SAMPAIO X NÁUTICO

Pênalti, a experiência de quem já decidiu

É grande a expectativa de que o jogo Sampaio x Náutico seja decidido na cobrança de pênaltis. Ex-cobradores, Neguinho e Raimundo Lopes, e Juca Baleia, goleiro, dão a dica

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Desde o término da partida em que o Náutico derrotou o Sampaio Corrêa por 3 a 1, em Recife, capital pernambucana, a esperança dos torcedores do representante maranhense na final da Série C do Brasileiro para a conquista do quarto título nacional virou um dilema: vencer por três gols de diferença ou até dois para levar a decisão por meio da cobrança dos “tiros livres diretos da marca penal”.

Todos os bolivianos torcem para que aconteça a primeira hipótese, mas sabem que o adversário vai tentar administrar a vantagem taticamente, isto é, jogando defensivamente e “apostando em   uma bola”. Se o Timbu conseguir seu objetivo, dificilmente deixará de ser o grande campeão.

A decisão por pênaltis não dá tranquilidade a nenhum dos dois clubes. Em momento algum há favoritos nessa situação.

Grandes batedores que atuam ou já formaram em equipes de destaque nacional e internacional já desperdiçaram as oportunidades.

Sampaio Corrêa e Náutico, sabendo dessa alternativa,  vão gastar boa parte da preparação para o jogo do próximo domingo treinando cobranças de pênaltis, mas a imprensa nem torcedores terão a oportunidade de acompanhar.

Os treinos serão secretos com objetivo de afastar os chamados “espiões”, muito comuns nesses momentos.

Os tricolores têm como bons cobradores Rodrigo Andrade, Eloir e Salatiel Júnior.  Os demais vão ter que estar preparados para essa eventualidade. Cobra quem tiver melhor aproveitamento. Esta é a ordem do treinador.

O goleiro Andrey também será orientado sobre a melhor forma de praticar as defesas. Um vídeo sobre os dois jogos vencidos dessa forma pelo Timbu sobre Paysandu e Juventude, deverá ser exibido, repetidamente, nos dois próximos dias. “Pênalti é uma coisa tão importante que quem deveria bater era o presidente do clube”, dizia o filósofo do futebol brasileiro, Nenem Prancha.

Outras frases surgiram ao longo dos tempos, entre as quais “ganhar nos pênaltis é uma questão de sorte”, ou ainda “é como se fosse acertar na loteria”, porque alguém tem que errar o chute que separa o batedor apenas 11 metros da risca fatal.

Pênalti é uma coisa tão importante que quem deveria bater era o presidente do clube

Dica importante: muita calma nessa hora

No futebol do Maranhão já tivemos bons cobradores, alguns vindos de fora do estado e outros daqui mesmo. Em 1972, quando o Sampaio Corrêa conquistou seu primeiro título nacional (Brasileirinho), o zagueiro Neguinho se destacou ao cobrar cinco penalidades e converter todas. “Goleiro só pega pênalti se baterem fraco e a meia-altura. Quero ver goleiro pegar chute forte e no alto. Eu só dava pancada, fosse no canto ou no meio, não errava uma, por isso, era o batedor oficial do clube e me orgulho de ter conquistado aquele titulo com meus companheiros daquela época. Agora, é preciso também, treinar e estar tranquilo na hora das cobranças”.

Na década de 80, o meia Raimundinho Lopes, ex-Moto e Sampaio Corrêa, também era exímio cobrador, mas recorda que desperdiçou duas vezes. “Lembro-me que perdi um pênalti contra o Maranhão, no início de carreira, quando Juca Baleia defendeu. Em outra oportunidade, num jogo entre Seleção Maranhense e Flamengo bati contra a trave. Fora disso, marquei todos”, afirma Lopes.

Raimundinho tem a mesma opinião de Neguinho quando diz que antes de tudo o batedor tem que estar tranquilo. “Não existe essa história de sorte, loteria, etc. O que vale é o momento psicológico de quem cobra o pênalti”. Ele recorda que não era habituado a dar chutes fortes. “Eu parava, olhava o goleiro, via para qual canto ele caía e colocava a bola no outro, não tinha erro algum. Agora, se o cara não tem essa habilidade, é melhor bater forte, no alto ou no meio do gol, é mais seguro”.

E o goleiro?

Muitos foram os goleiros que se destacaram na defesa de penalidades nos últimos 30 anos no futebol maranhense. Um dos mais conhecidos dos desportistas pelos seus 110 quilos foi Juca Baleia. “Primeiramente, eu estudava bem o batedor, sabia quem batia rasteiro, forte ou colocado. Prestava atenção quem chutava só quando se aproximava da bola.Consegui uma vez defender um pênalti em São Januário, no Campeonato Brasileiro, batido por Bismarck, craque do Vasco, em 91. Fiz outras defesas importantes em pênaltis cobrados aqui no futebol maranhense, entre as quais destaco uma batida por Raimundinho e outra por Alberi, do América de Natal. Não dá para lembrar de todas, mas algumas foram mais importantes”.

Consegui uma vez defender um pênalti em São Januário, no Campeonato Brasileiro, batido por Bismarck, craque do Vasco, em 91


Náutico duas vezes

Duas classificações foram conquistadas nas penalidades pelo Náutico na  Série C do Brasileiro. Foram decisivas as intervenções do goleiro Jefferson, contra o Paysandu e Juventude, ambas nos Aflitos. “Depois do jogo contra o Santa Cruz, nós começamos a treinar pênaltis. No futebol, em todas as áreas, nada é por acaso, mas sim competência. Nos preparamos muito e eu estava bem tranquilo por ter visto o que tínhamos feito durante a semana. Tivemos ajuda da nossa análise de desempenho. Conversei com Gilmar (Dal Pozzo, técnico), Matheus, Luiz, Gilberto (preparador de goleiros), vendo os batedores. Claro que queria defender mais. Algumas vezes você estuda, vê o vídeo, mas o batedor troca. Mas ainda assim fui feliz em defender os pênaltis”, disse.

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