CINEMA

Os adversários do Brasil por uma vaga no Oscar

Academia de Hollywood encerrou inscrições para a categoria Melhor Filme Internacional. Sul-coreano Parasita é dado como grande favorito

Reprodução

Este ano, completaram-se duas décadas da última vez em que um longa nacional (Central do Brasil, de Walter Salles) disputou o Oscar de Melhor Filme em língua estrangeira, categoria que neste ano passou a se chamar melhor filme internacional. Apesar do sucesso obtido no exterior por Bacurau, o escolhido para tentar recolocar o Brasil na premiação hollywoodiana foi A vida invisível. Com o encerramento do prazo de inscrições à disputa na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, na última terça-feira (1), é hora de medir a dificuldade da corrida por uma vaga.

Oitenta e oito países inscreveram seus filmes. A primeira peneira selecionará 10 títulos, dos quais sairão os cinco finalistas, a serem anunciados no dia 13 de janeiro. Uma presença é dada como certa na lista final: o sul-coreano Parasita, vencedor da Palma de Ouro. Em 2017, o sueco The square, e, no ano seguinte, o japonês Shoplifters também venceram em Cannes e foram indicados ao Oscar. Pela reação da crítica internacional, no entanto, o favoritismo de Parasita se compara ao de Roma, de Alfonso Cuarón, no ano passado, que já era dado como vencedor antes mesmo de os demais concorrentes serem anunciados.

A comédia de humor negro do sul-coreano Bong Joon-ho venceu a Palma de Ouro por uma decisão unânime do júri, algo bastante incomum. Uma vez confirmada a escolha de Parasita, a briga de A vida invisível por uma das quatro vagas restantes se dará com concorrentes de diferentes continentes. Vindo do Oriente Médio, de onde saíram indicados a várias edições do Oscar, o palestino It must be heaven, de Elia Suleiman, também exibe uma conquista importante em Cannes: levou o prêmio concedido pela Federação Internacional de Críticos de Cinema (Fipresci).

Almodóvar
A Europa apresenta bons candidatos em potencial, como o espanhol Dor e glória, drama quase biográfico de Pedro Almodóvar estrelado por Antonio Banderas, e o russo Beanpole, de Kantemir Balagov, que levou o troféu de melhor diretor na mostra Um Certo Olhar. O representante francês é Os miseráveis, de Ladj Ly, que dividiu com Bacurau o Prêmio do Júri. Apesar do título familiar, homônimo do romance de Victor Hugo, o drama, que originalmente era um curta, aborda conflitos contemporâneos da periferia parisiense envolvendo polícia, imigrantes e manifestantes. Teve boa repercussão.

Ainda tomando Cannes como termômetro, outro forte concorrente vem da África: o senegalês Atlantics, da cineasta Mati Diop, vencedor do Grand Prix em Cannes. O longa sobre o romance sobrenatural protagonizado por uma menina de 17 anos chamada Ada teve direitos adquiridos pela Netflix. Estará disponível no serviço de streaming em novembro.

Além da Argentina, que levou a estatueta com A história oficial (1985) e O segredo de seus olhos (2010), a Colômbia, com O abraço da serpente (2015), e o Chile, com Uma mulher fantástica (2017), foram os países sul-americanos que disputaram a categoria nas duas décadas em que o Brasil ficou fora da briga.

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