ELEIÇÕES OAB

Entrevista: Sâmara Braúna pauta oportunidades como pilar para advocacia

A advogada criminalista acredita que o enfrentamento com o Poder Judiciário tem que ser feito de forma respeitosa, com critérios objetivos

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Advogada há 17 anos, militante do direito criminalista há quase uma década, presidente da Associação Nacional da Advocacia Criminal do Estado do Maranhão. Essa é uma pequena descrição da advogada criminalista Sâmara Braúna, que encabeça a Chapa 3, na eleição da Ordem de Advogados do Brasil, Maranhão. A candidata a presidente da OAB-MA, Sâmara Braúna, acredita que o advogado maranhense precisa de oportunidade, por conta disso, baseou suas propostas tendo a oportunidade como pilar de uma gestão.

A advogada criminalista acredita que o enfrentamento com o Poder Judiciário tem que ser feito de forma respeitosa, com critérios objetivos. “Quais juízes são produtivos ou  não”, buscar dados oficiais e depois disso abrir o diálogo para fazer uma ponte entre as instituições. Segundo a advogada, um processo parado gera prejuízo para advogados, por isso acredita que tem que ter uma duração razoável do processo, já que boa parte dos honorários só são recebidos no final do processo.

Por que ser presidente da OAB?

O meu maior objetivo, maior intenção de ser presidente da OAB é para tirar velhas promessas do papel. É para realmente renovar, realmente se falar de inclusão, renovação. De forma prática e eficiente. Eu vejo que os candidatos estão sempre falando de renovação. Na verdade, a gente vem com uma proposta até maior, mais abrangente que é oxigenação. Nossa chapa, ela é formada por pessoas, advogados e advogadas que nunca tiveram vez e voz. Como uma forma realmente de mudar essa velha prática que vem se permanecendo na OAB de sempre, as mesmas pessoas, com os mesmos cargos de representatividade de poder e sempre com as mesmas promessas e nunca sai nada do papel.

O seu lema é a Inclusão. De que forma a inclusão vai ser protagonista de sua gestão?

Na verdade, a inclusão se traduz em oportunidade. Nós estamos hoje trabalhando com o pilar que é oportunidade, tudo passa a partir daí. Quando a gente fala de oportunidades, tanto faz para jovens advogados, para mulheres, para os mais experientes, para os negros, de uma forma inclusiva, ou seja, um projeto coletivo. Mas a gente tem como pilar, oportunidades. Oportunidades para que a advocacia se insira no mercado, permaneça no mercado e receba a sua justa remuneração que são os seus honorários. Para que os advogados e advogadas não sobrevivam, mas vivam dignamente na sua atividade.

Sua chapa tem a maior participação feminina. Como acontece a presença da mulher na sua candidatura?

Inicialmente é um sentimento geral. Existe um plano de valorização nacional, de estímulo das mulheres, para que elas avancem, ocupem os cargos de poder. Então, eu, por ser mulher, a minha própria trajetória pessoal e profissional ela já demonstra isso. E isso tem servido de inspiração principalmente para as jovens advogadas que estão iniciando. Então quando eu conto a minha história, no passado, há 17 anos quando eu comecei já não é a mesma realidade de hoje. Então quando eu conto como eu me inseri no mercado de trabalho, que eu me posicionei hoje. Eu vivo da advocacia, sou militante da advocacia. Há quase 10 anos que eu milito na área criminal, é uma área que poderia se pensar um tempo atrás que é iminentemente masculina. Hoje a nossa chapa é formada por mais de 40% de mulheres.

Como você enxerga a OAB-MA daqui três anos, com uma possível gestão da Sâmara Braúna?

Eu enxergo a OAB com uma nova história, uma belíssima história. A OAB, nossa gestão, ela vai ter a melhor gestão de todos os tempos. Eu enxergo a OAB de uma forma diferenciada. Nós vamos realmente fazer o que até agora não foi feito. É tirar velhas promessas do papel. Promessas que eu digo que são até as nossas obrigações. Eu vejo se prometer transparência, fazendo propostas de prerrogativas.  Isso nada mais é do que obrigação.

Essa é uma pergunta que eu tinha. O tema transparência aparece em todos os candidatos. Até quando a transparência vai ser proposta de campanha e não vai ser uma obrigação para um advogado, um presidente na Ordem?

Isso não deveria ser promessa. Isso é o básico. Quando você trabalha com dinheiro de outras pessoas, de uma entidade, de qualquer situação, você tem que ser no mínimo transparente. Você tem que ser ético, você tem que ser honesto. Então não basta ser, você tem que parecer. Então eu vejo que nas gestões passadas que a décadas presidiram a Ordem e atual gestão, eu não vejo, sinceramente, me desculpe meus colegas mas eu não vejo autoridade para falar em transparência porque já tiveram a oportunidade de mostrar a transparência.

É uma coisa tão premissa,  que isso não devia nem servir de proposta. Isso é mais que obrigação. Então a nossa gestão, é prioritária essa questão da transparência. É claro que a classe tem que saber para onde e de que forma está sendo destinados os recursos das anuidades.  Eu na verdade até me constranjo de colocar isso como proposta.

Saiu uma pesquisa em que você aparece na liderança como segunda opção de voto. O que falta para ser a primeira opção?

Eu te afirmo que nós estamos disputando mesmo é a vitória. A gente tem crescido exponencialmente e com uma larga desvantagem. Enquanto nossos adversários, reitero, nossos colegas, estão fazendo campanha a bastante tempo, como pré-campanha, todo mundo sabe que eles estão a dois anos, a quase três anos já fazendo essa campanha, nós entramos a pouco tempo. Eu estou fazendo pré-campanha a meses. E a campanha se começa a partir do registro da chapa e nós só temos trinta dias. Então, eu não tive a oportunidade que meus adversários tiveram. De fazer uma presença no interior, conhecer os problemas, comparecer mais nas subseções, fazer eventos, nossa campanha não foi uma campanha rica.  A nossa campanha é uma campanha de propostas, é uma campanha de ideias. O entusiasmo e o sentimento de classe é o que tem nos impulsionado e nós temos o estamos confiantes que nós iremos surpreender no dia 23.

Você vê uma tentativa de polarização e seu nome surge como terceira via para que não quer optar por A ou por B?

Eu não fico analisando o cenário político sobre essa ótica. A minha preocupação é focar nos problemas da advocacia, mostrar que nós temos realmente interesses institucionais, de resolver os problemas da advocacia, apresentar nossas propostas. Olhar no olho do advogado, sentir o calor do advogado, passar a nossa mensagem e com isso a gente avançar.

Quais as principais bandeiras que você vai adotar em uma gestão?

São várias na verdade. Mas nós temos um pilar que são oportunidades. Oportunidades de inserção do advogado e da advogada no mercado de trabalho.

A partir daí a gente vai delineando a espinha dorsal. Que vem a valorização, transparência, prerrogativas, a inclusão digital, que também é uma obrigação para poder orientar os advogados jovens que são egressos das institucionais, orientar de que forma que eles vão trabalhar agora com essa nova tecnologia, nova realidade. Aí vem ensino jurídico, porque tudo passa pela capacitação. É preciso realmente capacitar o profissional para que ele se sinta fortalecido.

E para que ele mesmo possa defender as próprias prerrogativas, porque a principal arma que um advogado tem para defender as prerrogativas é o conhecimento jurídico. São tantos desafios, que tudo vai passar por esse pilar que são oportunidades.

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