super navio ou “gigante do mar”; ele tinha capacidade para transportar até 300 mil toneladas de carga, segundo o site da Polaris, empresa sul-coreana responsável pela fabricação do navio.

O Imparcial tomou conhecimento de que a embarcação flutuava desde a noite de segunda-feira (1º). O Stellar Banner já teria percorrido alguns quilômetros do local onde ficou encalhado por mais de três meses, mas ainda permanecendo no território do Maranhão.

Na quinta-feira (4), com o navio já flutuando, mergulhadores inspecionaram a parte do fundo do navio. No dia seguinte, o relatório fotográfico subaquático da inspeção teria sido entregue ao Departamento de Portos e Costas. O documento comprovou que o casco, principalmente a proa, do Stellar Banner estava deteriorado.

No relatório, constaria que, pelo menos, três porões da embarcação estavam com problemas que afetavam diretamente as dimensões do navio; isto tornava a embarcação instável, capaz de emborcar quando sujeita a agentes externos. A situação seria tão grave que o destino dado ao Stellar Banner foi inevitável.

Cronologia 

No dia 24 de fevereiro de 2020, o Stellar Banner encalhou. Três dias depois, 27 de fevereiro, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) fez seu primeiro sobrevoo na região, e teria encontrado uma mancha de óleo. Também no dia 27, foi confirmado pela Marinha do Brasil que os tripulantes, 20 pessoas, já tinham sido resgatados com segurança, e levados para a capital maranhense.

No dia 29 de fevereiro, o Ibama informou à imprensa que a mancha de óleo, de 333 litros, era do óleo residual na parte superior do navio e em vários equipamentos. Naquele dia, as embarcações ‘C-Sailor’ e ‘C-Atlas’ utilizaram radares e não foram identificados vestígios de óleo do navio na água. Ainda assim, a mancha se espalhou no entorno da embarcação, numa área de 800 metros. Segundo o Ibama, os tanques com 3,8 milhões de litros de combustível estavam intactos.

No dia 1º de março, uma equipe de mergulhadores começou a avaliar a extensão dos rasgos no casco do navio MV Stellar Banner. No dia 11 de março, duas outras embarcações navegaram para a área onde está o Stellar Banner. Seriam elas: Bigua e Carmoran. A partir das 14h10 daquele dia, começou a ser feita a retirada do óleo combustível e diesel do navio Stellar Banner. No dia 14 de março, teve início a operação de descarga do minério de ferro do porão nº 4 do navio chamado de MV Stellar Banner.

A remoção da carga de minério do Stellar Banner começou a ser feita no dia 16 de abril. Foram transferidas 3,5 mil toneladas para o batelão LEEUW, e despejadas na área de alijamento n° 4. A balsa Superpesa II, que faria o restante do descarregamento, devido supostamente ter equipamentos velhos, apresentou problema e não teve como realizar a atividade, partindo para o Rio de Janeiro, sendo que ainda está a caminho do estado. No dia 28 de abril, foi iniciado o descarregamento de minério de ferro no navio Alfred Oldendorff.

Na última quarta-feira (3), a Marinha do Brasil informou que encerrou a fase de retirada da carga do Navio Mercante Stellar Banner. Foram removidas 145 mil toneladas de minério de ferro, tendo sido iniciada a etapa de flutuação no dia 1º deste mês. 

Outro episódio foi o sobrevoo do ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, na manhã do dia 4 de março, na área em que está encalhado o navio Stellar Banner.

Antes do sobrevoo, durante entrevista coletiva à imprensa de São Luís, na capital maranhense, Salles falou da preocupação do governo federal na retirada do óleo de forma correta, para que não houvesse vazamento e fez elogios ao Gabinete de Crise.

Saiba Mais: Gigantes do Mar

Divisão da estrutura de um navio mercante Valemax. Foto: Vale

O tipo de navio mercante Valemax é, atualmente, o maior mineraleiro em operação no mundo, com 362 metros de comprimento e 65 metros de largura. Transporta até 400 mil toneladas e diminuiu em 35% a emissão de carbono por tonelada transportada.

CRÉDITO: Vale / 9D Studio

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