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Teatro Xama

A Vagabunda: O poder de representação da música feita por mulheres

A peça tem um recorte histórico da mulher artista dos anos 20 aos 50, e a marchinha era um forte gênero para o teatro musicado da época.

Gisele Vasconcelos (Foto: Silvana Mendes)

Neste sábado, 05 de abril, às 20h, o Teatro Xama será palco de uma celebração da música feita por mulheres! Com entrada gratuita, Gisele Vasconcelos vai interpretar as canções de “A Vagabunda, Revista de uma mulher só”, compostas por Didã, Lúcia Santos e Chiquinha Gonzaga.

Gigi estará acompanhada da banda composta por: Aline Oliveira (violão), Paulinha Trindade (percuteria), Sarah Byancci (sax e flauta), Thaynara Oliveira (violino), Mellanie Carolina (baixo) e Rui Mário (direção musical, sanfona e piano).

O foco do projeto é gerar visibilidade às mulheres artistas, atrizes, compositoras, instrumentistas, visto que o campo das artes, em especial a música, revela a presença desigual de nomes femininos em relação aos homens.

O show tem a duração de 1 hora e segue o roteiro das canções da peça: Fendas de Luz, Marcha A Múmia, Escandalosa, Vedete, Abre Alas, Menina Faceira e Rosas Embrutecidas.

A direção geral é de Nicolle Machado, Nádia Ethel faz a produção técnica de palco e Adilson Azevedo está na montagem e técnica de som. A preparação vocal de Gisele Vasconcelos para as canções foi feita por Gustavo Correia e pelo fonoaudiólogo Fábio Abreu. Com produção do Xama Teatro e da Poli.cia, o evento tem o apoio da Academia do Show e é realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio do Governo Federal e da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão.

A música e seu lugar de destaque

Na história do Teatro Brasileiro e Teatro Maranhense, a música sempre ocupou um lugar de destaque. Chiquinha Gonzaga, que está presente na trilha sonora de A Vagabunda, teve grande contribuição nas composições no Teatro de Revista. Inúmeras de suas obras musicais ganharam popularidade nos palcos, a exemplo de seu maior sucesso: “Ô Abre Alas”, criada em 1899, a marchinha foi readaptada em 1904 para a peça teatral “Maxixe de Cordão”.

Menina Faceira, outra canção de Chiquinha Gonzaga, que compõe a trilha de A Vagabunda, foi composta em 1885, para a opereta A Corte na Roça e foi aproveitada de forma contínua no teatro musicado da época, como tango da comédia A filha do Guedes, na revista Pomadas e farofas, entre outras.

Como foi o processo criativo que rondou as composições da peça?

Gisele nos diz:

“Eu enviava as demandas das canções de cada cena, com trechos, estrofes, poemas que estávamos experimentando na escrita do texto e nos ateliês de criação… e a Didã, com sua musicalidade incrível, tinha total autonomia para criar, cortar, colar, separar. Toda essa comunicação era feita via Whatsapp, pois a criação das canções foi realizada no período da pandemia, de julho a outubro de 2020. A primeira canção, por exemplo, enviei um texto inicial, que poderia ser excluído e no lugar dele poderia entrar uma música, trazia como temática, a história da Santa Bárbara, ‘a vagabunda’, que teve os seios cortados em praça pública e a cabeça decapitada pelo próprio pai e que séculos depois foi canonizada. Falava também pra ela sobre uma ideia de tempo-ritmo, sensação, cuja canção poderia iniciar como uma chuva fina e se desenvolver como uma tempestade. Daí surgiram as primeiras canções da peça, Fendas de Luz, Vedete e a marchinha Marcha A Múmia, que foi enviada via áudio de Whatsapp, com voz e violão, por Didã e então, trabalhava o tom e afinação com Gustavo Correia e mandava a gravação com a minha voz e piano para Rui que partia para fazer os arranjos e enviava a partitura para a banda.”

O poder de representação

A peça A Vagabunda – Revista de uma mulher só, fala de mulheres que fizeram história e que sofreram violência de gênero na profissão de artista. A peça tem um recorte histórico da mulher artista dos anos 20 aos 50, e a marchinha era um forte gênero para o teatro musicado da época.

E nesse misto de encantaria, história e arte, as músicas foram tecidas junto com a peça, que teve sua estreia em 2021 em São Luís e já circulou por Belém e Fortaleza.

O espetáculo teatral será apresentado novamente no mês de agosto e neste sábado, dia 05 de abril, às 20h, com entrada gratuita, o público poderá apreciar as canções da peça no Teatro Xama, que fica na Rua das Esmeraldas q. 01 casa 03, Quintas do Sol, Araçagy, São José de Ribamar. O lugar tem capacidade para 60 pessoas e a entrada está sujeita à lotação do espaço.

Link do álbum trilha espetáculo A Vagabunda (Xama Teatro, Gisele Vasconcelos)
https://ps.onerpm.com/4158793654

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