SÁBADO DE ALELUIA

Tradicional malhação de Judas acontece no Laborarte

Com uma grande programação cultural, “malhação de Judas” começa nas primeiras horas da manhã com uma roda de tambor de crioula, lançamento de livro e encerra ao som do forro-pé-de-serra

Reprodução

Judas Iscariotes foi um dos doze apóstolos de Jesus Cristo, que, de acordo com os evangelhos canônicos, veio a ser o traidor que entregou Jesus aos seus captores por trinta moedas de prata e, entrando em desespero, enforcou-se e condenou-se ao inferno segundo a tradição católica. Por conta do seu ato, tornou-se uma tradição em diversos lugares do mundo a tradicional “malhação de Judas”, sempre no Sábado de Aleluia.

 A brincadeira consiste na confecção de um boneco cujo corpo é recheado de pano ou jornal velho e a cabeça moldada em papelão ou outro material. Geralmente o Judas leva uma ‘placa’ com nomes de políticos ou de pessoas que durante o ano, fizeram algo que a comunidade não gostou ou até mesmo apenas como gozação. Quando o Judas tem como objetivo ‘malhar’ os políticos, geralmente encontramos em seus bolsos, a “Carta Testamento”, denunciando as falcatruas do político ‘malhado’.

Em São Luís, a tradição acontece desde 1985 no Casarão do Laborarte com o tradicional Rompendo Aleluia. Segundo Rosa Reis, diretora do Laborarte antes houve uma comemoração em homenagem a secretária de Judas em 1982, com o texto do testamento assinado pelo cantor e compositor César Teixeira, durante o encerramento de uma oficina de bonecos e de lá para cá a tradição continua. “Há 34 anos realizamos esta celebração que já se tornou parte do calendário cultural de São Luís. No começo era só a leitura do testamento e a malhação. Com o passar dos anos a encenação acontece com a participação de brincadeiras e apresentações culturais”, contou Rosa Reis.

Rosa Reis revelou que este ano a brincadeira não iria ser realizada, mas após saber do livro de Bruno Azevedo,  avaliou que seria pertinente manter a tradição da malhação e fazer o lançamento da obra. “Tem tudo haver com o Laborarte. O César Teixeira foi o testamenteiro durante muitos anos e após a sua saída outras pessoas ficaram responsáveis por fazer o testamento, como Camila Reis, Zeca Tocantins, Moises Nobre e no ano passado até o próprio Bruno Azevedo também fez alguns versos. Eu acho importante manter essa tradição que é uma coisa sadia, embora algumas pessoas fiquem chateadas. Mas isso faz parte da tradição.  Hoje são poucas as pessoas que fazem a brincadeira de malhação do Judas. A criançada curte muito. E os adultos também gostam, porque sempre ficam especulando quem vai ser este ano.  É válido!”, disse a produtora cultural.

A importância de se manter a tradição

Para o compositor César Teixeira que teve todos os testamentos que escreveu durante muitos anos em livro, acredita que a tradição é importante ser mantida. “A ideia do livro foi do Bruno que reuniu os textos escritos por mim desde 1990 a 2005 que eu tinha impressos guardado na minha casa. Os primeiros foram inscritos na década de 1980 em papel carbono. E ele acrescentou com outros que estavam nos arquivos do Laborarte. A organização foi toda dele”, disse César Teixeira.  

O compositor que chegou a escrever intitulado, Epistolas, onde explica que se não houvesse a traição de Judas talvez hoje o destino da humanidade fosse outro como se fosse. César Teixeira explica texto psicografado pelo próprio Judas onde o mesmo da sua versão sobre o fato. “Essa tradição de malhar o judas acontece não só aqui no Brasil como também em diversos países da Europa e da América Latina. E que a maioria dos personagens que são batizados como Judas são políticos que cometeram algum tipo de barbáríe contra o povo.  É uma forma de driblar a censura e tocar assuntos que também não fazem parte das pautas dos jornais. O testamento foi uma forma de driblar a censura de um jeito engraçado. Sofri ameaças não só por conta disso, mas de muitas outras coisas”, ressaltou.

 A programação da malhação de Judas no Laborarte começa, a partir das 6h com o penduramento do Judas e  com roda de tambor de crioula até as 16h. O evento contará às 17h com apresentação de brincadeiras Infantis; Roda de Capoeira Angola às 19h. E o lançamento do livro Testamento do Judas Malhação do Judas com textos de César Teixeira e organização de Bruno Azevedo, às 20h. A festa encerra com o Forró Pé de Serra com Seu Raimundinho que começa o arrasta pé às 21h30. O Casarão Laborarte – Rua Jansen Muller, 42 Centro – São Luís.  Informações: (98) 3222-7570 / 99114-8127.  

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