ENTREVISTA

Rodrigo Ramos diz que vai lutar para subir o Moto Club para a Série C

Ainda vivendo as emoções do título de campeão, conquistado pelo Moto, Rodrigo Ramos analisa o atual momento do nosso futebol, diz que vai lutar para subir o clube para a Série C e pretende ser deputado estadual

Reprodução

Chamado carinhosamente pela torcida de “Paredão”, devido às defesas espetaculares que valeram grandes conquistas pelos clubes que defendeu em nosso estado, Rodrigo Ramos, um paulista de nascimento, que se diz goiano por opção e maranhense de coração, fala, nesta entrevista exclusiva, de sua gloriosa carreira, do título recém-conquistado pelo Moto, que considera o mais emocionante de sua carreira, critica a falta de apoio da iniciativa privada ao futebol e adianta que pretende ser deputado estadual, uma forma de continuar ajudando o esporte profissional e amador. Antes, sonha ainda disputar a Série D e subir para a C.

Rodrigo, você é um dos maiores colecionadores de títulos com passagem pelo futebol do Maranhão. Qual a receita do sucesso para tantas conquistas?
Quando comecei a minha carreira aqui no Maranhão há 15 anos, não imaginava que teria tanto sucesso jogando em terras maranhenses. Por todos os clubes que passei aqui no estado ( foram quatro), sempre trabalhei com muito amor, respeito e profissionalismo. Acho que esses ingredientes aliados ao intenso trabalho diário me fizeram conquistar tantos títulos. Humildade e o fato de abraçar cada projeto com muita entrega também são fatores determinantes para essas conquistas.

Dá para recordar essa longa coleção, inclusive por outros estados, ou pelo menos citar os títulos mais importantes?

Ao todo, são dez campeonatos estaduais por todo o Brasil. Sete no Maranhão (quatro no Sampaio, dois no Moto e um no Imperatriz). Tenho mais 2 títulos tocantinenses pelo Palmas, e um Estadual pelo Nacional de Manaus. Sou campeão brasileiro da Série D, em 2012, de forma invicta, e tenho dois acessos pelo Sampaio, da D pra C, e da C pra B, além de duas taças cidades de São Luís e uma Copa União ( torneios estaduais) aqui pelo estado.

Qual o título que mais o emocionou e de maior destaque?

Todos os títulos tiveram grande importância. Todos merecem ser lembrados. Mas, sem sombra de dúvidas, o título deste ano (2018) pelo Moto merece maior destaque. Por tudo que aconteceu ao logo de toda a competição. Contra tudo e contra todos, foi nosso lema. Abraçamos a causa e fomos merecedores.

Foi difícil manter a união e a garra desse grupo do Moto para conquistar o Estadual? Qual o papel do capitão da equipe nesse momento?

Todos os dias buscávamos uma forma de nos motivar, de ultrapassar cada problema. Meu papel como capitão e jogador mais experiente do grupo sempre foi o de juntar todo mundo. Aconselhar no momento certo e procurar uma forma de amenizar os problemas sem que fossem externados ou mesmo abatessem cada atleta. O ambiente nosso, dentro das quatro linhas e vestiário era sempre preservado. E outra: sempre que “ mexiam” com um, todos compravam a “ briga”… E foi assim até o final.

O que você acha desses campeonatos de “tiro curto” e do tipo de regulamento que foi disputado neste ano?

A tabela da competição foi terrível com o Moto. Intencional ou não, o princípio de isonomia foi deixado de lado. Não houve igualdade de jogos pra ninguém e isso foi visível. Tanto que muitos clubes reclamaram, mas já com o “ caldo derramado” . O Moto no início foi o único a não aceitar. Enfim, com a tabela mal elaborada, restava ao grupo lutar pelos resultados…e eles vieram. É preciso que para o próximo ano revejam isso. Os clubes não podem aceitar um campeonato onde não há igualdade de jogos fora e como mandante. Campeonatos curtos não te dão oportunidade de errar. Uma derrota é fatal. E nós não erramos.

