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Do Maranhão para a Netflix: sucesso em rede nacional, Áurea Maranhão estreia no mundo das séries com “Cidade Invisível”

Áurea comentou ainda sobre o teste que fez para “Coisa Mais Linda”, também da Netflix

Reprodução

SÃO LUÍS – Frio na barriga. É assim que a atriz Áurea Maranhão descreveu, em entrevista a O Imparcial, sua estreia em séries, que ocorrerá em 2021 com “Cidade Invisível”, produção inédita da gigante dos streamings: a Netflix.

Com o Maranhão no sobrenome artístico e uma história audiovisual invejável no Estado, a atriz nascida em Manaus conquistou os elogios de milhares de ludovicenses nos últimos anos com sua atuação em clipes, filmes e curtas.

Agora, após se destacar nacionalmente em 2019 com sua estreia em telenovela (e no horário nobre), com “A Dona do Pedaço”, dirigida por Amora Mautner e escrita por Walcyr Carrasco, Áurea Maranhão se prepara mais uma vez para dividir a cena com grandes nomes da teledramaturgia brasileira, como Marco Pigossi, Alessandra Negrini e José Dumont.

Áurea Maranhão

Em “Cidade Invisível”, a trama apresentará um detetive que, ao investigar um assassinato, se envolve em uma batalha entre o mundo visível e um reino subterrâneo habitado por criaturas folclóricas. “A série tem um argumento lindo, vamos falar do folclore Brasileiro, das encantarias, do que está no entre, no imaginário popular, dentro de uma ficção que traz como pano de fundo a especulação imobiliária e a desapropriação de povos originários. Tema bem atual”, conta Áurea.

Em nosso bate-papo, Áurea comentou ainda sobre o teste que fez para “Coisa Mais Linda”, também da Netflix, a mensagem de apoio que recebeu da atriz Fernanda Montenegro durante as gravações da novela da Globo e o seu amor por São Luís. A entrevista completa com a atriz abaixo:

Desde 2019 que o público sabe que você estará na série “Cidade Invisível”, da Netflix, com previsão de estreia para 2021. Como surgiu o convite para trabalhar na plataforma de streaming e qual tem sido sua expectativa para a recepção dos fãs em estrelar uma produção da Netflix?

“Quando a novela acabou, voltei pra casa como sempre faço quando acabo um trabalho… Atualmente, eu, meu marido Ricardo Coutinho, meu filho Antônio e nossos gatos estamos mantendo nossa base aqui na ilha. Nos últimos anos, ficamos na ponte, dependendo do projeto, nos mudamos pra SP ou ficamos na ilha. Com a minha volta, eu estava mergulhada nos meus filmes ‘Chá da Tarde’ e ‘Mala Preta’…Quando recebi uma ligação do meu agente Caíco de Queiroz me pedindo um self teste, naquele momento eu não sabia que estava fazendo um teste para uma série da Netflix. Mandei, aí depois de dois dias me mandaram uma cena para testar uma personagem, aí fui informada que era para a Netflix. Mas não criei muita expectativa por que eu tinha feito teste para a série ‘Coisa Mais linda’ e não havia passado. E aí mandei a minha cena, não passei para o personagem que tinha testado. Eles me pediram um terceiro teste, agora para outra personagem (no caso a personagem que fiz) e fui aprovada. Eu estava com uma viagem marcada para São Paulo naquela semana para fazer uma apresentação com a Dupla Criolina no Sesc e aproveitei a oportunidade e pedi para marcar um teste presencial, para garantir (rs), por que até aquele momento, eu só tinha feito testes em vídeo e não tinha assinado contrato, aí deu tudo certo. Eu estou na maior expectativa para ver o resultado final. A série tem um argumento lindo, vamos falar do folclore Brasileiro, das encantarias, do que está no entre, no imaginário popular, dentro de uma ficção que traz como pano de fundo a especulação imobiliária e a desapropriação de povos originários. Tema bem atual. Eu estou com frio na barriga pra ver o resultado final e se a série terá uma boa recepção no Brasil”.

Ainda citando 2019, foi o mesmo ano em que você estreou em telenovela e justamente no horário mais concorrido: nas 21h, em uma novela dirigida por Amora Mautner e escrita por Walcyr Carrasco. “A Dona do Pedaço” conquistou o público, assim como sua participação na novela foi bastante elogiada. Quais foram os impactos que estrelar uma produção no horário nobre da TV Globo teve em sua vida?

Bom primeiro, foi emocionante! Porque estava na presença de Fernanda Montenegro que admiro e acompanho desde sempre. Tive a honra de gravar com Luiz Carlos Vasconcelos e Álamo Facó, grandes atores e hoje grandes amigos. Com direção da brilhante e inspiradora Amora Mautner, aprendi muito com ela. E do Luciano Sabino que foi muito cuidadoso na direção dos atores. E toda a equipe da novela, que vou guardar no coração. Não posso deixar de falar dos gigantes Marcos Palmeira, Juliana Paes, Fernando Eiras, Nivea Maria, Cesar Ferrario, Juçara Freire…Tive muita sorte de estrear numa novela cercada de grandes e admiráveis atores. E ter a maior atriz do país [Fernanda Montenegro] numa mesma cena que eu, foi uma honra. Um filme passou na minha cabeça, de todas as dificuldades que passei, de toda minha trajetória como atriz, minha formação, minha partida para estudar em São Paulo, tudo para eu chegar a aquele momento e contracenar com a maior atriz do cinema, do teatro e da televisão brasileira. Quando estreamos, a Dona Fernanda me mandou uma mensagem via WhatsApp. Sempre que a coisa aperta e dá aquele nó na garganta ou uma descrença sobre o que estamos vivendo culturalmente e politicamente no país, eu escuto esse áudio dela pra me dar forças, pra seguir os seus passos… E acreditar que vamos conseguir mudar o rumo desse barco e que a cultura ainda será valorizada nesse país. E sobre o impacto que a novela teve na minha vida, não posso deixar de dizer minha alegria e orgulho em assinar minha carteira de trabalho pela primeira vez, em ter plano de saúde, restituição do imposto de renda, estrutura pra ir e vir, para estudar e criar… Ou seja, condições para fazer a minha melhor performance e mostrar o meu trabalho. Isso sem dúvida nenhuma foi um grande impacto, gostaria muito que todos os artistas tivessem boas estruturas para fazerem os seus trabalhos. Essa performance na novela me possibilitou ser vista por muitas pessoas, me deu novas oportunidades e espaço para falar e ser vista. 

