SÃO PEDRO

Comunidade se prepara para a festa

Homenagens e celebrações são realizadas desde o dia 19, mas a virada do dia 28 para o dia 29 é o ápice do festejo de São Pedro no bairro da Madre Deus

Reprodução

Para os festejos em homenagem a São Pedro ficarem completos faltam só as apresentações culturais no largo da Capela. Mas este ano isso não foi possível, segundo a coordenação do festejo, por falta de apoio, de patrocínio. Desta forma, coordenação e comunidade se concentram na programação de véspera do Dia de São Pedro (28) e na procissão marítima (dia 29). “Este ano nós não tivemos as brincadeiras para apresentações no largo. A gente até tem o certificado da Lei de Incentivo à Cultura, mas não conseguimos patrocínio. Mas todos os dias, desde o dia 19, temos celebrações com padres convidados e o público pode comparecer, participar das nossas celebrações. No dia 28 teremos o largo após a missa e, no dia 29, a presença de muitos bois, grupos e públicos, porque é uma festa gigantesca para homenagear o santo”, diz Regina Soeiro, da Coordenação Organizadora do festejo.

Conforme apontou dona Regina Soeiro, desde o dia 19 de junho acontecem as novenas em honras a São Pedro. Devotos e fiéis lotam a capela nas missas e demais celebrações. “A participação dos devotos só cresce a cada ano, no mesmo compasso do público que comparece nas festividades folclóricas. Só precisamos de apoio dos órgãos públicos”, pede a moradora.

A Capela São Pedro faz parte da Paróquia São José e São  Pantaleão, do Centro.  Para a paróquia, as festividades do santo pescador, São Pedro, o primeiro papa, ganha um diferencial pelo entrelaçamento com cultura popular, originada das práticas do catolicismo popular, que, na sua simplicidade, revela a história e devoção do povo da Madre Deus, Patrimônio Cultural Imaterial do Governo do Estado.

Este ano, o festejo fará 79 anos, no bairro da Madre Deus, e se encerra no dia 29 com procissão marítima às 15 h, com saída da imagem da capela ao Jenipapeiro, e percorrerá o Rio Anil, indo à Ponta d’Areia, desembarcando o andor na Rampa Campos Melo (Praia Grande), quando será realizado o cortejo terrestre. A Festa do Padroeiro dos Pescadores terá fecho com missa campal, no largo do templo, às 18h, numa tradição cultural que beira as oito décadas de realização, e se mantém brilhante desde sua véspera com a louvação dos bumba-bois de todos os sotaques, varando a madrugada ao amanhecer do dia do santo. “Estamos tentando junto à Capitania dos Portos para que mais embarcações possam participar da procissão, a exemplo de outros estados, onde centenas participam. A festa de São Pedro é grandiosa e se mantém viva, como iniciaram os primeiros organizadores”, comenta o jornalista, poeta, prosador, folclorista e compositor Herbert de Jesus Santos, filho e sobrinho de pescadores criadores da Festa de São Pedro, neto da primeira zeladora da capela, e integrante da coordenação do evento.

No ano passado, a organização estimou que 40 embarcações participaram da procissão. Este ano, a organização espera contar com pelo menos 50.

A festa folclórica no largo de São Pedro

O FESTEJO NA CAPELA DE SÃO PEDRO TEVE INÍCIO EM 1940. NA ÉPOCA, O LOCAL ERA APENAS UMA ESTRUTURA DE TAIPA COM PALHA

Segundo a organização, não dá para mensurar a quantidade de pessoas que vão circular pelo largo de São Pedro entre os dias 28 e 29, uma vez que desde a noite grupos se concentram para receber as bênçãos e se apresentar no palco montado em frente à Capela. Segundo a comunidade da Madre Deus, o festejo na Capela de São Pedro teve início em 1940. A  festa  teria se originado no Desterro, em 1939, indo para a Madre Deus em 1940, onde havia mais pescadores, cujo padroeiro é o santo. Na época, a capela era de taipa e coberta com palha. Apenas em 1949 foi erguida a de alvenaria, com o apoio do político e industrial Cesar Aboud, dono da Fábrica Santa Isabel, de tecelagem.

Conta o poeta Herbert de Jesus Santos no livro Tudo a ver com o Peixe de São Pedro (A Festa do Pedro Santo, O Padroeiro dos Pescadores, no Bairro da Madre de Deus), que foi em 1945 a criação da comissão organizadora do festejo.  “Assim, a festa ganhou os noitantes (homenageados em todas as noites de junho, de pescadores a donas de casas, etc.), leilão de prendas, procissões terrestre e marítima, além da louvação de bumba-bois, com os de zabumba,  depois, os de matraca, no encontro, atualmente, com grupos de todos os sotaques. A capela foi reformada três vezes, duas delas pela Prefeitura de São Luís, em 1973 e 1996. A arquitetura atual data de 1997 e foi feita pelo Governo do Estado, na primeira gestão da governadora Roseana Sarney. Eu nasci na Praia da Madre Deus, atrás da primeira capela, filho e sobrinho de alguns dos pescadores, dentre os que originaram o festejo, ali, e neto da primeira zeladora da igrejinha”, diz o poeta no livro.

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