ALÉM DA FOTOGRAFIA

A arte denúncia de Gê Viana nas ruas de São Luís

Maranhense que foi indicada ao Prêmio Pipa 2019 e selecionada para o Programa Bolsa Pampulha da Prefeitura de Belo Horizonte usa a fotomontagem e fotoperformance como forma de expressão

Reprodução

Com foco a pesquisa do corpo performático e dos corpos abjetos marginalizados, a artista visual maranhense Gê Viana faz uso da fotografia para suas criações por meio da fotomontagem e fotoperformance em experimentos de intervenção urbana/rural. Ela foi uma dos 76 artistas indicadas ao Prêmio Pipa 2019. Por meio de sua produção artística Gê Viana cria um caminho na arte hoje que parte da ideia de denúncia, lançando mão das categorias estéticas que podem ser vistas em paredes e muros no Centro Histórico de São Luís.

Graduanda do Curso de Artes Visuais pela Universidade Federal do Maranhão, os trabalhos da artista trás discursos sobre a pixação no ato cívico, politico e artístico. Sobre o seu processo criativo Gê Viana definiu da seguinte forma: “Penso no legado deixado pelxs fotógrafxs que denunciaram em cliques o cotidiano das grandes metrópoles, guetos e povos tradicionais. O meu trabalho se desenvolve no ato de fotografar corpos que assume vários recortes com a fotomontagem, retornando um segundo corpo e gerando lambe-lambe em experimentos de intervenção urbana/rural. Venho na busca por uma expressão artística não-linear, lanço-me sobre a pesquisa do corpo performático e dos corpos abjetos pela cultura colonizadora hegemônica e seus sistemas de arte e comunicação , (corpos marginalizados e invisibilizados) A partir de um processo em Santos com Lívia Aquino, pesquisadora do campo das artes visuais, resolvi pesquisar a “imagem precária” e os meios de apropriação das fotos históricas de fotojornalistas, já que na maioria dos meus trabalhos ver-se o uso de outras camadas fotográficas”, explicou a Gê Viana.

 A artista que é descendente de indígenas nasceu no interior do Maranhão. Negra e moradora da periferia da capital maranhense, Gê Viana vê seus trabalhos como uma forma de resistência de diversos segmentos sociais marginalizados como: os indígenas, o universo LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgêneros e Intersexual), os negros e as mulheres. “Eu tento fazer uma narrativa que provoca uma reflexão da ideia de futuro. De como a gente pode estar resistindo por meio dessas camadas fotográficas, dessas imagens, criando uma nova narrativa”, Da Série Paridade (2017), eu faço um contraponto com indígenas que foram assassinados com remanescentes que ainda estão vivos, que estão resistindo, que sabem da suas lutas, de sua história”, ressaltou Gê Viana.

A rua como galeria

Destaque para os trabalhos Corpografia do Pixo (2015), Paridade (2017), Enfarofado (2016), Sapatona (2018). Segundo Gê Viana Série Sapatona faz esse contraponto de tirar de cena esses corpos héteros e transformar esses corpos em casais LBGT. “Eu sempre jogo estes trabalhos na rua porque eu acho que a rua é um local onde as pessoas tem um maior acesso às tuas obras e tem uma interlocução maior do tipo saber o que ti afeta e o que afeta o outro”, pontuou a artista.

Em marco deste ano, Gê Viana foi selecionada para o Programa Bolsa Pampulha da Prefeitura de Belo Horizonte. Foram selecionados dez artistas para a realização de uma residência artística de seis meses em Belo Horizonte, e em setembro, participam de exposição para apresentar as obras produzidas.

Confira alguns dos trabalhos de Gê Viana:

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