O destaque na Globo e na Netflix vieram após uma jornada em diversas produções cinematográficas, como “Terminal Praia Grande” (Mavi Simão), “Anna” (Heitor Dhalia), “Prova de Coragem” (Roberto Gervitz) e “Maranhão 669” (Ramusyo Brasil), por exemplo, além da grande homenagem na edição de 2019 do Maranhão na Tela. Qual papel o cinema ainda tem em seu caminho como atriz e quais são seus próximos passos nas telonas?

Eu ainda estou começando, preciso comer muito feijão com arroz… Confesso que meu maior sonho é chegar aos 90 e muito anos atuando, produzindo, criando… Eu olho pra dona Fernanda Montenegro, por exemplo, e tenho fé que chegarei lá, não custa sonhar. O cinema é um dos meus maiores prazeres nessa vida. É difícil explicar o que sinto quando estou num set. É como um banho de cachoeira, não tem como você sair do mesmo jeito que entrou. Tenho me divertido muito em criar personagem, roteiros, histórias… Sou uma diretora que faço filmes pra atuar. Aí aproveito para me desafiar sempre. Sair da zona de conforto, brincar, experimentar é libertador e ao mesmo tempo assustador, por que você pode ir pra onde quiser. Eu estou com 4 projetos para sair do forno. A série “Cidade Invisível”, criação de Carlos Saldanha, direção de Luís Carone e Julia Jordão, (sic), que ouso dizer que a Márcia, personagem que eu faço na série, é meu maior papel dentro de uma trama que já fiz, até hoje. É uma personagem linda, cheia de questões. E que é peça fundamental na trama, que é conduzida pelo personagem do Eric, protagonizado por Marco Pigossi, que é um grande amigo e parceiro de cena. Essa série me trouxe grandes amigos que vou carregar pra vida. Estou finalizando três curtas-metragens, um deles desejo inscrever no Maranhão na Tela 2020, onde pela primeira vez me desafio só como diretora: ‘Denuncia’ é estrelado por Tathy Yazigi e Raffaele Petrini. E por conta da quarentena, precisei parar a montagem dos filmes ‘Chá da Tarde’ e ‘Mala Preta’, filmes em que me provoco a dirigir e atuar ao lado de grandes parceiros. Estou dirigindo a Vídeo Performance ‘Afresco de Outono’ que deve sair em janeiro de 2021, pelo CCVM (Centro Cultural Vale Maranhão).

Não é maranhense, mas tem o Maranhão no sobrenome artístico e uma história audiovisual de anos. Mesmo nascida em Manaus, muitos ludovicenses te veem como uma representante do Maranhão quando te assistem. Com a estreia de “Cidade Invisível”, na Netflix, não será diferente. Como você vê esse carinho que o público do Maranhão te enxerga?

Eu amo São Luís do Maranhão. Foi a terra que me criou, que me alimentou, literalmente, de amor, de cultura, de amigos. Eu nasci em Manaus, Amazonas. Sou apaixonada pela minha terra natal, minha família está lá. Minha conexão com a cultura e a comida são muito fortes, herdei da minha mãe Eliane Maria que é de Cruzeiro do Sul no Acre, mas que viveu muitos anos em Manaus com a família. Meus pais se conheceram lá, meu pai João Teixeira Neto é de Barão de Grajau (MA). Mas a família do meu pai é toda de Pastos Bons. Esses Brasis me formam, me alimentam e me constituem. Fui para São Paulo aos 19 anos de idade e não posso esquecer a família que construí lá… Como vivi e vivo aqui em São Luís desde os dois anos de idade, minha relação afetiva com as pessoas, a família, o clima, com a arquitetura, com a política, com a cultura, com os artistas e profissionais da cidade que hoje são meus parceiros, me fazem voltar sempre pra casa pra me alimentar, pra me nutrir, pra estudar, pra lembrar quem sou, onde estou e onde quero chegar! E fazer parte dessa geração maranhense que está se destacando, construindo e produzindo no cinema local é uma honra. O cinema é uma das artes que consegue se eternizar, daqui a 100, 300, 500 anos as pessoas terão acesso ao que foi produzido nesse momento, isso é incrível. Estamos dialogando diretamente com o futuro e isso é precioso. Agradeço muito todo o carinho, respeito, admiração que recebo aqui. Me sinto acolhida e isso é muito precioso pra mim. Ser reconhecida na terra que me criou, pelos meus, influenciar uma nova geração de atores que estão vindo aí, não tem preço.

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