LITERATURA

AML lança 12 livros de Jerônimo de Viveiros

Intelectual, que tem a História do Comércio do Maranhão como sua obra mais marcante, escreveu sobre todos os aspectos de São Luís na imprensa maranhense

Reprodução

Um legado deixado pelo historiador Jerônimo de Viveiros será apresentado ao público hoje (9), às 19h, em lançamento da Academia Maranhense de Letras, na Livraria e Espaço AMEI (São Luís Shopping).

Ao todo são doze títulos com artigos que foram publicados em sua maioria no Jornal O Imparcial: Quadros da Vida Maranhense: Da vida literária maranhense; Figuras Maranhenses; Franceses e Holandeses no Maranhão; Humorismo e Sátira com Euclides Faria; O Positivismo no Maranhão; Política, Políticos; Recortes da Economia Maranhense; Velhos Jornais do Maranhão; Os Irmãos Azevedo; À margem de nossa história; As bibliotecas públicas e A cidade de São Luís e suas circunstâncias.

A reunião desse material de Jerônimo de Viveiros (11 de agosto de 1884 – 29 de novembro de 1965), foi possível graças ao trabalho do pesquisador Luiz de Mello, que resgatou material de valiosa importância jornalística e histórica, publicado nos anos 1950, na imprensa de São Luís, sobre variados assuntos da vida maranhense.

“O Luiz de Mello apresentou aquele material para a Academia Maranhense de Letras e foi manifestado o interesse de transformá-lo, não só em um, mas em 12 livros contando dos mais diversos aspectos de São Luís e do Maranhão. Jerônimo de Viveiros foi um notável escritor, professor do Liceu Maranhense…, mas, vítima da ditadura, teve que deixar o Maranhão. Foi para o Rio de Janeiro, depois de 10 anos voltou ao Maranhão e às suas funções e deixou grande contribuição para a literatura, não apenas a História do Comércio do Maranhão, sua obra mais conhecida. E agora temos a chance de mostrar todo esse material, por meio de projeto da Lei de Incentivo à Cultura”, disse o imortal e presidente da Academia Maranhense de Letras, Benedito Buzar.

Em vida, como professor, jornalista e historiador, Viveiro trabalhou incansavelmente para deixar aos conterrâneos uma obra de relevante densidade intelectual. Em texto apresentado pela AML, relata-se as perseguições sofridas pelo professor.

“Essas perseguições se deram por ordem de Paulo Ramos, nos idos de 1937, em represália às suas posições políticas contra o regime ditatorial implantado no país pelo ditador Getúlio Vargas, sendo, por isso, processado, preso e demitido das funções de professor do Estado e  de São Luís. Já no Rio de Janeiro, onde, pela sua capacidade intelectual e postura moral, integrou o corpo docente do Colégio Pedro II. O competente mestre só retorna a São Luís em meados da década de 1940. Garantido pela normalidade jurídica, reintegra-se ao magistério estadual e municipal e, esmera- se no trabalho de resgate de atos e episódios maranhenses, faina executada com destemor e dedicação na Biblioteca, que a deu todas as condições para produzir farto e maravilhoso material, publicado nos periódicos, principalmente, em O Imparcial”.

Vida e obra de Jerônimo de Viveiros

Artigo publicado pelo saudoso escritor Jomar Moraes aponta que Viveiros era dono de um estilo claro, escorreito e eficaz. “O professor Jerônimo de Viveiros foi um grande mestre em seu labor de eleição. Embora não possuindo títulos universitários, superou tal circunstância, aliando ao talento e à vocação, o empenho de aturados e sistemáticos estudos. E uma prova do historiador que era capaz de trabalhar competentemente com blocos temáticos e também com a lupa que ressalta realidades microscópicas, pode ser oferecida pela numerosa série dos Quadros da Vida Maranhense, publicados em nossa imprensa, e que reclamam a unidade de um volume representativo dessa valiosa obra esparsa”. A série a que Jomar Moraes se refere é a que será apresentada ao público nesta quarta-feira.

Viveiros foi membro da Academia Maranhense de Letras, onde ocupou a cadeira de nº 8. Filho de Jerônimo José de Viveiros e de Maria Francisca de Viveiros, descendia de uma família de posses no Maranhão. Seus avós paternos foram o Barão e deputado provincial, além de fidalgo e cavaleiro da Casa Imperial do Brasil, Francisco Mariano de Viveiros Sobrinho e Mariana Francisca Correia de Sousa. E seu bisavô paterno foi o senador do Império do Brasil Jerônimo José Viveiros, sendo este filho de Alexandre José de Viveiros e de Francisca Xavier de Jesus Sousa.

Intelectual prestigiado na década de 1950, a Associação Comercial do Maranhão o encarregou de escrever a História do Comércio do Maranhão (1954), na qual traçou um panorama da dinâmica econômica no Estado, ressaltando a participação dos setores produtivos ligados ao comércio.

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