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MARANHÃO

Novo dinossauro maranhense é estudado

Segundo o paleontólogo Manuel Alfredo Medeiros, é o mais bem preservado já encontrado no Maranhão. O fóssil foi escavado em 2016 e ainda está sendo estudado

Reprodução

No ano de 2019, após quatro anos de pesquisa, a comunidade científica internacional reconheceu a descoberta de mais uma espécie de dinossauro encontrada em terras maranhenses: o Itapeuasaurus cajapioensis (o nome escolhido foi uma homenagem à praia de Itapeua, em Cajapió, interior do maranhão, onde os fósseis foram recolhidos durante uma expedição paleontológica realizada em junho de 2015.

Essa conta não é minha

De acordo com os pesquisadores, os fósseis achados no Maranhão são ainda mais raros pois fazem parte de um grupo de dinossauros herbívoros de pequeno porte que existiram entre 120 milhões e 96 milhões de anos

Agora, um novo achado, escavado em 2016, está prestes a ser identificado. A informação é do professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e consultor do Centro de Pesquisa, História e Arqueologia do Maranhão, Manuel Alfredo Medeiros.

“Temos um achado que foi escavado em 2016 e ainda está sendo estudado, ele já era conhecido, mas esse que a gente encontrou é o mais bem preservado já encontrado no Maranhão desse grupo especifico (referindo-se ao achado de 2015), não posso dizer o nome porque ainda está sendo preparado para publicação, mas sim temos um novo achado”, disse o professor, completando que tem muito fóssil no Maranhão, basta ter recursos para fazer a escavação e encontrá-los.

No dia do paleontólogo, comemorado dia 7 de março, este domingo, conversamos com quem é especialista na área para conhecer um pouco mais da profissão e saber como tem sido o trabalho deles no Maranhão.

Manuel Alfredo Medeiros disse que normalmente quando são encontrados fósseis em uma área, certamente não há só aquele. Casos por exemplo, de Alcântara, Cajapíó, onde há camadas com fósseis de dinossauro.

“Também alguns fragmentos já foram encontrados no Porto do Itaqui, e no extremo Sul da Ilha de São Luís, então toda essa região tem fósseis. No Vale do Itapecuru, desde a região de Coroatá até o sul de Rosário, são encontrados restos de dinossauros, fragmentados, dentes, ossos. É uma questão de sorte nós ou algum morador local acabar encontrando algum fóssil bem preservado. E se alguém achar e nos acionar, vamos lá escavar”, disse.

Quando estão escavando algo, uma pergunta recorrente que é feita aos profissionais é como ganhar dinheiro com fósseis. O que preocupa, porque os fósseis são patrimônios federais. Manoel Alfredo explica que não se pode vender fósseis no Brasil porque há uma lei que protege esse patrimônio. Os achados precisam ficar em museus e universidades.

“Agora a maneira de se ganhar dinheiro com fóssil é pelo paleonturismo (turismo paleontológico), que não tem nada a ver com vender fóssil. Tem a ver com vender pacotes com visitação a locais que tem fósseis, souvenires, parques temáticos. Vários locais, como Minas gerais, Paraíba, tem fósseis e conseguem ganhar dinheiro com isso sem afetar os fósseis que ficam guardados em museus. Essa prática pode movimentar economicamente uma comunidade, mas para isso é preciso investimento das autoridades e respeito à lei do patrimônio. O fóssil é patrimônio da união. O que você pode vender é a fascinação que a pessoa tem pelos dinossauros.  O Maranhão tem muito fóssil, uma vocação natural para o paleonturismo”, aposta.

Estudo das formas de vida passadas

A paleontologia é a ciência que estuda as formas de vida existentes em períodos geológicos passados, a partir dos seus fósseis. Estuda o passado da terra. Para Manoel, a grande contribuição da paleontologia para a humanidade é mostrar que essa espécie se transforma, e os fósseis mostram isso. “O que você tem de espécie viva hoje é uma consequência dessa transformação de muito longo tempo. Quando a gente escava, a gente encontra os ancestrais que são diferentes, mas parecidos com as espécies que existem hoje e também formas que foram extintas há muito tempo e por terem vivido muito tempo atrás já não se parecem tanto com as formas atuais.  A paleontologia tem uma gama de informação que ela fornece para que você entenda vários processos que a terra naturalmente desenvolve ao longo da sua história, uma história muito longa medida em centenas de milhões de anos”, explicou o professor.

