FATO HISTÓRICO

O Zeppelin passou por São Luís há 88 anos

O dirigível alemão circulou pelo céu da ilha em 1930 nas imediações do Centro Histórico e na Rua Grande chamando a atenção da população por conta de sua grandiosidade.

Reprodução

Em maio de 1930, o Graff Zeppelin LZ 127 passou por diversas cidades brasileiras. Era a primeira vez que um aeróstato daquela natureza pousava na América do Sul. São Luís foi uma delas que testemunhou o sobrevoo histórico do dirigível que este mês comemora 88 anos de sua passagem pelo Brasil. A “máquina de voar” que atravessou o Oceano Atlântico foi considerada uma das invenções que revolucionou a maneira de viajar e “causou” na Ilha do Amor que na época começa a se desenvolver. O nome do dirigível é uma homenagem ao conde alemão, Ferdinand Adolf Heinrich von Zeppelin, um dos pioneiros no desenvolvimento de dirigíveis rígidos.

A passagem baixa do Graf Zeppelin LZ 127 ocorreu sobre o céu da Rua Grande e do Centro Histórico de São Luís chamando a atenção de vários moradores da cidade, como  a de três homens que estava  no telhado de uma construção vizinha à Capela das Laranjeiras, conhecida também como a Capela de São José. O imóvel secular foi construído no início do século XIX pelo português José Gonçalves da Silva que era proprietário da Quinta das Laranjeiras onde hoje fica localizado o antigo prédio do Colégio Maristas, no Centro. O flagrante feito por um fotógrafo não identificado, mostra os trabalhadores admirando as manobras da aeronave alemã. O registro faz parte do acervo do professor e pesquisador maranhense Antonio Guimarães Oliveira, que é autor de livros históricos importantes como: São Luís: memória e tempo, do Álbum do Maranhão em 1908, maior acervo iconográfico de imagens antigas do Maranhão e do livro Pregoeiros & Casarões que  mostra a São Luís de 1950 até 1979 por meio de imagens e textos.

O estudioso Antonio Guimarães Oliveira vem dedicando-se, há vários anos, à pesquisa e coleção de cartões postais históricos e fotografias de época, sobre a cidade de São Luís e seus habitantes. A cada livro ele dedica pelo menos dois anos de pesquisa em jornais e periódicos da cidade, a exemplo de O Imparcial e da Associação dos Cartofílicos do Brasil, com sede no Rio de Janeiro.

O fato histórico que é desconhecido de muitos maranhenses foi lembrado em fevereiro este ano no Facebook pelo perfil Minha Velha São Luis, que postou fotos da época e replicadas recentemente em outras redes sociais. Vários leitores comentaram a postagem histórica, entre eles,  a empresária Esther Carneiro que afirmou que a  sua avó foi testemunha ocular desse momento. “Quando eu era criança, ela contava algumas passagens interessantes ocorridas aqui. Uma sobre o dirigível, sobre um padre ter mandado pintar as portas com uma cruz em vermelho, durante a 1ª ou 2ª  guerra, sobre o vôo de um avião do Sampaio Corrêa e a morte do tio do JFK. E também sobre um submarino alemão ter encalhado por aqui ou em algum ponto da Costa maranhense”, escreveu ela.

Especificações do Graff Zeppelin LZ 127

O Imparcial fez uma pesquisa em alguns sites na internet que registraram a passagem do Graff Zeppelin LZ 127 em por outras cidades como Recife, Porto Alegre e Rio de Janeiro, descobriu que o dirigível tinha autonomia para percorrer 12.000 km, e que depois da primeira viagem no país, retornou ao Brasil outras nove vezes.

O Graff Zeppelin LZ 127 tinha 213 metros de comprimento, cinco motores, transportava 24 passageiros e cerca de 45 tripulantes e um volume de 105.000 m³, sendo o maior dirigível da história até a data de sua construção em 1928. Sua estrutura era baseada numa carcaça de alumínio, revestida por uma tela recoberta por lona de algodão, pintada com tinta prata, para refratar o calor. Dentro dela, existiam 60 pequenos balões inflados com gás hidrogênio, juntamente com os seus 5 motores Maybach, com 12 cilindros, desenvolvendo até 550 HP (máximo) cada, alimentados com um combustível leve, o Blau Gas e gasolina, que o mantinham no ar, a uma velocidade de até 128 km por hora. Tinha capacidade de carga para até 62 toneladas.

Quem observava de fora a silhueta elegante e inconfundível do Graf Zeppelin, não imaginava o conforto que a gôndola proporcionava para os passageiros. Possuía banheiros, sala de jantar e estar, cozinha, e salas de rádio e navegação. O Graf Zeppelin, contava ainda com 10 camarotes, com dois beliches cada um, que confirmavam a fama de “hotel voador”. A passagem, na época, custava 6.590 réis. Não era permitido fumar a bordo durante toda a viagem. Era verificado no embarque se nenhum passageiro portava isqueiros ou fósforos. Somente no advento do LZ-129, com instalações maiores e adequadas foi permitido, de forma muito controlada, fumar em local específico para tal nesse tipo de aeronave.

Desmanche do Graf Zeppelin

Nenhum acidente foi registrado com o LZ 127 Graf Zeppelin em cerca de uma década de operação. Após a tragédia com o LZ 129 Hindenburg em maio de 1937, ele não mais realizou voos, sendo retirado de operação, até que foi desmanchado em 1940, juntamente com o LZ 130 Graf Zeppelin II e suas estruturas de alumínio foram utilizadas para a confecção de material bélico na Segunda Guerra Mundial.

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