Como você analisa o momento atual do futebol maranhense, sem o prestígio que deveria merecer da iniciativa privada, o que necessitamos para sairmos dessa situação e sermos mais competitivos em disputas nacionais?

Apoio do poder público é imprescindível nesse momento. Mas antes, precisamos fazer boas competições para que os empresários possam investir no nosso produto. Ninguém quer investir onde há bagunça. Precisamos também de mais representatividade no poder público. Esporte é fundamental para o fomento de uma sociedade mais correta. Não temos esse representante

Você, por exemplo, pensa em um dia, quando “pendurar as chuteiras”, colaborar de que forma, fora de campo, para o crescimento desse futebol que você tanto se dedicou ?

Estou com um projeto para ingressar na política. Acho que falta alguém que realmente brigue por interesses de todos no nosso meio. Tenho algumas ideias nesse sentido. Tenho a experiência de conviver há mais de 15 anos com vários momentos no nosso futebol. Vivo a 20 anos do futebol, e sei o que cada atleta, dirigente e torcedor passa para viver do esporte aqui no Maranhão.

Quando você pensa em lançar esse projeto? Você não vai disputar a Série D pelo Moto?

Vou disputar a Série D pelo Moto e brigar pelo acesso. Nosso grupo foi praticamente mantido. Isso é bom. Grupo forte, com algumas peças que foram contratadas podemos ir bem longe nessa Série D. Quanto ao projeto político, recentemente me lancei pré-candidato a deputado estadual pelo PSL espero as convenções do partido para definir o que será feito até a eleição. Se tiver apoio, efetivamente concorrerei ao cargo de deputado estadual

Rodrigo Ramos no Sampaio Corrêa. Foto: Reprodução

Você acha que conseguirá votos de todas as torcidas ou vai aparecer como defensor da bandeira do seu último clube, no caso o Moto?

Minha bandeira abrange a todos. Em todos os clubes que passei, demonstrei meu profissionalismo, respeito e humildade. Aliado a isso vieram as conquistas. Quero lutar por, todos os desportistas profissionais ou amadores, que merecem muito mais, e esse será o meu foco. Graças a Deus, vi uma repercussão muito boa no sentido dessa candidatura. Como gosto de desafios, vamos a luta.

Vamos voltar a falar de futebol. Você defendeu muitos pênaltis em sua carreira. Mas até hoje são poucos os goleiros que mantêm a média. De sua parte, qual o segredo para um goleiro ser bom defensor de penalidades máximas?

Depende muito do goleiro. Cada um tem sua filosofia de treino e sua maneira de agir no momento das penalidades. Isso depende também do cobrador e do momento. Não tenho uma receita pronta. Isso é trabalho e momento.

Para concluirmos, fale um pouco do começo da sua história de atleta, como tudo começou e como veio parar no território maranhense?

Sou goiano de uma cidade do interior chamada Minaçu. Fica a 530 km de Goiânia. Aos 14 anos agradei alguns olheiros que me convidaram para o Atlético Goianiense fiz toda minha base e me profissionalizei por lá. Fiquei até 2001. A partir daí, rodei por alguns clubes até chegar ao Imperatriz em 2003. Alguns anos depois já estava no Sampaio e a carreira se consolidou aqui no estado com as conquistas que tive.
Alguma coisa a acrescentar nessa entrevista aos desportistas maranhenses?
Sou muito grato a tudo que vivi aqui no Maranhão. Já são 15 anos neste estado maravilhoso. Constituí família aqui, fixei residência aqui na capital e em Imperatriz. Meus filhos nasceram aqui. Devo muito a esse grande estado. Sempre lutei para representar bem o povo maranhense pelo Brasil afora. Sou realizado profissionalmente por tudo que ganhei. Quero ainda continuar lutando por essa gente que tanto me orgulha. O futebol me proporcionou grandes momentos. Por isso, minha eterna gratidão ao Maranhão e a todos que fizeram e ainda fazem parte dessa história. Sou paulista de nascença, goiano por opção e maranhense de coração.

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