Fascínio

Não é difícil encontrar crianças e adolescentes que tem fascínios por essas criaturas extintas. Basta lembrar o sucesso que a franquia Jurassic Park fez quando foi lançada e assim sucessivamente com os longas que se seguiram. Segundo Manoel, os dinossauros são as espécies mais interessantes que existem no registro fóssil. “Primeiro porque elas são enormes, segundo elas tem formas variadas e curiosas. Então tem répteis que são bípedes, por exemplos, como os predadores. Você imagina um lagarto medindo 15 a 17 m correndo nas duas patas traseiras atrás de uma presa… isso é fantástico. Os herbívoros, os quadrúpedes eram imensos, podiam pesar 40 toneladas ou mais, isso corresponde ao peso de 10 elefantes africanos em apenas 1 animal. Esses herbívoros eram imensos, com um pescoço que podia alcançar o terceiro andar de um prédio, com escamas, era uma coisa fascinante. Isso é bom porque alimenta o aspirante a ser paleontólogo. Muitos entraram para a ciência por causa dos dinossauros”, disse o professor.

Vocação e obstinação

Para ser um paleontólogo, duas coisas são essenciais: ter vocação e ser obstinado. O professor conta que essa talvez seja uma das ciências que mais exija vocação. “Em todos os filmes Jurassic Park você fica fascinado de ponta a ponta, mas o dia a dia do paleontólogo é uma rotina que pode ser enfadonha. O trabalho de campo é exaustivo, cansativo e nem sempre dá garantias que você vai encontrar um achado de grande qualidade. Se tiver sorte, pode encontrar inteiro ou parcialmente preservado, por isso, tem que ter vocação e obstinação”, disse.

Museu tem fósseis e réplicas

E para quem gosta de saber desse passado, dessas espécies, e tem fascínio por essas criaturas curiosas, São Luís tem um museu diferenciado dos demais do país, que em geral expõem apenas réplicas. 

No Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão (CPHNAMA), localizado na Rua do Giz, no Centro Histórico de São Luís, fósseis de dinossauros que habitaram o Maranhão há 300 milhões de anos, artefatos e uma réplica em tamanho natural, esculpida pelo artista maranhense Anderson, chamam a atenção. “Muitos nem expõem seus fósseis, são réplicas, mas nós temos uma coleção importantíssima de grandes achados que ficam expostos. Então, trabalhamos com fósseis, réplicas e com os conhecimentos tradicionais. Só foi possível reunir todo esse material por conta da pesquisa de profissionais maranhenses que se aperfeiçoaram do ponto de vista científico”, disse o arqueólogo e gestor do CPHNAMA, Deusdédit Leite. No ano passado o Museu suspendeu atividades, por causa da pandemia, em abril e reabriu em janeiro deste ano. Agora, por determinação de decreto do Governo do Estado, está fechado até o dia 14. O museu oferece visitas guiadas em três áreas: Paleontologia, Arqueologia e Etnologia. Na casa, crianças e adultos se encantam com as exposições permanentes que recriam um panorama da pré-história no Maranhão. “Durante esses 20 anos que o museu foi estruturado, teve diferentes fluxos de público com interesses diversificados. O museu tem a parte de paleontologia, que é o passado mais remoto; a parte de arqueologia histórica e pré-histórica; a etnologia que trata dos povos indígenas do Maranhão, e a parte interativa que é um apanhado de tudo para que o maranhense tenha uma visão crítica e conheça toda a trajetória do seu passado. Esse público foi variando ao longo do tempo. Toda a sessão tem interesses, agora nos últimos anos realmente, a paleontologia tem despertado mais o interesse, principalmente dos adolescentes e jovens”.

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