ESTREIAS

Cantora Flávia Bittencourt apresenta o show “Só Ouvir”, nesta terça-feira (28)

O show é uma forma de celebrar a volta do contato com o público.

(Foto: Ayrton Valle)

Flávia Bittencourt vai entrar no palco, mas, antes de subir, ela fecha os olhos. O que vem no apagar das luzes é a memória da sua casa, de quando ainda era criança, passando os dedos sobre as teclas do piano de brinquedo da marca Hering Amadeus que ganhou do pai ao fazer cinco anos, e sem talvez nunca imaginar que iria chegar até onde chegou. Hoje, são quase quinze anos de carreira4 discos e 2 DVD’s – e uma fila imensa  de lugares por onde cantou, das cidades brasileira como São Paulo e Rio, passando também por Europa, Estados Unidos e África.

A cantora se prepara para o lançamento de um novo disco até final do ano de 2022, com singles inéditos já disponíveis nas plataformas digitais, e depois de uma temporada de shows em São Paulo, e outras apresentações aqui na capital, a cantora apresenta nesta terça-feira (28) o show “Só ouvir: um show para os sentidos”, em duas sessões, a partir das 19:30h numa apresentação, como ela mesma diz, mais intimista e sensorial para compartilhar os sentimentos com o público.

Confirma a entrevista da cantora Flávia Bittencourt para O Imparcial.

Você sempre foi bem acompanhada nos shows, seja na instrumentalização ou nos arranjos, e até mesmo na performance pessoal com dança, então qual a principal diferença entre os seus shows anteriores e esse de agora?

Flávia Bittencourt: Apesar de ser um show com variedade nas linguagens e nos arranjos, como a gente sempre fez, dessa vez será algo mais intimista porque trás uma reflexão sobre nossa trajetória como ser humano, e uma reflexão também sobre esses dois anos que passamos de pandemia, onde tivemos perdas. Então mais do que nunca senti a necessidade de fazer o show nesse formato, para que pudéssemos pensar e sentir juntos isso tudo que a gente viveu.

Você diz que será “mais intimista”, mas mais intimista como? E por quê?

Flávia Bittencourt: Será um show reflexivo, onde ao mesmo tempo em que vamos apresentar músicas conhecidas do grande público, não só minhas, mas releituras, a ideia é que as pessoas possam interagir juntas e que tenha esse ar de entretenimento, de diversão, em alguns momentos, mas é um show com começo meio e fim, porque trás essa questão reflexiva e intimista nesse sentido.

(Foto: Divulgação)

Você também diz que terá dança (presença de bailarinos), apresentação de vídeos, além de uma base eletrônica para as músicas. Isso é, de alguma forma,  uma mostra do caminho que pretende seguir em novos trabalhos?

Flávia Bittencourt: Na verdade, em cada show eu penso de maneira independente, então de acordo com aquilo que a gente vai bolando, por exemplo, do roteiro e tal, vemos se há a necessidade ou não de incluir outras linguagens e de incluir outros artistas e outros temas, e por aí vai. No caso desse show teremos um visual de 360° e apresentação de vídeo, então a gente resolveu inserir outros elementos sensitivos como o cheiro, além da música, e também outros elementos artísticos como a dança. A necessidade de incluir outros elementos é para contribuir com o que a gente quer passar e dizer com esse trabalho.

Como foi voltar a fazer shows depois desses dois anos de pandemia e como o público está reagindo?

Flávia Bittencourt: Está sendo uma emoção enorme a cada show e o público está sedento né, está com vontade de interagir, de estar junto. Eu fiz agora uma temporada em São Paulo que foi maravilhoso. Eu estava com muita vontade de viajar porque no período da pandemia as apresentações ficaram restritas às lives. Então está sendo maravilhoso e espero que daqui pra diante a gente volte realmente a trabalhar e voltar a interagir e encontrar o público cada vez mais.

De que forma nosso contexto social com pandemia e isolamento afetaram na concepção desse novo show e para as novas músicas?

Flávia Bittencourt: O contexto social da pandemia afetou bastante na concepção desse show. Como eu disse, esse show é uma reflexão de todo esse período de pandemia por que passamos, todo sofrimento, as perdas, a dificuldade de entendimento, já que alguns foram mais conscientes que outros, então a ideia desse show veio justamente com esse sentimento de que todos nós de alguma forma passamos por alguma dificuldade e a ideia é passar por esses temas, em alguns momentos de forma esperançosa e positiva, e, em outros, a gente realmente vai entrar profundamente nesse caos que a gente viveu.

Sua trajetória musical mostra mudanças nos arranjos, indo do samba tradicional ao popular e ao moderno, além do regionalismo, da música latina e do eletro, mas o que te define mais enquanto compositora e teu perfil musical?

Flávia Bittencourt: Na verdade, tem influências muito grande da música do Maranhão. Eu nasci aqui em São Luís e sempre fui muito apaixonada por música e sempre ia nas apresentações de bloco tradicional desde muito cedo, ao mesmo tempo em que a música erudita, o piano e a escola de música sempre foram presentes também em minha vida, então são influencias que naturalmente refletem no meu trabalho, nos arranjos e no repertório.

Esse show é uma reflexão de todo esse período de pandemia por que passamos, todo sofrimento, as perdas, a dificuldade de entendimento, já que alguns foram mais conscientes que outros, então a ideia desse show veio justamente com esse sentimento de que todos nós de alguma forma passamos por alguma dificuldade

Apesar das dificuldades, você termina esse ano como uma dos finalistas do Festival Rádio MEC. Poderia falar sobre essa experiência?

Flávia Bittencourt :Rio de Janeiro e São Paulo são praças que sempre abraçaram meu trabalho de forma muito bacana, e a Rádio MEC também sempre teve muito carinho com o meu trabalho, e nesse período foi muito bom ter participado do festival e ter tido essa oportunidade de estar junto com eles.

Há uma diferença de arranjos entre seus singles mais recentes a exemplo de “Escavucando o Nada”, “Com Alegria” e a canção finalista do Prêmio Rádio MEC (Categoria Música Popular) “Primavera”. O que está mas perto do seu trabalho hoje?

Flávia Bittencourt: Todas essas músicas tem em comum uma base eletrônica e que ao mesmo tempo se utilizam instrumentos acústicos, como cordas. “Escavucando o Nada”, é uma música inédita de Carlinhos Bronw, e foi lançada pelo Selo Candyall Music, e que fala sobre aridez no sertão e o sofrimento que ainda existe até hoje, infelizmente; “Primavera” é de minha autoria e é mais introspectiva e reflexiva; já a música “Com Alegria”, também de minha autoria, é o que o nome já diz né, e tem participação do Batida Nacional, com Lan Lan, Nanda Costa, e o próprio Fernando Deeplick, e eu diria que é um caminho que eu já venho percorrendo com música eletrônica, a música latina, e, ao mesmo tempo, a influência da música do Maranhão no meio disso tudo, no meio dessa sonoridade contemporânea.

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