DIA NACIONAL DE LUTA DAS PCD

As dificuldades sociais na pandemia

Mudanças na rotina tiveram o impacto mais acentuado, principalmente em questões básicas, como locomoção, saúde, acesso ao trabalho e à educação

Foto: Reprodução

A pandemia da covid-19 afetou a vida de todos em diferentes aspectos e intensidades. No caso das pessoas com deficiência, chamadas de PcD, o impacto dessas mudanças foi mais acentuado, principalmente em questões básicas, como locomoção, saúde, acesso ao trabalho e à educação.

A ludovicense Andressa Linhares, de 25 anos, tem Osteogênese Imperfeita, popularmente conhecida como ossos de vidro. Ela faz uso de cadeira de rodas e relata que teve medo da contaminação por estar mais exposta ao vírus.

“Uso cadeira de rodas e o medo de me contaminar era duplamente maior, porque eu preciso de ajuda das pessoas fisicamente falando, para empurrar a cadeiras em locais sem acessibilidade, para me tirar da cadeira e colocar nos transportes”, disse Andressa.

A relações públicas (RP) contou ainda que a pandemia dificultou sua vida profissional, pois teve que abrir mão de novas oportunidades.

“Deixei de aceitar empregos com medo dessa situação da pandemia, minha vida parou totalmente, deixei a pós-graduação, mas já voltei à distância mesmo, porque sigo preocupada com toda essa situação”, destacou Andressa.

Andressa Linhares (Foto: Arquivo pessoal)

Neste 21 de setembro, é celebrado o Dia Nacional de Luta das Pessoas com deficiência, oficializada em 2005 pela Lei Nº 11.133, a data surgiu como forma de garantir a integralização dessas pessoas na sociedade de maneira igualitária e sem preconceitos.

De acordo com um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 8,4% da população brasileira – o que representa 17,3 milhões de pessoas – tem pelo menos um tipo de limitação relacionada as suas funções.

O estudo também detalha a quantidade em cada estado, no Maranhão, 9% da população tem alguma deficiência.

Reações psicológicas no isolamento social

Com o isolamento social, as PcD ficaram afastadas das atividades sociais de estudo e lazer, o que gerou sentimentos de ansiedade, solidão e insegurança.

Este é o caso de Maxiny Foicinha, de 22 anos, portadora de paralisia cerebral diplegia espástica. A estudante de jornalismo afirma que sua maior preocupação durante a quarentena está relacionada a fatores psicológicos.

“Durante o isolamento social, fiquei muito deprimida por não poder sair de casa, quem saía era minha mãe. Então fiquei muito tempo isolada do mundo, o fato de não poder estar na faculdade e não ter interação com as pessoas que conviviam comigo naquele ambiente me prejudicou”, afirmou Maxiny

Com o retorno das aulas presenciais a estudante teve que se readaptar, e devido ao ganho de peso no período de quarentena, está tendo mais dificuldades de locomoção. “Como eu passei muito tempo em casa, tive um aumento de peso e agora tendo que voltar às aulas presenciais, sinto muita dificuldade em por exemplo, subir rampas e ter que andar muito, o cansaço ficou excessivo”, completou Maxiny.

Maxiny Foicinha (Foto: Arquivo pessoal)

Suspensão de serviços básicos de saúde

Rayan Lopes (Foto: Arquivo pessoal)

Diversos procedimentos médicos e consultas foram cancelados nos períodos mais agravantes da Covid-19, com o intuito de proteger as pessoas da exposição ao vírus.

Eronilson Lopes, do município de Turiaçu, no Maranhão, conta que a dificuldade que teve com seu filho Rayan, de nove anos, portador de paralisia cerebral tetraplegia, foi ao acesso às consultas presenciais e exames que são realizadas na capital.  

“Com o alto número de casos do coronavírus, os exames e acompanhamentos médico do Rayan foram suspensos. Isso me preocupou porque poderia atrasar o tratamento e o desenvolvimento do meu filho”, contou o pai.

Trabalhando como pedreiro, Eronilson diz que passou por dificuldades financeiras por não conseguir trabalho na quarentena. “No início foi difícil porque tudo parou, e ficou complicado de conseguir trabalhar e sem trabalho também não tem o dinheiro”, relatou. De acordo com o pai, Rayan Lopes está matriculado, mas não está frequentando a escola por ser do grupo de risco, as aulas remotas são inviáveis por causa de suas limitações físicas.

PcD no mercado de trabalho

O levantamento do IBGE expõe, ainda, que a inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho ainda é um obstáculo. Somente 28,3% delas, em idade de trabalhar, se posicionam na força de trabalho brasileira. Já entre as pessoas sem deficiência, o índice sobe para 66,3%.

Andressa Linhares relata, ainda, que já sentiu que perdeu muitas oportunidades de emprego por conta da sua deficiência e por duvidarem de sua capacidade.

“Já perdi oportunidades várias vezes, as pessoas duvidaram da minha capacidade por achar que eu não poderia dar conta das atividades exigidas”, conta Andressa.

Conforme a Lei Federal nº 8.213, 24/07/1991, conhecida como lei de contratação de PcD, garante a empregabilidade das pessoas com deficiência, determinando que as empresas com 100 ou mais empregados devem empregar de 2% a 5% de pessoas com deficiência em seus quadros.

No entanto, não basta apenas emprega-los, as empresas precisam estar aptas, tanto em estrutura, quanto em conhecimento sobre as deficiências.

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