Produzida em Rondônia, a animação Planeta Fome, escrita e dirigida por Édier William, alcançou a marca histórica de mais de 100 exibições e seleções em festivais de cinema no Brasil e no exterior. O feito consolida o curta-metragem como um dos trabalhos de maior circulação internacional do audiovisual rondoniense, ampliando a projeção do cinema amazônico em vitrines globais.
Inspirado nas imagens da “fila dos ossos” — que chocaram o país durante a pandemia de Covid-19 —, o filme transforma a fome de consequência social em um instrumento de controle político e econômico. A narrativa se passa em 2125, em uma Porto Velho árida e sem vegetação, sob colapso ambiental. Nesse cenário, Ivani, uma mulher negra e mãe solo, luta ao lado do filho Lucca, de 8 anos, para sobreviver em um mundo onde a comida virou artigo de luxo e privilégio.
“O filme nasceu da necessidade de falar sobre a fome não como uma fatalidade, mas como consequência de escolhas políticas e econômicas”, explica o diretor Édier William.
Trajetória global e linguagem universal
Com 15 minutos de duração e sem diálogos, a obra aposta na animação, no desenho de som e na trilha sonora original de Tullio Nunes para construir sua narrativa. A estética em preto e branco contrasta propositalmente com os alimentos coloridos, destacando a comida como símbolo de desejo e poder.

Entre os eventos internacionais de destaque, o curta participou do Bengaluru International Short Film Festival (Índia) — festival qualificador para o Oscar —, do Shorts México e do 51º Festival de Cinema Ibero-Americano de Huelva (Espanha). No Brasil, integrou o Panorama Brasil da VIII Mostra Sesc de Cinema, sendo exibido em 19 estados.
Com distribuição da Tarrafa Produtora, sediada em Recife e liderada por mulheres negras, o filme já acumula prêmios de Melhor Filme, Melhor Animação e Melhor Trilha Sonora.

“Cada seleção demonstra que a obra encontrou ressonância universal. Filmes produzidos fora dos grandes centros podem ocupar espaços de destaque no circuito global sem abrir mão de sua identidade territorial”, destaca Anna Andrade, diretora da Tarrafa.
Realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, via edital da Fundação Cultural do Município de Porto Velho (Funcultural), Planeta Fome evidencia o impacto do fomento público na descentralização da produção audiovisual brasileira.
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