grande perda

15 filmes essenciais de Gene Hackman: o ator que foi mais vilão que herói (e fez você amar os dois)

Confira 15 dicas de filmes estrelados por Gene Hackman, o ator que foi uma grande perda para o mundo do cinema.

Foto: Reprodução

A notícia da morte de Gene Hackman, 95, e da esposa, Betty Arawaka, 64 (e até do cachorro), chegou como um soco no estômago dos cinéfilos.

Tive que reescrever a coluna de sexta-feira. Afinal, como ignorar o fim de um cara que foi de policial linha-dura a xerife sádico, passando por produtor de filmes B e político homofóbico?

Hackman não era um ator: era uma enciclopédia de personagens mal-ajambrados.

Segue meu Top 15 Hackman — porque 10 é coisa de amador —, em ordem cronológica e sem concessões a “Super-Homem” e “Os Excêntricos Tenenbaums”, dois de seus filmes mais famosos.

  1. Bonnie e Clyde (1967)
    Hackman estreou como o irmão do bandido Warren Beatty e roubou a cena sem precisar apontar um revólver. Fez do desajuste uma arte.
  2. Operação França (1971)
    “Popeye” Doyle, o detetive mais raivoso de Nova York, perseguindo traficantes como se fossem baratas. Hackman aqui é um terremoto de testosterona e cigarro.
  3. O Espantalho (1973)
    Road movie com Al Pacino. E Hackman dirigindo o caos. Dois andarilhos sonhando com uma lavanderia na Pensilvânia. A loucura nunca foi tão poética.
  4. A Conversação (1974)
    Hackman como um stalker profissional que descobre que o maior inimigo é o próprio gravador. Coppola fez um filme sobre paranoia; Hackman fez um manual de como perder a sanidade com classe.
  1. Operação França 2 (1975)
    Sequência que quase supera o original. Popeye em Marselha, incendiando tudo — inclusive a lógica. Nota mental: nunca provoque Hackman perto de gasolina.
  2. Night Moves (1975)
    Detetive particular + filha desaparecida + Arthur Penn = neo noir que Hitchcock mataria para ter dirigido. Hackman prova que desespero é melhor sem trilha sonora.
  3. Hoosiers (1986)
    Treinador de basquete colegial que faz Rocky parecer um drama de colégio interno. Chorar é obrigatório, mesmo que você odeie esportes.
  4. Sem Saída (1987)
    Secretário de Defesa + amante (Sean Young) + Kevin Costner = triângulo amoroso que termina em tiros. Hackman ensina: política e cama são armas letais.
  5. Mississippi em Chamas (1988)
    Hackman e Willem Dafoe caçando a Klux Klux Klan no Sul dos EUA. Violento, ácido, necessário — uma carta de amor ao contraditório.
  6. De Frente para o Perigo (1990)
    Hackman e Anne Archer fugindo num trem. Tensão? Sim. Diálogos afiados? Mais que isso. Hollywood adulta? Em extinção.
  1. Os Imperdoáveis (1992)
    Xerife Little Bill, o homem que faz Clint Eastwood parecer um monge budista. Úm aroeste único, onde o vilão é mais memorável que o herói.
  2. A Firma (1993)
    Advogado da Máfia que descobre que helicóptero e tanque não combinam. Hackman rouba a cena de Tom Cruise só respirando.
  3. Maré Vermelha (1995)
    Capitão de submarino vs. Denzel Washington. Testosterona nuclear + Tony Scott = explosão garantida.
  4. Get Shorty (1995)
    Produtor de filmes B + John Travolta mafioso. Hackman ri da própria carreira enquanto Elmore Leonard aplaude do além.
  5. A Gaiola das Loucas (1996)
    Político careta + Robin Williams drag queen. Hackman fazendo comédia? Sim, e melhor que 90% dos comediantes profissionais.

Nota de Despedida

Se Hackman fosse um gênero cinematográfico, seria “thriller existencial com pitadas de tragédia grega”. Morreu como viveu: sem discursos, e deixando a gente se perguntando: “Como alguém pode ser tão bom?”.

PS: Eu retorno dia 5. Um Carnaval com pipoca, whisky e zero remakes para todos!

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